Abusos sexuais na Igreja do Chile: Sodano, o episcopado chileno e Jorge Bergoglio

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14 Abril 2018

“[O cardeal Angelo] Sodano foi – e parece que continua sendo em sua aposentadoria, com seus 91 anos – uma dor de cabeça para Bergoglio. Porque constituiu uma ameaça para sua estabilidade em Buenos Aires e agora tem a ver com seu passo errado no caso Barros. Porque sua defesa do bispo chileno se deu em razão de “informação errada” que, em boa medida, recebeu do Episcopado que Sodano modelou”.

O comentário é de Sergio Rubin, jornalista, publicado por Clarín, 12-04-2018. A tradução é do Cepat.

Eis o comentário.

Uma das principais perguntas que surge diante da péssima gestão do Episcopado chileno das denúncias de abuso cometidos por clérigos é como passou de uma das Igrejas mais prestigiosas da América Latina, durante a ditadura de Augusto Pinochet – com suas denúncias pelas violações aos direitos humanos, o compromisso com os mais necessitados e figuras como o legendário cardeal Silva –, à atual, com a pior imagem na região.

Pode estar muito relacionado aos ares conservadores do papado de João Paulo II e, em particular, a um de seus personagens mais questionados e poderosos: o cardeal Angelo Sodano, provavelmente o principal inimigo interno de Jorge Bergoglio quando era arcebispo de Buenos Aires. É que Sodano foi núncio apostólico (embaixador do Vaticano) no Chile, entre 1977 e 1988. Daquela época, seus críticos lhe atribuíram uma boa relação com Pinochet e a falta de compromisso com os direitos humanos.

Como núncio, tinha influência na nomeação de bispos e, nesse sentido, é destacado como o grande impulsionador de um Episcopado conservador, que cortou os laços com o outrora progressista. Isso sem prejuízo à corajosa intervenção de João Paulo II no conflito pelo Beagle e sua pregação em favor da volta da democracia no Chile, durante sua viagem de 1987. Contudo, Sodano gozava de grande reconhecimento do Papa polonês, a ponto que o escolheu, após o destino no Chile, nada menos que para ser seu número dois: secretário de Estado do Vaticano. Favorecido pela pouca atenção que João Paulo II dedicava à cúria romana e pela sua entrega em viagens pelo mundo, Sodano foi adquirindo uma enorme influência. Ao mesmo tempo, cresciam os questionamentos a sua gestão econômica, em relação a seus vínculos familiares.

Na Argentina, ficou conhecido pelos seus estreitos vínculos com o então presidente Carlos Menem, cristalizado no alinhamento antiabortista com a Santa Sé nos fóruns internacionais. De fato, Menem foi condecorado pelo Vaticano. No entanto, essa proximidade Sodano-Menem produziu faíscas com o Episcopado argentino, que denunciava a corrupção e a pobreza daquela época. Nesse Episcopado, ia emergindo a figura de Jorge Bergoglio, que questionava o tipo de relação da Argentina com Sodano.

Pouco a pouco, começou a especular com operações dos setores mais conservadores do Vaticano e da própria Igreja argentina (eram e são minoria) para retirar Bergoglio do arcebispado portenho e o empurrar para um cargo de menor importância em Roma. Muitos afirmam que essas operações prosseguiram – e alcançaram máxima intensidade – durante o kirchnerismo, quando o casal Kirchner – que considerava Bergoglio o “chefe espiritual” da oposição – percebeu que o arcebispo portenho não tinha facilidade no Vaticano e com o próprio Sodano. Inclusive, foi dito que o então chefe de Gabinete Sergio Mazza havia “comprado” essa ideia, o que teria lhe valido a antipatia do futuro Papa, que perduraria até a atualidade.

O certo é que Sodano foi – e parece que continua sendo em sua aposentadoria, com seus 91 anos – uma dor de cabeça para Bergoglio. Porque constituiu uma ameaça para sua estabilidade em Buenos Aires e agora tem a ver com seu passo errado no caso Barros. Porque sua defesa do bispo chileno se deu em razão de “informação errada” que, em boa medida, recebeu do Episcopado que Sodano modelou.

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