Francisco no Chile. Papa causou 'muito sofrimento' em vítimas de abuso no Chile, diz cardeal Cardeal O'Malley

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21 Janeiro 2018

O cardeal de Boston, Sean O'Malley, um dos principais assessores do Papa Francisco em relação a casos de abuso sexual clerical, reconheceu, no dia 20 de janeiro, que a defesa do pontífice de um bispo chileno acusado de encobrir casos de abuso causou "muito sofrimento" para as vítimas.

Em uma declaração de uma franqueza fora do comum, em resposta a uma ação controversa do papa, o cardeal disse também que duvidar do testemunho das vítimas é "abandonar os que sofreram violações de sua dignidade humana passíveis de repreensão penal".

A informação é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 20-01-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Sean O'Malley está respondendo à defesa de Francisco do bispo Juan Barros Madrid, de Osorno, no Chile, que é acusado de não ter relatado abusos cometidos por um colega sacerdote nos anos 80 e 90.

Questionado por repórteres sobre Barros, no dia 18 de janeiro, durante uma visita ao Chile, o pontífice chamou as acusações de "calúnia” e disse: "Não há uma prova sequer contra ele."

As palavras de Francisco enfureceram a comunidade das vítimas de abuso e muitos católicos chilenos, pois três sobreviventes afirmaram em depoimento que Barros testemunhou o Pe. Fernando Karadima cometendo os abusos. O site de rastreamento de abusos, BishopAccountability.org, declarou que o Papa havia "voltado no tempo para os dias mais sombrios dessa crise".

"É compreensível que as declarações do Papa Francisco... causaram muito sofrimento às vítimas de abuso sexual cometidos pelo clero ou qualquer outro criminoso", disse Sean O'Malley em sua declaração. "Palavras que transmitem a mensagem de que 'se você não consegue provar o que reivindica, ninguém vai acreditar em você'... relegam as vítimas a um exílio de descrença".

Protestos sobre a nomeação de Barros seguiram o Papa Francisco em toda a sua viagem ao Chile, de 15 a 18 de janeiro, onde ele estava em visita, antes de prosseguir para o Peru.

Terrence Donilon, secretário da Arquidiocese de Boston para comunicações e assuntos públicos, disse em um breve e-mail que O'Malley também está viajando para o Peru, em uma visita previamente agendada, para o 60º aniversário da Sociedade dos Missionários de São Tiago Apóstolo. O porta-voz disse que espera que o cardeal se encontre com Francisco em algum momento, já que ambos estão no país.

Depois do comentário do pontífice em 18 de janeiro, uma vítima de Karadima que, ao defender Barros, o Papa pareceu ir na direção "oposta" de uma reunião com vítimas chilenas de abuso clerical, em 16 de janeiro.

José Andrés Murillo, diretor executivo da fundação chilena Para la confiança, também disse que gostaria de perguntar ao Papa Francisco por que ele se encontrou com Barros e não com as vítimas que o acusam de encobrir o abuso.

Sean O'Malley disse, no dia 20 de janeiro, que não sabia por que Francisco “usou aquelas palavras” no Chile.

"O que eu sei", afirmou o cardeal, "é que o Papa Francisco reconhece totalmente as notórias falhas da Igreja e do clero que abusou de crianças e o impacto devastador dos crimes nas vítimas e em seus entes queridos".

Juan Barros foi líder da diocese militar do Chile até ser transferido por Francisco para Osorno, em 2015.

No dia 12 de janeiro, houve novas revelações sobre a consciência de Francisco a respeito das alegações de que Barros protegeu Karadima, com o vazamento de uma carta - antes desconhecida - que o Papa havia escrito para a Conferência Episcopal Chilena em 2015, reconhecendo que o bispo foi controverso.

Sean O'Malley é parte do Conselho Consultivo dos Cardeais de Francisco e foi também nomeado pelo pontífice em 2014 para liderar a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, um novo grupo criado pelo Papa para aconselhá-lo sobre a segurança das crianças na Igreja.

A situação atual desse grupo, no entanto, agora está incerta, já que o mandato de três anos acabou no dia 17 de dezembro, sem que Francisco ou o Vaticano se pronunciassem sobre se haveria novos membros ou se os membros atuais seriam nomeados novamente.

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