Cepat

Somos um Centro Jesuíta de Cidadania e Ação Social, que tem como horizonte o serviço da fé, com acento na promoção da justiça, pois são duas dimensões indissociáveis. De nossa parte, procuramos dar cumprimento à missão da Companhia de Jesus, tendo como foco atuar na formação político-cidadã, compreendendo o ser humano na sua integralidade.

Para isso, desenvolvemos um Programa de Formação Político-Cidadã, formado por um conjunto de projetos sociais que tem o objetivo de trabalhar com o assessoramento de forma continuada, permanente e planejada, formando e capacitando lideranças, comunidades e movimentos sociais, em prol de uma cidadania plena e um mundo sustentável. Os conteúdos inseridos em nossos projetos sempre estão em concordância com os princípios construtores de uma democracia mais substancial do que formal, de uma atuação política popular, com o resgate do senso de participação.

Por entender o ser humano em sua integralidade, consideramos fundamental o cultivo da espiritualidade, respeitando as diferentes vertentes religiosas. Nesse sentido, também temos como propósito ser um espaço de reflexão, diálogo e oração, abrangendo temas como as religiões, a cultura, a ética, a paz e a dimensão da fé em vista da possibilidade de construção de um mundo com relações sociais em harmonia com Deus, com o meio ambiente e entre homens e mulheres. Sendo assim, também desenvolvemos um Programa de Espiritualidade, que é pensado em uma perspectiva libertadora, ou seja, a dimensão da espiritualidade, necessariamente, ao levar a pessoa a uma abertura para o transcendente, modifica a sua vida e faz com que a mesma seja um agente transformador das duras realidades em que está ou pode se inserir.

 Equipe - Cepat

Jonas Jorge da Silva

Coordenador Geral

Ana Paula Abranoski

Coordenadora Administrativa

Viviane Aparecida Ferreira de Lara Matos

Assistente Social

Nivaldo Santos Arruda

Coordenador de Projeto

 

Histórico

Fundado em 1990, o atual Centro Jesuíta de Cidadania e Ação Social de Curitiba nasceu como Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (CEPAT), a partir de um trabalho conjunto entre jesuítas e leigos especialmente ligados à Pastoral Operária, que naquele momento buscavam desenvolver ações voltadas para uma melhor compreensão quanto às transformações que ocorriam no mundo do trabalho.

Através do início da parceria com o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), em 2007, o centro impulsionou as ações e a abrangência, contribuindo, também, com o trabalho do IHU, por meio de artigos, traduções e atualização das notícias do dia. A partir de 2008, torna-se Centro Jesuíta de Cidadania e Ação Social (CJCIAS), redimensionando o seu trabalho em um novo contexto de atuação.

Atualmente, o CJCIAS/Curitiba desenvolve duas frentes de trabalho: o Programa de Formação Político-Cidadã e o Programa de Espiritualidade.

Aspectos históricos

Nasce o projeto Cepat (1986-1990) - Um centro conectado às lutas operárias e ao movimento social


Casa do Trabalhador, em Curitiba, final da década de 1980 (Imagem: Arquivo Cepat)

A origem do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (Cepat) remonta à década de 1980 e tem na Pastoral Operária - PO do Paraná e no grupo da Pastoral Popular da Província Brasil Meridional da Companhia de Jesus, os seus dois pilares de fundação. A ideia da criação de um centro de pesquisa no mundo urbano surgiu primeiramente na Pastoral Popular dos Jesuítas, a qual reunia um grupo de religiosos envolvidos com movimentos sociais e pastorais sociais. Foi nesse grupo, em meados dos anos 1980, particularmente em 1986, que começou a se gestar a criação de um centro com essa característica.

A cidade de Curitiba-PR foi o local escolhido para a criação do Cepat. Pesou para a decisão o fato de os jesuítas assessorarem a Pastoral Operária no estado do Paraná, na época com forte presença no movimento operário e sindical, mas também, e principalmente, o desejo de desconcentrar a presença dos jesuítas do eixo Porto Alegre-São Leopoldo.

Motivações

As motivações que estão por trás da criação do Centro são as seguintes: ser apoio às lutas operárias; estudar as mudanças que se processavam no mundo do trabalho; pesquisar a temática do Mercosul; elaborar subsídios para pastorais e movimentos sociais, assim como garantir assessorias temáticas. Um centro, portanto, conectado com o movimento social, com as lutas operárias, com a base da Pastoral Operária, articulado a uma base paroquial dos jesuítas, a Paróquia Nossa Senhora da Paz, no Boqueirão.

O nome foi debatido internamente na Pastoral Operária e optou-se por Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - Cepat. Esse expressa a conjuntura da época: de um lado, queria-se um centro que contribuísse na pesquisa das mudanças do mundo do trabalho em curso – já havia uma percepção ainda muito embrionária de que mudanças aconteciam no chão de fábrica –; e, de outro, um centro que estivesse "colado" às lutas operárias. A adjetivação "apoio" tem por detrás a concepção de serviço, que orientava as ações da Pastoral Operária.

Desafios

O Cepat será formalmente fundado no dia 23 de junho de 1990. Nesse ínterim, foi decisivo para a localização em que se encontrava o Centro a aquisição da Casa do Trabalhador, no Sítio Cercado, que anteriormente se chamava Casa de Retiros São Francisco Xavier. A partir de 1986, com orientação do Pe. Inácio Neutzling, SJ, o Cepat passa a assessorar a Pastoral Operária - PO do Paraná e, por sua sugestão, após debates internos, cria-se o Curso de Formação Sindical, com abrangência estadual. O propósito era capacitar trabalhadores e trabalhadoras para a luta sindical e, particularmente, fortalecer as oposições sindicais. O curso era destinado prioritariamente a três categorias: metalúrgicos, alimentação e construção civil. A prioridade dada a essas categorias, não excludentes, deve-se a uma leitura da PO sobre os rumos da economia no estado.

Um dos gargalos para a realização do curso sindical – que constava de nove etapas – eram os recursos financeiros para cobrir despesas com locação de espaço. Em 1987, o Pe. Inácio tomou conhecimento que o Pe. Gustavo Pereira, SJ, havia procurado a Companhia de Jesus para oferecer-lhe a Casa de Retiros São Francisco Xavier. Pe. Gustavo, na época capelão do Palácio Iguaçu, era assessor espiritual do Movimento Universitário Cristão (MUC). Em função de sua relação com o mundo da política, conseguiu, em meados dos anos 1980, em cessão de comodato por um período de 100 anos, o terreno em que se construiu parte da Casa do Trabalhador. Isso foi na gestão de Roberto Requião como prefeito de Curitiba.

Na oportunidade, sabendo da oferta do Pe. Gustavo Pereira à Companhia e tendo presente as necessidades da Pastoral Operária, Pe. Inácio manifestou interesse no espaço, que conheceu ainda em 1987. Na época, a região do Sítio Cercado era ainda relativamente despovoada e o Bairro Novo sequer existia. Os jesuítas – à época em conversações e com o apoio do então provincial Pe. João Roque Rohr (da ex-Província Brasil Meridional) – concordaram em que o novo espaço fosse administrado pela Pastoral Operária e, posteriormente, com a criação do Cepat, passasse para a responsabilidade desse. Foi firmado um contrato de comodato entre a Associação Antonio Vieira, mantenedora dos jesuítas, e o Cepat. No final dos anos 1980, houve uma ampliação da estrutura da Casa tendo em vista as necessidades daquele período.

Pesquisa

A proposta do Cepat como centro de pesquisa e assessoria avançou nos debates internos entre jesuítas e a PO; ele foi criado oficialmente numa assembleia realizada na Casa do Trabalhador em junho de 1990. Participaram e assinaram a Ata de Fundação do Cepat 46 pessoas. O primeiro coordenador da nova entidade foi João Inácio Wenzel. Isso porque Pe. Inácio Neutzling passou, a partir de 1990, a trabalhar como assessor da chamada Linha 6 da CNBB, que abarcava o Setor Social.

Casa do Trabalhador

Nesse período inicial a Casa do Trabalhador será administrada pelo Pe. Levino Camilo, SJ, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Paz, e para a tarefa de administrar o cotidiano da Casa foi contratado um militante da Pastoral Operária, Jair Colatusso, que dividiria essa tarefa com a de pesquisador do Cepat. Na sequência, integrou-se ao Centro o metalúrgico Hélio Luiz Seidel, ex-militante da Oposição Sindical Metalúrgica. Hélio passou a residir nas dependências anexas à Casa do Trabalhador, construídas para essa finalidade. A primeira equipe, portanto, do Cepat era constituída por João Inácio Wenzel, Jair Colatusso e Hélio Luiz Seidel. João Inácio dividia a coordenação do Cepat com a tarefa de assessor regional da Pastoral Operária. Registre-se que à época a Pastoral Operária e o Cepat se misturavam muito.

Início das atividades do Cepat (1991-1995) Militância e formação

Nessa fase, o Cepat, além do apoio às lutas operárias, passa a ter um papel relevante na organização e condução da Escola Sindical do regional da Pastoral Operária e apoia os cursos de verão da Pastoral Operária Nacional. Como tema de pesquisa, priorizará o Mercosul, vindo inclusive a realizar um seminário nacional (ocorrido de 14 a 18 de setembro de 1992), em parceria com a CNBB, sobre o assunto, na Casa do Trabalhador. Nesse período, o Cepat trabalhará ainda no tabulamento de uma pesquisa nacional sobre o perfil dos militantes e grupos de base da Pastoral Operária e apoiará fortemente a organização da 1ª Semana Social Brasileira da CNBB – Mundo do Trabalho. Desafios e Perspectivas.

Vale lembra que em 1992, o Cepat adquiriu os primeiros computadores (dois computadores e duas impressoras) com um projeto financiado pelo Fundo Apostólico e Caritativo da Companhia de Jesus - Facsi, que trouxe as máquinas dos EUA.

O Cepat, no início dos anos 1990, ainda não tem um "rosto" definido como centro de pesquisa: não tem eixos de ação e fica disperso entre o militantismo e a pesquisa, mais à mercê do primeiro. O rosto mais claro do Cepat passa a se conformar a partir de 1994, quando efetivamente começa a elaboração e definição de linhas de ação.

Nesse período, além da equipe citada anteriormente, chega para trabalhar na Casa do Trabalhador a militante e ex-liberada diocesana da Pastoral Operária, Ivete Cândido Arendt, falecida em 2001. Soma-se à equipe do Cepat por um período a pesquisadora Luzia do Rocio Pires Ramos.

Consolidação do Cepat (1994-2000) Pesquisa, articulação, assessoria, publicações e formação

A partir de 1994, assume a coordenação do Cepat, Pe. Inácio Neutzling, que retorna para Curitiba no final de 1992 e que passa, até maio de 1995, a dividir o seu tempo entre o Cepat e a CNBB. Nesse processo, o Cepat será decisivo e determinante na construção da 2ª Semana Social Brasileira "Brasil. Alternativas e Protagonistas" (1994). Parte considerável da Semana foi construída nas salas do Cepat.

A equipe, de meados dos anos 1990 até quase o final da década, foi composta pelo Pe. Inácio Neutzling e Dari Krein – ex-liberado regional e nacional da Pastoral Operária. É nesse período, sobretudo 1994, de forte apoio à construção da 2ª Semana Social, às lutas da Pastoral Operária e de militância política, que se dá a definição de seus eixos de ação. Os eixos de trabalho formalizados a partir de 1995 e que o orientam são: 1) Acompanhamento às transformações no mundo do trabalho; 2) Formação ético-política; 3) Espiritualidade; e 4) Administração da Casa do Trabalhador.

O início do Boletim Cepat Informa posicionou o Cepat como centro de reflexão e elaboração; estudo e pesquisa do significado da reestruturação produtiva no mundo do trabalho. Na época, o Cepat articulava encontros de operários de várias fábricas para dialogar sobre as mudanças no chão de fábrica e orientação e assessorias na área da espiritualidade. Em 1996, outra iniciativa marcará e alçará o Cepat em âmbito estadual: a Escola de Formação Fé e Política (1996 a 2005).


Escola de Formação Fé e Política (Imagem: Arquivo Cepat)

A partir de 1995, o Cepat passou a contar com recursos financeiros da organização alemã Eugen Lutter. Ajudou muito na articulação desse apoio Pe. Martinho Lenz, SJ. No período, o coordenador do Cepat, Pe. Inácio Neutzling, não recebia salário, e o pesquisador Dari Krein – que trabalha 20 horas semanais no Cepat – tem parte do seu salário pago por um convênio firmado entre o Cepat e a Escola Sul da CUT. Com a saída de Dari Krein, em 1998, integra a equipe Cesar Sanson, ex-liberado regional e nacional da Pastoral Operária e ex-presidente do PT municipal de Curitiba.

Nesse período integraram a equipe do Cepat: Pe. Inácio Neutzling (1995-2000 – período integral); Dari Krein (1995 a 1997); Cesar Sanson (1998-2011); Loivo Mallmann, ex-padre jesuíta (meados de 1997 até junho de 1999); o estudante jesuíta Osvail Lazarim Dias (2000). Vilmar Radzinski (1997-2001) é contratado para a digitação, organização do banco de dados e o controle dos assinantes e expedição do Boletim Cepat Informa. Na sequência é contratada Nadia Luzia Balestrim, na época mestranda. Em 1997, o Centro de Pesquisa passa a ter acesso discado à Internet. Até então, todo o material selecionado para a Boletim precisava ser digitado. Entre 1999 e fevereiro de 2001, Pe. Inácio transita entre Curitiba e São Leopoldo-RS, onde assume a tarefa de coordenar a criação do Instituto Humanitas Unisinos - IHU. Em 2001, André Langer passa a integrar a equipe do Cepat.

Transição (2000-2006)

Neste período, o Cepat não altera as suas linhas de pesquisa. As principais iniciativas desenvolvidas são a realização de debates e seminários, tendo o Boletim Cepat Informa como referência. O Cepat apoia intensamente a Campanha Contra a Área de Livre Comércio das Américas - Alca e integra a coordenação do Plebiscito Popular contra a Alca. Participa dos fóruns do movimento social e presta assessoria a grupos sindicais, religiosos e populares. Em 2004, passa a integrar a equipe Darli de Fátima Sampaio, ex-liberada diocesana e nacional da Pastoral Operária e ex-coordenadora do Cefuria, que, num segundo momento, assumirá a administração da Casa do Trabalhador. Os anos de 2005 e 2006 são particularmente difíceis para o Cepat. Em processo inverso à Casa, que começa a se recuperar financeiramente, ele começa a ter dificuldades financeiras e passa por certa crise de identidade. Cogita-se, inclusive, o fechamento do Cepat. A parceria com o Instituto Humanitas Unisinos - IHU e a criação do Centro Jesuíta de Cidadania e Ação Social - CJCIAS dão novo fôlego e vigor ao Cepat.

Parceria estratégica com o IHU (2007...) Desvendar a crise civilizatória

A partir de 2007, inicia-se um processo que permitirá a retomada nas atividades do Cepat. Essa retomada está associada ao estabelecimento da parceria estratégica com o Instituto Humanitas Unisinos - IHU. O conceito de parceria estratégica não é fortuito e revela a profunda identidade entre as duas organizações. A origem dessa parceria está relacionada à trajetória das instituições. Assenta-se sobre a conformidade de um "olhar" sobre o mundo, ou seja, a partilha de uma mesma leitura socioeconômica, política, cultural e pastoral da realidade. O Cepat e o IHU compreendem-se como organizações que desejam contribuir na compreensão da crise civilizatória enfrentada pela humanidade.

Acreditamos que estamos imersos numa mutação civilizacional de consequências ainda imprevisíveis para a humanidade e o planeta. Partilhamos a convicção de que estamos às voltas com uma crise de civilização, que tem a ver com a cultura ocidental, especialmente como vem se gestando na modernidade. Essa crise se apresenta como uma tríplice crise: crise do modo de produzir; crise do modo de consumir; e crise do modo de se relacionar com a natureza e com os outros.

Numa cultura em que o conhecimento é extremamente compartimentado e especializado, o Cepat e o IHU desejam introduzir em tudo o que fazem uma prática transdisciplinar, baseada no princípio da complexidade do conhecimento e da inter-relação de tudo com tudo. Ao mesmo tempo, num mundo marcado por certo dogmatismo e corporativismo, o Cepat e o IHU querem ajudar a introduzir um outro olhar, novas perspectivas de abordagem. O nosso ponto de vista é visto a partir de um ponto: dos movimentos sociais, sobretudo daqueles que procuram organizar os pobres e chamam a atenção para temas que auxiliam na compreensão e na construção de respostas para os desafios da crise civilizatória.

A parceria estratégica do Cepat com o IHU tem o objetivo de otimizar capacidades, contribuições, potencialidades e recursos. Nessa perspectiva, as instituições estão juntas na atualização das Notícias do Dia. O Cepat contribui ainda com traduções, em sinergia com o IHU. Algumas atividades que são promovidas pelo IHU em sua base territorial também são reproduzidas em Curitiba. E vice-versa.

O Cepat se assume como CJCIAS

A partir de 2008, dentro de uma nova configuração, o Cepat é integralmente incorporado pela Associação Antônio Vieira (ASAV), uma das mantenedoras da Província dos Jesuítas do Brasil. Frente aos novos desafios e tarefas que passa assumir, ressignifica seu próprio nome, constituindo-se como Centro Jesuíta de Cidadania e Ação Social (CJCIAS).

 

Seminário Democracia e Participação Popular (Imagem: Arquivo Cepat)