Quem tem a obrigação de informar o Vaticano sobre a situação do Chile?

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13 Abril 2018

Uma parte crucial da carta enviada pelo Papa Francisco menciona a falta de informação veraz, que o teria prejudicado em um diagnóstico sólido sobre a situação da Igreja chilena. A interrogação que surge é: Quem são os encarregados de informar o Papa sobre a situação das igrejas locais?

A reportagem é de Paula Yévenes, publicada por La Tercera, 11-04-2018. A tradução é do Cepat.

“O Papa, de alguma maneira, se informa através de diferentes canais, formais e informais, sobre as dioceses”, explicou Soledad Errázuriz, diretora executiva da fundação Vozes Católicas. No entanto, reconhece que no principal são os núncios, cardeais e bispos que deveriam cumprir essa função de assessoria.

No caso chileno, Ivo Scapolo é quem deveria ter uma comunicação mais direta com a máxima autoridade da Igreja Católica: “O núncio é o representante do Papa no Chile e, como tal, se espera que em seu papel de canal institucional forneça informação oportuna, correta e veraz à autoridade que representa”, sustentou Errázuriz.

No entanto, também avaliou que em sua carta o Pontífice não tenta buscar responsáveis: “Não acredito que essa responsabilidade recaia exclusivamente em uma pessoa ou em um cargo”, disse a diretora de Vozes Católicas.

Mais taxativo foi o diagnóstico do sacerdote jesuíta Felipe Berríos, que em conversa com a CNN Chile afirmou que “há uma responsabilidade direta do núncio apostólico (Ivo Scapolo) e do cardeal (Francisco Javier) Errázuriz (...). E acredito que outros terão que dar uma explicação”.

Além disso, afirmou que o conteúdo da carta “nos enche de esperança de que, enfim, o Papa foi bem informado”.

Atualmente, o cardeal Errázuriz faz parte do Conselho de Cardeais, composto por nove prelados que o aconselham em assuntos da Igreja.

O doutor em Ciências da Religião e acadêmico da Faculdade de Filosofia da Universidade do Chile, Luis Bahamondes, concorda em que, “claramente, o núncio é o que tinha maior responsabilidade de informar o Papa, e em uma linha bastante direta também cabia ao cardeal Ricardo Ezzati”.

Concorda, sim, que na carta o líder da Igreja Católica não realiza uma crítica a eles, mas que a dirige contra ele mesmo. “Na carta, a autocrítica é muito mais forte que a crítica. O Papa é muito mais duro consigo mesmo que com a estrutura eclesial”.

Reunião inédita

Na história da Igreja chilena não há antecedentes de que toda a Conferência Episcopal tenha sido chamada por um Papa, de forma extraordinária, para uma reunião. Por isso, a decisão de Francisco surpreende e é um marco.

Em matéria internacional, um antecedente parecido é a reunião de 2002, por iniciativa do Papa João Paulo II, com um grupo de cardeais nos Estados Unidos, em razão de casos de abusos. No entanto, no Direito Canônico, não existe uma figura que tipifique tais tipos de encontros, para além da visita ad limina, mediante a qual, de modo regular, cada Conferência Episcopal presta conta de suas atividades ao Pontífice. No caso chileno, a última ocorreu em fevereiro de 2017. Naquele momento, como um fato inédito, o Papa Francisco se reuniu com os prelados duas vezes, em dois dias diferentes.

Naquela ocasião, o presidente do Episcopado era o bispo Santiago Silva.

No Chile, não existem antecedentes de algo assim. É um sinal muito forte e marca claramente um precedente, porque o Papa veio ao Chile e se deu conta do que estava acontecendo”, afirmou Soledad Errázuriz.

Em relação a este assunto, o acadêmico da Universidade do Chile foi crítico e sustentou que, apesar de ser um marco importante, é preciso situá-lo no contexto mundial: “Hoje em dia, não há como não ter uma reação como esta, porque existe uma pressão social que estabeleceu que as temáticas de assédio, abuso e outras aberrações se medem com varas muito mais altas”.

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