Cresce, no Chile, a oposição a bispo questionado

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Por: André | 09 Março 2015

O Papa Francisco recebeu, na sexta-feira 05 de março, em audiência privada, Fernando Natalio Chomalí Garib, arcebispo de Concepción. Um encontro que aparecia como tantos outros na agenda diária de Francisco. Salvo por um detalhe: aconteceu enquanto cresce, no Chile, a oposição à nomeação do novo bispo de Osorno, Juan Barros Madrid, um clérigo vinculado ao padre Fernando Karadima, o protagonista do mais triste escândalo de abusos sexuais contra menores na Igreja desse país.

A reportagem é de Andrés Beltramo Alvarez e publicada no sítio Vatican Insider, 06-03-2015. A tradução é de André Langer.

Chomalí Garib ainda é o administrador apostólico da “sede vacante” de Osorno, função que desempenha – em paralelo com seu trabalho pastoral de Concepción – desde o começo de 2014. Ele se encarregou dessa diocese depois que o bispo anterior, René Osvaldo Rebolledo Salinas, foi nomeado como arcebispo de La Serena no final de 2013.

Restam 15 dias como administrador apostólico ao arcebispo de Concepción. Teoricamente. Caso se cumprir o que está previsto, no próximo dia 21 de março o novo bispo, Barros Madrid, deverá assumir o posto. A duas semanas de terminar uma missão eminentemente temporária, seu encontro com o Papa é, no mínimo, descomunal.

A Sala de Imprensa do Vaticano explicitou, na sexta-feira, em seu breve anúncio da reunião, que Francisco o recebeu em virtude de seu cargo como administrador de Osorno. Não deu maiores detalhes sobre o conteúdo da conversa privada.

Enquanto isso, no Chile, diversos setores se manifestaram contra o novo destino de Juan Barros. Até o dia 10 de janeiro passado, ele era bispo castrense do Chile, cargo para o qual foi designado no dia 09 de outubro de 2004 pelo Papa João Paulo II. Eram outros tempos para a Igreja chilena. Nessa época, Fernando Karadima exercia grande influência a partir da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus de El Bosque, em Santiago.

Barros é um dos quatro bispos que teve sua origem nos grupos de jovens dessa paróquia e das fileiras desse padre, que chegou a ter inclusive “fama de santo”. Os outros são: Andrés Arteaga, Horacio Valenzuela Abarca e Tomislav Koljatic. Eles caíram em desgraça quando veio à tona, em 2010, o escândalo dos abusos sexuais cometidos por Karadima contra vários rapazes.

O Vaticano culpou-o e condenou-o por esses crimes e o afastou do ministério sacerdotal. Aquela condenação atingiu a imagem dos quatro bispos, que durante o processo nos tribunais vaticanos saíram na defesa de Karadima. Por isso, Barros converteu-se em um personagem incômodo para o Exército chileno, e alguns militares de alta patente solicitaram à nunciatura apostólica a sua remoção.

De fato, no mesmo dia em que recebeu a nomeação para Osorno, automaticamente perdeu toda a autoridade sobre o organismo militar. A nunciatura informou que, a partir daquele momento, a diocese castrense ficaria aos cuidados de Claudio Verdugo Cavieres, vigário-geral, “com o objetivo de oferecer a dom Barros a possibilidade de se preparar adequadamente para a sua nova missão”.

Mas a nomeação foi contestada não apenas na diocese de destino, como também nas redes sociais. Um dos primeiros a se queixar foi Juan Carlos Cruz, uma das vítimas dos abusos ocorridos em El Bosque, que enviou uma carta ao núncio apostólico em Santiago, Ivo Scapolo, na qual acusou Barros de ser cúmplice e de acobertar Karadima. Em seguida, 51 deputados, encabeçados pelo socialista Fidel Espinoza, expressaram sua perplexidade em uma carta entregue à Embaixada chilena no Vaticano.

Além disso, 30 diáconos e padres de Osorno escreveram outra carta ao núncio solicitando que o Papa reconsidere a nomeação do seu novo bispo, que foi seguida de outro escrito assinado por alguns fiéis leigos, que se manifestaram “confusos e irritados” com a situação. “Não cabe a nós nos metermos na vida de uma pessoa, menos ainda de julgá-la, mas, como comunidade de fé, temos o desejo e o legítimo direito de sermos pastoreados por um bispo íntegro, testemunha da verdade, com princípios morais impecáveis”, escreveram.

Ao mesmo tempo, nas redes sociais criou corpo uma campanha encaminhada a evitar que o bispo assuma o seu posto, e a imprensa local está alerta sobre possíveis protestos públicos diante da chegada do novo pastor.

Existem antecedentes de bispos nomeados, mas que não chegaram a assumir seus postos. Em 2009, Gerhard Maria Wagner desistiu de ser auxiliar de Linz (Áustria) depois de uma polêmica entre o clero local que chegou até Bento XVI. Além disso, existe um precedente no atual pontificado: frei Carlos Alberto Novoa De Agustini pediu para não assumir o cargo de bispo auxiliar de Lomas de Zamora (Argentina), pouco depois da sua nomeação em 03 de dezembro de 2013. Em todo o caso, o único que pode decidir o destino final de um bispo (em exercício ou não) é o Papa.

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