Divulgadas cartas enviadas por bispos e sacerdotes ao Vaticano para defender Karadima

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Por: André | 10 Agosto 2013

O portal Ciper Chile revelou, nesta quinta-feira, algumas cartas que bispos e sacerdotes enviaram ao Vaticano para defender o ex-pároco de El Bosque, Fernando Karadima (foto) das denúncias de abusos sexuais. O sítio teve acesso a cerca de 20 cartas de diferentes religiosos do país, nas quais defendem Karadima das denúncias feitas por James Hamilton, José Andrés Murillo e Juan Carlos Cruz.

 
Fonte: http://bit.ly/vZpOgi  

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 09-08-2013. A tradução é de André Langer.

Foram 19 sacerdotes que escreveram ao Vaticano apoiando o ex-pároco de El Bosque. No entanto, uma vez conhecida a sentença condenatória contra Karadima, 16 assinaram uma carta apoiando as vítimas.

No entanto, os textos que causaram maiores polêmicas são aqueles assinados pelos bispos Tomislav Koljatic e Horacio Valenzuela, que inclusive garantiram que as denúncias de abusos sexuais faziam parte, na realidade, de um complô da esquerda e da maçonaria contra a Igreja.

Koljatic, atual bispo de Linares, em uma longa carta dirigida ao secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, sustenta: “No Chile vivemos com muita força ‘os Cristãos para o Socialismo’, na década de 1960, e depois a Teologia da Libertação, entre as décadas de 1970 e 1990. Muitos clérigos conotados comungavam destas ideias e eram contrários ao Magistério do Papa. É uma triste verdade que nos dói, mas real. Por isso, a pessoa e a pregação do Pe. Karadima foram desde sempre fustigados e rechaçados por alguns eclesiásticos e leigos. Seu testemunho de fidelidade à Igreja e ao Papa foi, para ele, motivo de perseguições, críticas e ataques”.

Assim mesmo, acrescenta que a fidelidade de Karadima “ao Santo Padre e ao Concílio, ao rosário e à celebração da Eucaristia”, desatou na esquerda “uma violenta perseguição não apenas ao padre, mas à Igreja chilena. Basta ver as milhares de páginas publicadas nos jornais, os minutos nos noticiários e as horas nas rádios (...). Nos meios de comunicação não se respeitou nunca a presunção de inocência (...). Tristemente, nestas acusações convergiram inimigos declarados da Igreja (maçônicos e liberais) e mais de um eclesiástico que não compartilha da linha do Pe. Karadima”.

Valenzuela, por sua vez, assinala que os meios de comunicação chilenos estariam dominados ideologicamente pela esquerda. “São grupos no Chile muito poderosos, que dominam magistralmente a opinião pública, ligados à esquerda política ou à maçonaria, que dirigem grande parte da imprensa e penetraram de modo significativo, entre outros, no Poder Judiciário. Para eles, o ataque à pessoa e à obra do Pe. Fernando Karadima foi uma oportunidade excepcional para desacreditar a Igreja e tirar-lhe toda a autoridade em matérias de moral, que estiveram com força na discussão pública da nossa pátria”, afirma.

A reportagem destaca as cartas dos três que não se arrependeram, correspondentes aos presbíteros Julio Söchting, Francisco Herrera Maturana e José Miguel Fernández.

Söchting falou em sua carta da longa relação que tinha com o ex-pároco de El Bosque, a quem disse conhecer há 20 anos: “desde que é meu diretor espiritual, o que considero uma graça de Deus”. Afirmou que durante esse tempo “nunca observei, eu mesmo, nem soube por outros, condutas alheias à dignidade sacerdotes e, especificamente, relacionados com atos impróprios”.

Mais adiante, o religioso contradisse a teoria das acusações de abuso psicológico exercido por Karadima. “A experiência de liberdade evangélica, de delicadeza pastoral e comunhão fraterna, de direção espiritual sobrenatural e firme que teve todos estes anos, me obrigam, como homem de consciência e sacerdote, a comunicar estas experiências”, escreveu.

“Esta carta também tem por finalidade oferecer-me como testemunha no processo canônico que, estou convencido, esclarecerá, de modo fidedigno e oportuno, não apenas a falsidade destas acusações, mas também, e o que considero mais importante para o bem e a paz da Igreja, a edificação dos fiéis (que foi severamente prejudicada), assim como para a tranquilidade de todos os que sofreram deste doloroso incidente, os motivos que as causaram”, conclui.

O mesmo fez o sacerdote Francisco Herrera, que assegurou ter visto sempre em Karadima “uma delicadeza no trato com as pessoas, agindo com discrição, mesura e cuidado nas manifestações de confiança e afeto”.

Em seguida, qualificou os conselhos do religioso como “uma luz esclarecedora para descobrir a vontade de Deus na minha vida pessoal e pastoral”.

“Nunca percebi uma conduta que pudesse ser interpretada como indevida ou suspeita, senão muito pelo contrário, sua maneira de agir e expressar-se foi um exemplo valioso de vida para o meu sacerdócio”, insistiu.

Assim, assegurou que o denunciante James Hamilton fez a denúncia devido a “um problema matrimonial público e o descuido de sua vida cristã e de oração”.

No documento falou também do sacerdote Hans Kast, que disse ser testemunha de condutas impróprias. “Minha impressão pessoal é que o descontentamento e o afastamento do presbítero Hans Kast se deveram mais por ambições de estudos não satisfeitos e frustração como professor no Seminário Pontifício, do qual saiu muito mal avaliado”, escreveu.

Enquanto isso, o sacerdote José Miguel Fernández assegurou que “as razões pelas quais os acusadores, que eu conheci, se afastaram da paróquia foram por problemas familiares, ressentimentos, desejos de vingança, busca de dignidades eclesiásticas, etc.”.

Os documentos se tornam públicos justamente no momento em que Fernando Karadima foi interrogado pelo juiz Juan Muñoz Pardo, no âmbito da demanda civil que os três denunciantes interpuseram contra a Arquidiocese de Santiago.

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