Sodano não quis escutar, em 2003, as denúncias do secretário de Maciel

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Por: André | 24 Maio 2012

Rafael Moreno, que durante 18 anos foi secretário de Marcial Maciel, tentou em 2003 informar o Vaticano sobre a verdadeira vida do fundador dos Legionários de Cristo, mas “não foi escutado, nem lhe deram crédito” e o cardeal secretário de Estado na época, Angelo Sodano, não lhe concedeu a audiência que lhe pediu.

A reportagem está publicada no sítio Religión Digital, 21-05-2012. A tradução é do Cepat.

A informação consta do livro Sua Santidade, de Gianluigi Nuzzi, que acaba de ser publicado na Itália, que recolhe documentos reservados e cartas confidenciais enviadas ao Papa Bento XVI e ao seu secretário particular, Georg Gänswein, vazados do Vaticano.

O livro inclui cerca de cem documentos, entre eles um da Secretaria Particular de Sua Santidade, escrito à mão em italiano e alemão, com data de 10 de outubro de 2011, que Nuzzi atribui a Georg Ganswein, referente a um encontro deste com o sacerdote Rafael Moreno, que foi durante 18 anos secretário particular de Maciel, castigado em 2006 pelo Papa Ratzinger por pederasta.

O encontro se deu, segundo a nota, entre as 9h e 9h30 no terceiro andar do Palácio Apostólico e durante o mesmo Moreno, que procedia do México, informou a Ganswein sobre a conduta de Maciel e reconheceu que ele “havia destruído provas, material incriminatório”, segundo os apontamentos tomados pelo secretário do Papa.

Ganswein também escreve que Moreno lhe contou que “já em 2003 quis informar ao PP II (na fotocópia do documento mostrado no livro o primeiro P parece um J), mas que não foi escutado e não lhe deram crédito” e que “quis informar o cardeal Sodano, mas não lhe concederam a audiência”.

Nuzzi assinala que com PP II Moreno se refere ao Papa João Paulo II e assegura que se o que o secretário de Maciel, que atualmente mora no Brasil, não mente, contou “significa que três anos antes da versão oficial, o Vaticano tinha conhecimento dos detalhes da conduta do fundador dos Legionários de Cristo”.

Maciel (1920-2008) foi castigado por Bento XVI no dia 19 de maio de 2006 pelos abusos sexuais que cometeu durante décadas contra seminaristas e pela tripla vida que levou (abusos sexuais, uso de drogas e relações com mulheres, com as quais teve vários filhos).

Não obstante, Bento XVI garantiu, no livro-entrevista A luz do mundo, do escritor alemão Peter Seewald, de 2010, que só a partir do ano 2000 se começou a ter pontos de referência concretos sobre Maciel e que era necessário ter provas seguras para estar certo de que as acusações tinham fundamento.

O Papa Ratzinger reconheceu que “infelizmente” o caso foi enfrentado “com muita lentidão e atraso”, devido a que “estava muito bem coberto”.

Nuzzi escreve que as “hierarquias” do Vaticano nunca analisaram atentamente o caso Maciel e assinala que as declarações de Moreno confirmam que a Cúria Romana “no seu mais alto nível ocultou Maciel durante um certo período de tempo, sem tramitar as acusações que lhes chegavam”.

Moreno conseguiu falar, segundo Nuzzi, com o cardeal Velasio de Paolis, encarregado por Bento XVI de sanear os Legionários de Cristo, mas, segundo assinalou a Ganswein, lhe dedicou “pouco tempo”.

Sobre De Paolis, Nuzzi afirma que o cardeal “nunca ocultou” sua intenção de dar “um perfil baixo” à investigação sobre Maciel.

Também conta que De Paolis afirmou que os Legionários de Cristo estão divididos entre aqueles que querem “clareza e que os mais estreitos colaboradores de Maciel sejam afastados” e aqueles que querem “que se vire a página rapidamente” e que este último é o grupo mais forte.

Assim mesmo, assinala que o escândalo Maciel afetou severamente as doações, que a congregação está com dívidas e que perdeu credibilidade.

O livro, considerado pelos observadores vaticanos como o maior vazamento de relatórios reservados da Santa Sé, colocou novamente a Cúria Romana em todas as manchetes, e o Vaticano anunciou que levará à justiça os autores do vazamento desses documentos, cuja publicação qualificou de “ato criminoso”.

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