Vaticano. Vítimas de abuso sexual se manifestam no início do Sínodo

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05 Outubro 2018

Um grupo de pessoas que sofreu pelos abusos sexuais contra menores por parte de clérigos, nesta quarta-feira, manifestou-se nas imediações do Vaticano, enquanto o Papa dava início a uma cúpula mundial de bispos dedicada aos desafios da juventude na atualidade.

A reportagem é publicada por Aristegui, 04-10-2018. A tradução é do Cepat.

Cerca de 50 pessoas se colocaram na praça contígua ao Castel Sant’Angelo, no início de uma avenida que une a Praça de São Pedro com a cidade de Roma, mostrando cartazes e fotografias alusivas a diversos casos de abuso, em sua maioria italianos.

Convocados pela Rede L’Abuso e pela aliança internacional Fim ao Abuso Clerical (ECA, em sua sigla em inglês), os manifestantes conseguiram empunhar seus cartazes por apenas uns 15 minutos, antes que a polícia italiana os obrigasse a sair do local.

Os policiais lhes pediram para entrar em um parque próximo, onde já não tinham como fundo a imagem da Basílica de São Pedro. Ali permaneceram até concluir a marcha pacífica.

Na realidade, essa não foi a única manifestação polêmica no início da assembleia plenária do Sínodo dos Bispos, que foi introduzida na tarde desta quarta-feira pelo Papa Francisco, com um discurso, e que se estenderá até o próximo dia 28 de outubro.

Do outro lado da praça vaticana, na área de ingresso dos 267 “padres sinodais”, os bispos que participaram do encontro, um grupo de mulheres se manifestou com cânticos pedindo mais participação feminina na Igreja.

Não mais de 30 pessoas entoavam lemas, enquanto muito perto delas passavam bispos e cardeais a caminho da Aula Nova do Sínodo, onde começaram as discussões com portas fechadas sobre o tema Os jovens, a fé e o discernimento vocacional.

Knock, Knock! Deixem as mulheres votar...! Deixem-nas votar!”, cantavam uma e outra vez, acrescentando a cada repetição o nome de um bispo ou um cardeal. Com essas frases, referiam-se à escassa participação feminina na assembleia sinodal, na qual as mulheres – com presença minoritária – só têm direito a voz e não voto.

Enquanto essas manifestações ocorriam, pouco a pouco os participantes da assembleia iam chegando até a Aula Nova do Sínodo, sendo acolhidos com um cumprimento do próprio Papa, que recebeu um a um com uma saudação.

A respeito da marcha das vítimas de abuso, Mattias Katsch, líder da organização Eckiger Tish, membro do Conselho de Sobreviventes da Alemanha e da Aliança ECA, afirmou que eles não são opositores à Igreja.

“Não somos inimigos da Igreja. Acredito que estamos fazendo um favor à Igreja, estamos mostrando onde as coisas andam mal e dando a ela uma oportunidade de mudar para melhor”, apontou, em entrevista com Notimex.

“A Igreja tem um papel muito importante no mundo, sobretudo na educação de crianças e jovens. Para servi-los bem e ser um lugar seguro. As mudanças que estamos falando servem para fazer da Igreja um lugar assim”, acrescentou.

Entre seus pedidos concretos, listou a escuta das vítimas, o fazer justiça para elas, abrir os arquivos eclesiásticos para investigações independentes e mudar as leis da Igreja para que tanto o sacerdote abusador como o bispo acobertador percam seus ministérios.

Reconheceu que com o Papa Francisco houve um avanço na matéria porque ele usa uma “linguagem forte”, fala de “um sistema e de uma cultura do abuso”, mas “lhe faltam ações” para que uma política séria de “tolerância zero” se torne uma realidade.

Mais adiante, aceitou que para a sociedade ainda é difícil abordar o tema dos abusos sexuais contra menores, porque se trata de “atos horrorosos”, mas considerou que a opinião pública mundial entende que este é um problema global da Igreja e “em Roma está o centro”.

Inclusive, considerou “muito provável” que em um futuro não muito distante alguns bispos podem acabar na prisão porque, argumentou, “eles fazem parte do sistema” e para falar de acobertamento sistemático devem existir responsáveis por isso: sacerdotes, vigários gerais, bispos, arcebispos e cardeais.

“Queremos chamar a atenção dos bispos e especialistas que chegam aqui em Roma de diversas partes do mundo para discutir a juventude e sua vocação. Queremos lhes recordar que quando se fala de vocação, também é necessário pensar nos seminários”, apontou.

“Sabemos que em muitos casos no Chile, no México e nos Estados Unidos existiram ataques sexuais a jovens dentro dos seminários. O abuso, a violência sexual, é um tema chave, no centro da Igreja e de suas instituições”, acrescentou.

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