Jovens delegados vão a Roma em preparação para o Sínodo dos Bispos

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19 Março 2018

Aproximadamente 300 jovens do mundo inteiro estarão no Vaticano no final deste mês para um congresso que irá preparar o caminho para a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro, sobre a juventude nos dias de hoje.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 15-03-2018. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Vários dos delegados do encontro a acontecer entre os dias 19 e 24 de março dizem que querem discutir especificamente o porquê de tantos jovens criados em lares católicos decidem deixar a Igreja na medida em que crescem.

“Quero realmente discutir como podemos consertar este problema de tantas pessoas de minha geração que deixam a Igreja”, disse Katie Prejean-McGrady, uma das delegadas dos EUA, em entrevista.

“Como Igreja, realmente precisamos ver como colocar estes jovens da geração millennial de volta à Igreja, pois a nossa geração é tão influente em outros lugares”, disse Prejean-McGrady, ex-professora de uma escola católica.

O encontro de março está organizado em vista do Sínodo dos Bispos a acontecer entre os dias 3 e 28 de outubro deste ano, que tem como tema “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

Em entrevista em fevereiro, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, que responde pela secretaria do Sínodo dos Bispos, disse que esse evento preliminar deverá ajudar os bispos a direcionar as suas apresentações no Sínodo de outubro. Falou que o congresso ajudará os prelados a aprender a falar “com” os jovens ao invés de falar “sobre” eles.

Prejean-McGrady, de Louisiana, é um dos três delegados escolhidos pelos bispos dos EUA para o evento em março. Um outro é o irmão lassalista Javier Hansen, professor de religião na Cathedral High School, em El Paso, no Texas.

Hansen falou em entrevista também que, para se preparar para o evento, está lendo o relatório produzido pelo Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado, da Universidade de Georgetown, sobre o porquê os jovens dos EUA têm deixado a Igreja. Intitulado “Going, Going, Gone: The Dynamics of Disaffiliation in Young Catholics” [Indo…: a dinâmica da desfiliação dos jovens católicos], o relatório indica que 74% dos ex-jovens católicos dizem ter deixado a religião entre as idades de 10 e 20 anos.

Hansen, natural da Califórnia, falou que a Igreja precisa “estender a mão aos jovens (...) a fim de descobrir o porquê estão saindo da Igreja, para termos uma ideia de onde estamos enquanto Igreja”.

Hansen disse também que a ideia que gostaria de levantar no encontro deste mês é que as dioceses católicas ao redor do mundo adotem a prática de criar estruturas semelhantes a conselhos pastorais especificamente para os jovens com o intuito de ouvi-los diretamente.

Alina Oehler, jovem teóloga alemã que participará do evento em março como delegada do grupo Voices of Faith, disse querer falar especificamente sobre o papel da mulher na Igreja.

Em entrevista no dia 7 deste mês, Oehler afirmou que muitos dos seus amigos na Alemanha questionam a sua escolha de ser católica, pois não enxergam a Igreja como uma instituição que promova os direitos das mulheres.

“Espero que discutamos também a questão do papel da mulher na Igreja porque esse é um dos tópicos que quero destacar”, falou.

“Muitíssimas mulheres não entendem como posso fazer parte deste clube, porque quando pensam na Igreja Católica, só lhes vêm à mente homens”, disse. “Elas pensam em bispos, no papa. Não há a imagem de uma mulher poderosa na Igreja”.

E acrescentou: “De fato, espero que o Espírito Santo nos guie em nossas discussões para esse ponto”.

Em entrevista no dia 16 de fevereiro, Baldisseri explicou que o encontro pré-Sínodo começará no dia 19 de março com uma sessão onde os jovens irão se encontrar com o Papa Francisco e poderão fazer algumas perguntas.

Os participantes então serão divididos em grupos a partir dos idiomas que falam, onde discutirão tópicos específicos visando produzir um documento final a partir do encontro. Esse documento final será entregue a Francisco em 25 de março e ajudará a formar o documento de trabalho inicial do Sínodo dos Bispos, conhecido em latim como “instrumentum laboris”.

“O próximo Sínodo dos Bispos quer ser, na realidade, não apenas um sínodo ‘sobre’ os jovens, mas ‘pelos’ jovens, e também não um sínodo ‘dos’ jovens, mas ‘com’ os jovens”, disse Baldisseri.

O sistema dos sínodos foi primeiramente criado pelo Papa Paulo VI depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), como uma maneira de manter viva a atmosfera de debate entre os prelados havida no Concílio.

Francisco já realizou dois sínodos durante o seu papado, em 2014 e 2015. Ambos focaram temas relacionados à vida em família e resultaram na exortação apostólica Amoris Laetitia (“A Alegria do Evangelho”) em 2016.

A secretaria do Sínodo dos Bispos começou a se preparar para o evento de 2018 ainda no ano passado, lançando uma sondagem online que perguntava aos jovens sobre suas vidas e os desafios que enfrentam. Baldisseri falou também em entrevista que a secretaria recebeu cerca de 221 mil respostas à pesquisa, com aproximadamente 100.500 jovens respondendo-a completamente.

O cardeal repassou alguns dados sobre os respondentes da pesquisa:

• 58% são mulheres;
• Aproximadamente 50% tinham idade entre 16 e 19 anos;
• 56,4% são europeus;
• 19,8% são sul-americanos;
• 19,1% são africanos;
• 73,9% se identificaram como católicos praticantes.

A maioria dos jovens que virão para o encontro no fim deste mês foram escolhidos pelas conferências episcopais nacionais, que estão enviando os sus delegados. A secretaria do Sínodo também convidou alguns seminaristas, membros jovens de movimentos eclesiais e alunos de faculdades e universidades católicas.

Baldisseri disse que também foram convidados professores, padres e agentes paroquiais para que o congresso possa “também ouvir os que vivem próximo dos jovens e que possam ser instrumentos para melhor compreender a situação deles”.

A secretaria preparou para os participantes uma “traccia di lavoro” (proposta de trabalho) que os seis grupos linguísticos usarão para orientar as discussões. A proposta possui três partes e cada uma delas tem cinco perguntas para ajudar a começar as discussões.

Durante a viagem que fez ao Chile em janeiro, Francisco declarou que quis que o Sínodo dos Bispos fosse sobre os jovens porque a Igreja precisa aprender a ser “profundamente desafiada por seus filhos e filhas”.

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