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04 Outubro 2018

"A Igreja precisa desenvolver uma maneira de se relacionar com os jovens e lhes transmitir fé, principalmente para aqueles que vivem no ocidente, onde há uma grande parcela totalmente alienada e que desconfia das instituições religiosas", escreve John L. Allen Jr., jornalista, em artigo publicado por Crux, 03-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o artigo.

Hoje, quarta-feira (03/10), acontece a abertura do terceiro Sínodo dos Bispos com o tema “os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional”. Apesar do assunto aparentemente não ter muita importância, é um dos mais relevantes durante o papado de Francisco.

Os bispos irão se reunir em meio a maior crise da Igreja desde a Reforma Protestante envolvendo escândalos de abuso sexual por parte do clero.

Fundado após o Concílio Vaticano II, pelo Papa Paulo VI, que será canonizado durante este encontro, no dia 14 de outubro, o Sínodo dos Bispos reúne um grupo composto por diversas partes do mundo, deixando para o Papa decidir o que fazer com suas deliberações.

Os dois primeiros sínodos durante a era Francisco desencadearam transtornos dentro da Igreja, com tensões sobre a questão de permitir o acesso à Comunhão para os católicos que se divorciam e que depois se casam novamente.

Esses sínodos culminaram em Amoris Laetitia, o documento de 2016 do Papa sobre a família, que provocou um grande debate entre os membros da Igreja.

Desta vez, no entanto, as tempestades que cercam o sínodo não são apenas internas - embora elas definitivamente se configurem assim -, mas também externas, que significa o relacionamento da Igreja com o resto do mundo.

Essa crise de abusos prejudicou gravemente a credibilidade moral da Igreja, tornando difícil de se falar sobre qualquer assunto com o qual a Igreja se preocupa e pôs em questão a posição e a integridade pessoal dos líderes da Igreja em todos os níveis. Há muita raiva e desilusão entre os católicos.

No período que antecedeu o sínodo, alguns prelados pediram ao Papa Francisco que cancelasse ou adiasse o evento, e em vez disso, tratasse diretamente das questões levantadas pela crise dos abusos. O arcebispo Charles Chaput, da Filadélfia, sugeriu que Francisco começasse os preparativos para um sínodo sobre a vida dos bispos.

No entanto, não importa muito qual o assunto a ser debatido. Os bispos vão querer falar sobre isso. Seja no sínodo ou durante os intervalos do café, é exatamente isso que eles vão fazer.

Além disso, não importa se os bispos querem realmente encarar esses fatos, porque eles não são os únicos participantes. Há também 36 jovens “auditores”, ou seja, participantes sem direito a voto. Alguns deles querem esclarecimentos sobre eventos recentes - talvez não tanto sobre a acusação Viganò, mas sim sobre a crise que cerca a Igreja.

Esse não será o único tópico da conversa. A Igreja precisa desenvolver uma maneira de se relacionar com os jovens e os transmitir fé, principalmente para aqueles que vivem no ocidente, onde há uma grande parcela totalmente alienada e que desconfia das instituições religiosas.

Mais ainda, esta é a primeira vez que uma cúpula de bispos é convocada depois de um Papa ser acusado de abuso de poder por um de seus ex-assessores. O arcebispo italiano Carlo Maria Viganò, ex-núncio papal, afirma que Francisco ignorou um alerta de 2013 sobre as preocupações de má conduta em torno do ex-cardeal Theodore McCarrick.

Nestas circunstâncias, os bispos que estarão reunidos em Roma durante o mês de outubro irão sentir uma enorme pressão para enfrentar tais realidades. Estarão presentes os sobreviventes, defensores, especialistas em proteção à criança, reformadores da Igreja e católicos aterrorizados com os escândalos.

Em uma coletiva de imprensa no Vaticano nesta segunda-feira, perguntei ao cardeal italiano Lorenzo Baldisseri, que coordena o sínodo em nome do Papa Francisco, se está preocupado com o fato de que as consequências dos escândalos de abuso possam soar negativas para essa reunião. Sua resposta foi de que ele não vê a crise atual como um "impedimento" e sim uma "oportunidade", significando uma chance de mostrar ao mundo uma Igreja que está lutando honestamente para acertar as coisas.

Isso explica por que este sínodo é um exercício de alto risco para Francisco - e apenas para ele.

Para ser claro, este não é um sínodo sobre a crise dos abusos. Muita coisa pode acontecer até fevereiro, data em que Francisco convocou presidentes das conferências episcopais de todo o mundo para uma cúpula de três dias sobre proteção infantil, em Roma.

No entanto, devemos acreditar que os prelados irão saber lidar com a raiva e a angústia que o povo está sentindo, tudo isso diante do Papa Francisco.

O questionamento que fica é o que o pontífice vai fazer a respeito. Aguardar os resultados de uma futura reunião em fevereiro, por si só, não será suficiente.

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