O Sínodo de Bergoglio sob o signo de Paulo VI. Artigo de Massimo Faggioli

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19 Outubro 2014

A beatificação de Paulo VI no próximo domingo é um ato que diz muito sobre a direção na qual Bergoglio quer levar o catolicismo mundial.

A opinião é do historiador italiano Massimo Faggioli, professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minnesota, nos EUA. O artigo foi publicado no jornal Europa, 16-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

No próximo domingo, 19 de outubro, o Papa Francisco beatificará Paulo VI, e, no contexto da Igreja Católica de 2014, esse é um ato que diz muito sobre a direção na qual Bergoglio quer levar o catolicismo mundial.

É um retorno a algumas linhas de Papa Montini, o papa que tomou nas mãos o Concílio em 1963 e o levou à conclusão em 1965 e à sua implementação, e significa uma retomada de trajetórias que tinham sido parcialmente interrompidas durante os 35 anos dos pontificados de Karol Wojtyla e Joseph Ratzinger.

O primeiro sinal evidente dessa retomada de Montini pelo Papa Francisco é o Sínodo dos bispos. Instituído em 1965 para acolher (mas também para frear) as demandas colegiais provenientes do Concílio, os sínodos de Paulo VI foram uma experiência muito mais frutuosa do que as do Papa João Paulo II e do Papa Bento XVI.

O Sínodo de 1974 sobre a Evangelização é um dos pontos de referência de Bergoglio, como se lê na exortação Evangelii gaudium publicada em novembro passado, mas não só.

O Papa Francisco reabilitou o Sínodo criado por Paulo VI, fazendo dele um momento de debate colegial verdadeiro entre os bispos reunidos em Roma, mas também um momento de debate em toda a Igreja: talvez menos do que o "Sínodo permanente" exigido por alguns bispos no Concílio, mas certamente mais do que os Sínodos celebrados sob os dois pontificados anteriores.

Um segundo indício de um certo "montinismo" de Bergoglio é a visão do papel do papa: um bispo de Roma que reforma (a verdadeira reforma pós-conciliar da Cúria Romana é de 1967, não a de 1988) e que move a agenda da recepção do Concílio e da atualização da Igreja: a partir de Roma, mas com crescentes responsabilidades dos bispos e das Conferências Episcopais nacionais.

O esquecimento em que Montini tinha caído nos últimos anos derivava da hostilidade tanto dos radicais quanto dos conservadores a uma visão de Igreja reformadora e reformista. Paulo VI, "príncipe reformador" (definição de Andrea Riccardi), é odiado pelos radicais como príncipe e pelos conservadores como reformador. Francisco, cuja carreira eclesiástica antes do pontificado é excepcional e radicalmente diferente da de Paulo VI, tem uma visão semelhante.

O terceiro elemento que une Paulo VI e o Papa Francisco é uma visão de Igreja, ou seja, uma eclesiologia profundamente conciliar: a dos documentos do Vaticano II, Lumen gentium (a Igreja como comunhão) e Gaudium et spes (a Igreja no mundo moderno) e da sua encíclica programática Ecclesiam suam de 1964 (o diálogo como palavra-chave para a Igreja no mundo contemporâneo).

É uma eclesiologia que desconfia dos integralismos (tanto teológicos quanto ideológicos e políticos) e que vê na mediação (tanto na teologia quanto na política) a condição necessária para a vitalidade do cristianismo no mundo pluralista.

A mediação significa adaptação, mas também inculturação e despojamento de culturas católicas que são autotróficas apenas para aqueles que querem se iludir.

Quarto ponto, a Humanae vitae. Muitos bispos reunidos no Sínodo pensam que é necessário repropor e redescobrir a encíclica sobre a contracepção Humanae vitae de Paulo VI, publicada no fatal 1968. Essa encíclica representou a primeira grave interrupção do diálogo entre Igreja e cultura moderna no pós-Concílio, seja por método, seja por mérito daquele ensinamento: o Papa Francisco está claramente consciente disso.

Enquadrar essa encíclica dentro da eclesiologia conciliar e de uma relação de amizade entre Igreja e mundo é o único modo não tanto para recuperar a figura de Paulo VI, mas especialmente para "retomar a palavra" (para usar outro jesuíta de 1968, Michel de Certeau) sobre amor, matrimônio e vida humana de uma maneira não ideológica.

É possível aceitar o que a Humanae vitae diz sobre amor, matrimônio e procriação e, ao mesmo tempo, usar responsavelmente e em consciência os contraceptivos em uma vida de casal. A história moral da Igreja pós-conciliar também é feita desses casais de católicos. Francisco é aquele que encontrou esses casais mais do que todos os outros papas.

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