Francisco convoca presidentes das conferências episcopais de todo o mundo para um encontro sobre os abusos do clero

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13 Setembro 2018

O papa Francisco convocou todos os presidentes das várias conferências de bispos católicos do mundo a Roma para uma reunião em fevereiro sobre o abuso sexual do clero, na primeira convocação global dessa dimensão feita por um pontífice.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 12-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Paloma García Ovejero, vice-diretora da assessoria de imprensa do Vaticano, anunciou a decisão no dia 12 de setembro, dizendo que o pontífice decidiu tomar uma atitude durante uma reunião de seu Conselho de Cardeais e já definiu que a data para o encontro será de 21 a 24 de fevereiro.

"O Santo Padre, ouvindo do Conselho de Cardeais, decidiu convocar uma reunião com os presidentes das conferências episcopais da Igreja Católica sobre o tema da 'proteção de menores'", disse Garcia. "O encontro com o papa acontecerá no Vaticano."

O anúncio da primeira reunião desse tipo, vem em meio ao intenso escrutínio global que Francisco vem sofrendo pelo modo como está lidando com os abusos sexuais do clero depois que o ex-embaixador do Vaticano, Dom Carlo Viganò, divulgou um documento no dia 26 de agosto alegando encobrimento sistêmico sobre as alegações contra o cardeal Theodore McCarrick.

Em suas únicas observações especificamente sobre o assunto até hoje, o papa disse que o documento de Viganò "fala por si mesmo". O texto contém uma série de alegações ideológicas e sem embasamento. Também foi revelado que ele foi redigido com a ajuda de várias figuras católicas ultra-direitistas.

Francisco também deve se reunir em 13 de setembro com o presidente e vice-presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos em um tipo de encontro não visto desde abril de 2002, quando oito cardeais americanos foram convocados a Roma para discutir com o Papa João Paulo II sobre revelações de abusos sexuais.

O presidente da Conferência americana, cardeal de Galveston-Houston Daniel DiNardo, e o vice e arcebispo de Los Angeles, Jose Gomez, estarão reunidos com o Papa Francisco e o cardeal de Boston Sean O'Malley, membro do Conselho dos Cardeais e chefe da comissão consultiva de Francisco sobre abusos do clero.

Embora o papa se reúna frequentemente com grupos de bispos de países específicos, um pontífice nunca convocou todos os presidentes das conferências episcopais do mundo para Roma.

A situação é tão sem precedentes que, quando perguntado durante sessão de instruções sobre quantas conferências nacionais de bispos existem em todo o mundo, o porta-voz García não teve uma resposta imediata.

O cardeal de Chicago, Blase Cupich, disse que a convocação de Francisco é de "extrema importância" e "indica mais uma vez que o papa leva a sério o abuso sexual cometido pelo clero como uma das maiores prioridades na Igreja global".

"O papa Francisco demonstrou essa determinação repetidas vezes através de uma série de ações concretas, incluindo a remoção de bispos e cardeais, visitas frequentes a sobreviventes de vítimas e a admissão de seus próprios erros", disse Cupich. "Somos abençoados por ter a liderança do Santo Padre."

Um rápido levantamento dos dados disponíveis indica que há pelo menos 114 conferências nacionais de bispos na igreja ocidental e 21 sínodos, conselhos e assembleias de Igrejas católicas de rito oriental.

A comparação mais próxima da próxima cúpula parece ser um Sínodo dos Bispos, quando bispos católicos de todo o mundo vêm a Roma para discussões sobre um tema definido. Mas ao lado de presidentes de conferências episcopais, os Sínodos também envolvem uma série de outros prelados e autoridades do Vaticano, e eles normalmente são anunciados com pelo menos um ano de antecedência.

Massimo Faggioli, professor de teologia na Universidade de Villanova, disse que o chamado de Francisco aos presidentes das conferências a Roma foi uma "mudança de rumo" da maneira como seus predecessores João Paulo II e Bento XVI levavam em consideração as entidades nacionais.

Sob os pontífices anteriores, disse Faggioli, havia "mais ênfase na autoridade individual do bispo e menos sobre as conferências".

"A crise dos abusos mudou isso", disse o teólogo. "Esse reequilíbrio é um dos efeitos da crise dos abusos na eclesiologia católica".

McCarrick, ex-arcebispo de Washington, renunciou ao seu lugar no Colégio Cardinalício em julho, após a revelação de que ele abusou ou assediou sexualmente vários jovens durante sua ascensão até se tornar um dos prelados mais antigos da Igreja dos EUA.

O ex-embaixador do Vaticano, Viganò, afirmou em seu documento de 26 de agosto que ele, pessoalmente, advertiu Francisco sobre McCarrick em 2013, mas não ofereceu nenhuma comprovação de que esta alegação teria sido feita ao Papa.

Em 10 de setembro, o Conselho dos Cardeais disse que o Vaticano está "formulando possíveis e necessários esclarecimentos" à carta de Viganò. O grupo de nove membros, criado por Francisco em 2013 para assessorá-lo na reforma da cúria do Vaticano, também disse que pediu ao pontífice que refletisse sobre seu próprio "trabalho, estrutura e composição".

Esse pedido levou à especulação de que poderia haver uma reformulação dos membros do conselho, que atualmente inclui dois prelados sob investigação: o australiano George Pell, em julgamento em seu país natal por alegações de abuso sexual no passado, e o chileno Francisco Errázuriz Ossa, acusado de encobrir padres abusivos quando era arcebispo de Santiago.

Nem Pell nem Errazuriz participaram da reunião desta semana do Conselho dos Cardeais.

Perguntado se as mudanças no conselho devem ser esperadas antes de sua próxima reunião, a ser realizada de 10 a 12 de dezembro, García respondeu: "Vamos ver".

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