Abusos sexuais, o cardeal Pell será processado

Foto: Mazur/catholicchurch/ Flickr

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02 Mai 2018

O Cardeal Prefeito afastado da Secretaria de Economia do Vaticano será processado por acusação de ter abusado sexualmente de várias vítimas alguns anos atrás. O cardeal George Pell, 76 anos, será julgado na Austrália. Esta decisão foi tomada nesta terça-feira, 01 de maio de 2018, pelo tribunal Melbourne.

A informação é de Domenico Agasso Jr, publicada por Vatican Insider, 01-05-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

A magistrada Belinda Wallington rejeitou algumas das acusações que haviam sido apresentadas durante a audiência preliminar quatro semanas atrás, em Melbourne, mas decidiu que ainda existem elementos suficientemente fortes para justificar um julgamento perante um júri. Quando perguntou ao cardeal como ele se declarava, o Cardinal, ex-arcebispo de Sydney e Melbourne, membro do Conselho dos Cardeais do papa Francisco (C9), portanto uma das figuras mais importantes da Cúria Romana, levantou-se e declarou com voz firme: "Não culpado".

Pell está sendo acusado de abuso sexual contra menores que ocorreram entre o final dos anos 1970 e 80 em Ballarat, sua cidade natal, e entre o final dos anos 1990 e início de 2000 na diocese de Melbourne, onde era arcebispo.

Os detalhes das diferentes acusações não são conhecidos, mas, além daquelas que o veem diretamente envolvido haveria casos de encobrimento de outros padres pedófilos e até mesmo um estupro. Ele será processado por alguns casos de abuso, mas a maioria das acusações, especialmente as mais graves, foi rejeitada.

Pell chegou ao tribunal na manhã da terça-feira em torno das 09h30 hora local para a decisão sobre a realização do processo escoltado pela polícia e foi embora após o veredicto entre os gritos de alguns manifestantes. O inquérito que conduziu Pell ao tribunal começou em 2012, depois de 10 anos de pressão por parte das supostas vítimas.

Mas o cardeal australiano George Pell, enquanto era prefeito da Secretaria do Vaticano da Economia, indiciado na Austrália por graves delitos sexuais, havia negado as acusações, e, com o consentimento do Papa Francisco, pediu uma licença de seu cargo Vaticano para poder ficar na Austrália e defender-se no tribunal. Isso foi em junho do ano passado.

Naquela ocasião, o cardeal disse: "Esses assuntos estão sendo investigados há dois anos, tem havido vazamentos para a mídia, tem acontecido uma difamação implacável. Eu espero pelo dia em que vou poder me defender diante da corte. Sou inocente, as acusações são falsas, e considero a própria ideia de abuso sexual um crime horrível."

Pell relatou que tem mantido "regularmente informado o Santo Padre nestes longos meses e em numerosas ocasiões nós conversamos sobre a possibilidade de que eu peça um período de licença para me defender. Por isso sou muito grato ao Santo Padre por me dar a licença para voltar para a Austrália. Falei com meus advogados para me inteirar sobre os prazos do meu retorno e consultei meus médicos para ver qual é a melhor maneira de fazer isso. Eu sempre fui completamente coerente e claro em minha rejeição total a acusações. As notícias dessas alegações reforçam minha determinação e os procedimentos do tribunal agora me oferecem a oportunidade de defender o meu nome e voltar ao meu trabalho em Roma".

O diretor da Sala de Imprensa do Vaticano havia explicado na ocasião: “de agora em diante, o cardeal não vai estar presente em eventos litúrgicos públicos."

Ao ser informado do envio a julgamento, o diretor da Sala de imprensa do Vaticano declarou "A Santa Sé toma ato da decisão emitida pela autoridade judiciária na Austrália sobre Sua Eminência o Cardeal George Pell. No ano passado o Santo Padre havia lhe concedido um período de licença para poder se defender das acusações que lhe eram imputadas. Tal disposição continua válida.”

Pell reitera a sua inocência em uma nota publicada no site da Diocese de Sydney, em que se lembra que o cardeal "sempre cooperou com a polícia de Victoria e tem consistentemente reafirmado a sua inocência. Ele retornou voluntariamente para a Austrália para se defender contra essas acusações. Ele vai defender das acusações restantes” depois de terem sido reduzidas à metade – consta na nota - durante a investigação.

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