Cardeal Pell encara tribunal australiano por abuso sexual

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06 Março 2018

As supostas vítimas da maior autoridade vaticana já acusado na crise de abusos sexuais da Igreja Católica começou a depor diante de um tribunal australiano nesta segunda-feira.

O cardeal australiano George Pell vestiu o seu colarinho clerical para o primeiro dia de audiência no Tribunal dos Magistrados de Melbourne que vai determinar se os procuradores têm evidências suficientes para processá-lo. Estas audiências de instrução deverão se estender por um mês.

A informação é publicada por Crux, 05-03-2018. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O ex-chefe das finanças no atual papado foi acusado em junho passado de abusar sexualmente várias pessoas em seu estado natal australiano de Victoria. Os detalhes das acusações contra o cardeal não foram divulgados ao público ainda, embora a polícia as tenha descrito como delitos sexuaishistóricos” – ou seja, crimes que teriam ocorridos décadas atrás.

O depoimento de segunda-feira das supostas vítimas não foi publicado e o tribunal esteve fechado para o público e a imprensa.

O depoimento das vítimas, que deverá durar duas semanas, durou duas horas antes que a corte encerrasse os trabalhos até a manhã de terça-feira.

Mais cedo, o promotor Mark Gibson dissera à juíza Belinda Wallington que a acusação apresentaria suas evidências por teleconferência.

Wallington permitiu que um dos acusadores esteja acompanhado do que Gibson chamou de um “cão de apoio” enquanto estiver prestando depoimento.

O advogado de defesa Robert Richter questionou se o cão se fazia necessário, dizendo: “Sempre achei que os cães eram para as crianças e pessoas muito idosas”.

Wallington respondeu: “Não. Eles também servem para as pessoas vulneráveis e traumatizadas”.

Pell ficou entre um agente de polícia e o advogado de defesa Paul Galbally enquanto caminhava por entre membros da imprensa e em direção à porta com detectores de metais do tribunal. Fez silêncio enquanto entrou, tendo somente dito a um guarda que não fazia objeção para com os procedimentos de segurança.

Outros guardas de segurança garantiram que o público mantivesse distância do clérigo de 76 anos enquanto aguardava na sala de entrada do tribunal na segunda maior cidade da Austrália, onde certa vez serviu como arcebispo.

Richter disse que a polícia tinha em mãos 21 declarações de testemunhas fornecidas pela defesa e que eram favoráveis ao cardeal.

“Estes documentos certamente são relevantes para os supostos crimes”, disse Richter. “Sei que eles não ajudam os procuradores porque são desculpabilizam o cardeal”.

O presente caso coloca tanto o cardeal quanto o papa num território potencialmente perigoso. Para Pell, as acusações são uma ameaça à sua liberdade, reputação e carreira. Papa o Papa Francisco, elas são uma ameaça à sua credibilidade, desde que ficou famosa a sua política de “tolerância zero” em casos de abuso sexual na Igreja. Mas, antes de tudo, os apoiadores das vítimas há muito criticam a decisão de Francisco de nomear Pell para o alto cargo que ocupa no Vaticano.

Quando foi promovido em 2014, Pell já encarava as acusações de que teria errado no tratamento a casos de abuso clerical em seu período de arcebispo em Melbourne e, depois, em Sydney.

Os advogados de Pell disseram ao tribunal que o cardeal pretende declarar formalmente que não é culpado caso seja dado ordenado encarar um processo.

Uma das acusações foi retirada semana passada porque o acusador morreu recentemente.

Pell permaneceu em silêncio em todos os 25 minutos de audiência na manhã que começou com Gibson apresentando a programação para as próximas semanas.

Richter disse a Wallington que os procuradores “têm uma objeção a que a pessoa de apoio seja um padre, embora eu não saiba o porquê”.

Mas Gibson respondeu: “Não é bem isso”.

No mês passado, os advogados de Pell contaram ao tribunal que as acusações eram uma decorrência da publicidade dada em torno de uma investigação nacional sobre abusos sexuais infantis iniciada há alguns anos.

A advogada Ruth Shann disse que a primeira pessoa a acusar foi à polícia em 2015, 40 anos depois dos supostos crimes, em resposta a reportagens na imprensa sobre os trabalhos da Comissão Real para Respostas Institucionais para Casos de Abuso Sexual, comissão australiana.

A mais antiga comissão real em atividade da Austrália (uma comissão real é a forma mais importante no país de investigação) investiga, desde 2012, como a Igreja Católica e outras instituições responderam a casos de pedofilia no país durante 90 anos. A investigação emitiu um relatório final em dezembro.

Pell depôs para a investigação em videoconferência direto do Vaticano em 2016 sobre a sua época de padre e bispo na Austrália. O religioso não esteve presente em pessoa por problemas médicos.

Shann falou que a primeira pessoa a acusar desencadeou uma série de eventos, com outros fazendo acusações contra Pell. Antes, ninguém havia acusado ninguém, disse Shann.

Depois de anos de supostos acobertamentos e silêncio por parte da Igreja sobre o seu escândalo de pedofilia, sobreviventes de abuso e apoiadores saudaram o processo contra Pell como uma mudança monumental na forma como a sociedade está respondendo à crise.

Até agora, Francisco disse que quer aguardar a justiça australiana em seu percurso, não tendo forçado a renúncia do cardeal. Em vez disso, concedeu-lhe uma licença. Pell disse que pretende continuar o trabalho como prefeito da secretaria para a economia da Igreja assim que o caso estiver resolvido.

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