Cardeal Pell diz que alegará inocência contra as acusações de pedofilia

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27 Julho 2017

O cardeal australiano George Pell apresentou-se diante de um tribunal em Melbourne na manhã desta quarta-feira, 26-07-2017, em um combate onde visa limpar o seu nome daquilo que a polícia descreve como queixas “múltiplas” de “infrações sexuais históricas”. Na breve audiência, o advogado de Pell falou que “sustentará a sua inocência”, com a próxima audiência sendo marcada para 6 de outubro.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 26-07-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

No primeiro passo daquela que poderá ser uma longa jornada, o cardeal australiano George Pell apresentou-se diante de um tribunal em Melbourne nesta quarta-feira, 26 de julho, pela parte da manhã para uma primeira audiência relacionada às acusações de abuso sexual e que definiu que o próximo ato acontecerá em 6 de outubro.

A audiência, iniciada às 10h, horário local, e que durou apenas seis minutos, procurava apenas definir quando os procuradores apresentarão as provas aos advogados de defesa e quando o acusado terá de se apresentar em juízo.

Pell não precisava alegar inocência, porém o seu advogado contou ao tribunal que o religioso irá desafiar as acusações.

“Para evitar dúvidas e por causa do interesse gerado, indicarei que o Cardeal Pell alega inocência contra todas as acusações e que mantenha manterá a inocência presumida que ele tem”, disse Robert Richter, advogado.

Pell não precisou dizer nada durante a audiência.

Embora os detalhes das acusações contra Pell não foram revelados, porta-vozes da polícia do estado australiano de Victoria, que compreende Melbourne, dizem que ele foi acusado de “infrações sexuais históricas” com base em “múltiplas queixas”.

Pell vem afirmando ser inocente desde o começo do caso.

“Sou inocente dessas acusações, elas são falsas. A ideia de abuso sexual é abominável para mim”, disse em coletiva de imprensa no dia em que fora acusado.

“As notícias destas acusações fortalecem minha determinação, e os processos judiciais agora me oferecem a oportunidade de limpar meu nome e depois voltar a Roma, para trabalhar. Estou ansioso para que chegue o dia de falar diante do tribunal”, falou.

Pell recebeu uma licença do Papa Francisco para se ausentar do cargo de prefeito da Secretaria para a Economia, do Vaticano. Em nota publicada na época, o Vaticano informou que o papa vê com pesar as acusações e elogiava a “honestidade e integridade” do cardeal, mas também defendeu o “respeito pelo sistema judiciário australiano”.

Hoje com 76 anos, Pell é original de Ballarat, cidade australiana do estado de Victoria, tendo trabalhado como padre na Arquidiocese de Melbourne durante as décadas de 1970 e 1980, antes de ser nomeado bispo auxiliar de Melbourne, em 1987, período de tempo a que as acusações se referem.

Mais tarde, em 1997, Pell virou arcebispo de Melbourne, e arcebispo de Sydney, em 2001. Em 2014, assumiu o posto de prefeito da Secretaria para a Economia, no Vaticano.

A sessão de quarta-feira era uma audiência, cujo objetivo foi estabelecer um cronograma para os próximos passos. Não envolveu nenhuma decisão do juiz, nem deliberou sobre se as acusações são suficientes, ou não, para dar sequência ao processo.

Diferentemente, esta decisão virá no que se conhece por “audiência preliminar”, momento em que um magistrado decide se o caso tem sequência para ir a julgamento.

Segundo a legislação australiana para crimes sexuais, uma "audiência preliminar" deve ocorrer dentro de três meses depois do início do processo criminal. Em algumas circunstâncias, no entanto, a data pode se estender caso o tribunal considere ser de interesse da justiça assim proceder.

Uma fonte conhecedora das leis locais contou ao Crux que 95% dos casos que chegam a uma "audiência preliminar" de instrução seguem adiante, porque “é preciso um magistrado muito corajoso” para reverter as recomendações da polícia e dos procuradores. Num caso politicamente sensível como este, com um grande interesse midiático, a fonte consultada disse que é ainda menos provável que as acusações sejam ignoradas.

Também em aberto está a questão de que, se o caso seguir adiante, haverá somente um processo ou o juiz decidirá que acusações diferentes precisam ser processadas individualmente. Se sim, não está claro se estes processos ocorrerão de modo sequencial ou simultâneo.

Se houver múltiplos processos a serem conduzidos sequencialmente, o quadro temporal para a finalização do caso poderá se estender em níveis significativos. Fontes informam que o melhor caso para Pell seria um processo que chegue à conclusão dentro de doze meses. Mas sabe-se que poderá levar mais tempo, talvez chegando a alguns anos ou mais.

Pell chegou à Austrália em meados de julho, e está hospedado em Sydney enquanto o processo jurídico se desenvolve, viajando para Melbourne quando necessário.

Philip Nagle, de Ballarat, sobrevivente de abuso cometido na década de 1970 por um membro da Congregação dos Irmãos Cristãos, Stephen Farrell, esteve em Melbourne para a audiência de quarta-feira, tendo prometido a outros sobreviventes que se faria presente, muito embora não tenha ligação alguma com as acusações contra Pell.

Nagle falou que queria ver um tratamento respeitoso dispensado aos acusadores e ao acusado. Falou que era importe saber que se tratava apenas de um caso jurídico. Disse ainda que não importava que a audiência tenha durado poucos minutos apenas.
“O importante é testemunhá-lo”, contou ao jornal The Australian. Nagle considerou este de “um grande dia”, um dia, segundo ele, que os sobreviventes “esperaram por muitos anos”.

A ativista australiana contra abusos sexuais clericais Chrissie Foster esteve na seção do tribunal onde a audiência ocorreu. Foster e duas filhas relataram abusos cometidos por um padre local. Uma delas quais cometeu suicídio mais tarde, e a outra foi atropelada por um motorista bêbado enquanto ela própria lutava contra o vício alcoólico.

Ao mesmo tempo, do lado de fora do prédio houve apoiadores de Pell. Uma mulher trouxe um cartaz que dizia: “Obrigado por ajudar a nossa família”, com uma pequena nota que acrescentava: “Não a um julgamento através da imprensa!”.

Desde que Pell foi intimado, ele poderia pedir para não se apresentar em pessoa e, em vez disso, mandar o seu advogado representá-lo. O religioso, porém, decidiu que queria estar presente. Nenhum arranjo especial foi feito para a sua apresentação em tribunal, apesar da alta importância que o caso tem.

Como registrado pelas equipes de televisão, um punhado de pessoas o aplaudiu enquanto Pell caminhava em direção ao tribunal.
Os repórteres e cinegrafistas começaram a chegar ao lado de fora do Tribunal dos Magistrados de Melbourne às 6h de quarta-feira, horário local, apesar da natureza rápida e proforma da audiência.

Leonie Sheedy, advogada das vítimas, mostrou-se preocupada com que a intensa cobertura dispensada pelos meios de comunicação possa desencadear memórias traumáticas nas vítimas.

Segundo ela, porque o caso é excepcional em termos de interesse público e internacional, ele tem o potencial de causar muito mais sofrimento do que outros casos parecidos.

“Pedimos às pessoas que se cuidem, evitando o noticiário e a cobertura da imprensa em geral, caso achem perturbador demais”, disse Sheedy na terça-feira.

Em junho, a polícia de Victoria disse que havia tomado a decisão de acusar Pell depois de receber uma assessoria por parte dos procuradores no começo do ano.

“O Cardeal Pell está enfrentando múltiplas acusações e existem múltiplas queixas”, disse no mês passado um dos investigadores.
Em nota divulgada início de julho, um porta-voz de Pell disse que “não irá comentar o caso, mas apenas dizer que é grato pelas numerosas mensagens de apoio que continua a receber”.

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