Vaticanista ultraconservador admite ter ajudado ex-núncio vaticano a escrever e divulgar seu panfleto

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29 Agosto 2018

O vaticanista ultraconservador Marco Tosatti revelou que ajudou Carlo Maria Viganò a redigir e a divulgar em meios afins sua brutal acusação contra o Papa Francisco, e que foi ele quem convenceu o ex-núncio a torná-lo pública após o escândalo da Pensilvânia.

A reportagem é de Religión Digital, 28-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em declarações à Associated Press, Tosatti explicou que ajudou Viganó a escrever, reescrever e editar seu testemunho de 11 páginas, observando que eles passaram três horas sentados ao redor de uma mesa de madeira na sala de estar do repórter no dia 22 de agosto passado.

Viganò, que ele conhecera antes, ligou para ele algumas semanas antes pedindo-lhe uma reunião, contou Tosatti, um promissor conservador crítico ao papa.

O prelado, então, contou-lhe as histórias que serviram de base para seu testemunho contra o pontífice. O documento de Viganò defende que o pontífice argentino sabia desde 2013 das acusações de abuso sexual que o ex-arcebispo de Washington, Theodore McCarrick, enfrentava, mas, apesar disso, reabilitou-o das sanções impostas pelo seu antecessor, Bento XVI.

Viganò pediu a renúncia de Francisco, pelo que qualificou como cumplicidade para encobrir os crimes do ex-cardeal McCarrick. No entanto, há ampla evidência de que o Vaticano fez o mesmo sob o comando de Bento XVI e de João Paulo II, e de que as sanções do papa anterior, caso tenham existido, nunca foram aplicadas, muito menos por Viganò.

O ex-núncio guarda silêncio desde a publicação de seu ataque contra o papa, e seu paradeiro é desconhecido. Assim, a reconstrução oferecida por Tosatti é a única versão sobre a elaboração do documento. Tosatti foi correspondente do jornal La Stampa durante anos, mas atualmente só escreve em blogs ultraconservadores.

Na conversa com a Associated Press, Tosatti afirma que, depois do seu primeiro encontro há algumas semanas, Viganò não estava preparado para tornar pública a sua denúncia. Mas o repórter o telefonou depois da publicação do relatório da Pensilvânia, que mostra como mais de 300 “predadores sexuais” abusaram de mais de mil menores nos últimos 70 anos.

Tosatti afirma ter dito ao arcebispo: “Eu acho que, se o senhor quer dizer algo, agora é o momento, porque tudo está de cabeça para baixo nos Estados Unidos. Ele disse: ‘Ok’”. Então, os dois se reuniram no apartamento de Tosatti em Roma. “Ele havia preparado uma espécie de rascunho do documento e se sentou aqui ao meu lado”, disse Tosatti à Associated Press atrás de sua escrivaninha, apontando para uma cadeira de madeira à sua direita.

“Eu lhe disse que tínhamos que trabalhar nele, porque não tinha estilo jornalístico.” Tosatti afirma ter convencido Viganò a eliminar as denúncias que não podiam ser sustentadas ou documentadas, “porque tinha que ser absolutamente irrefutável”.

Em seu escritório romano, ambos trabalharam durante três horas na redação da nota. Para Tosatti, Viganò teve muita dificuldade para tomar essa decisão. “Eles (os diplomatas da Santa Sé) são criados para morrer em silêncio”, enfatizou, “então o que ele estava fazendo era algo absolutamente contrário à sua natureza”.

Com o documento em mãos, o veterano jornalista procurou publicações dispostas a publicá-lo na íntegra: o pequeno jornal italiano La Verità, o National Catholic Register, que é editado em inglês, e, em espanhol, o InfoVaticana, todos meios de comunicação ultraconservadores que, como o próprio Tosatti, fizeram da crítica a Francisco o seu leitmotif e que decidiram publicar a carta durante a viagem do papa à Irlanda, para que o impacto da “bomba” se multiplicasse.

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