Wuerl nega ter sido informado sobre restrições vaticanas a McCarrick

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27 Agosto 2018

O cardeal Donald Wuerl, de Washington, negou a afirmação de que ele havia sido informado sobre as restrições aparentemente aplicadas pelo Vaticano contra seu antecessor, o arcebispo Theodore McCarrick.

A reportagem é de J. D. Flynn, publicada em Catholic New Agency, 25-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“O cardeal Wuerl não recebeu documentação ou informação da Santa Sé específica sobre o comportamento do cardeal McCarrick ou sobre qualquer proibição sobre a sua vida e ministério, como sugerido pelo arcebispo Viganò”, disse o porta-voz do cardeal, Ed McFadden.

No dia 25 de agosto, o arcebispo Carlo Viganò, núncio apostólico nos Estados Unidos de 2011 a 2016, divulgou um “testemunho”, alegando que, em 2009 ou 2010, depois de receber denúncias de má conduta sexual por parte de McCarrick, o Papa Bento XVI ordenou que “o cardeal deixasse o seminário onde morava, proibia-o de celebrar [a missa] em público, de participar de reuniões públicas, de proferir conferências, de viajar, com a obrigação de se dedicar a uma vida de oração e de penitência”.

Viganò escreveu que era “absolutamente impensável” que o arcebispo Pietro Sambi, núncio na época em que as restrições foram impostas, não tivesse informado Wuerl sobre as restrições impostas a McCarrick, que, segundo fontes, estava vivendo na época no Seminário Redemptoris Mater, em Washington.

“Eu mesmo trouxe o assunto à tona com o cardeal Wuerl em várias ocasiões, e certamente não precisei entrar em detalhes, porque ficou imediatamente claro para mim que ele estava plenamente ciente disso”, acrescentou Viganò. O arcebispo mencionou uma interação específica, na qual ele levantou com Wuerl o tema de um anúncio promocional de vocações convidando jovens a se encontrarem com McCarrick. Wuerl, disse ele, imediatamente afirmou que cancelaria o anúncio.

Wuerl não questiona o fato de ter discutido com o arcebispo sobre uma promoção vocacional. No entanto, de acordo com McFadden, “o arcebispo Viganò presumiu que Wuerl tinha informações específicas, que Wuerl não tinha”.

Embora se afirme que McCarrick teria saído do Seminário Redemptoris Mater, McFadden disse que “o cardeal Wuerl nega categoricamente que tenha recebido qualquer informação sobre as razões da saída do cardeal McCarrick do Seminário Redemptoris”.

Uma fonte próxima do cardeal disse à CNA que Wuerl tinha a impressão de que alguns problemas surgiram quando McCarrick deixou o seminário, mas nem McCarrick nem o núncio apostólico conversaram com ele sobre o assunto.

Viganò ofereceu um relato diferente: “O cardeal Wuerl, bem ciente dos contínuos abusos cometidos pelo cardeal McCarrick e das sanções que lhe foram impostas pelo Papa Bento XVI, transgredindo a ordem do papa, também permitiu que ele residisse em um seminário em Washington. Assim, colocou em risco outros seminaristas”.

McCarrick foi removido do ministério no dia 20 de junho, depois que a Arquidiocese de Nova York considerou credível a denúncia de que ele tinha abusado sexualmente, várias vezes, um adolescente nos anos 1970. Desde então, denúncias foram feitas de que McCarrick abusou sexualmente e em série pelo menos mais um adolescente, e que havia coagido e molestado sexualmente jovens padres e seminaristas durante suas décadas de ministério sacerdotal e episcopal. Em 28 de julho, a renúncia de McCarrick do Colégio Cardinalício foi aceita, e ele aguarda um julgamento no Vaticano.

Uma fonte próxima ao caso McCarrick disse à CNA que, quando Wuerl foi informado de que McCarrick estava sendo investigado por uma denúncia de abuso sexual, ele pediu que McCarrick se retirasse do ministério público, e McCarrick se recusou. A fonte disse que Wuerl não foi autorizada pela lei canônica a proibir McCarrick de exercer o ministério na Arquidiocese de Washington, e que McCarrick também recusou pedidos de outras lideranças da Igreja de evitar viajar ou ministrar em suas dioceses.

O “testemunho” do arcebispo Viganò disse que as “recentes declarações de Wuerl de que ele não sabia nada sobre isso, mesmo que a princípio ele astuciosamente se referisse à compensação pelas duas vítimas, são absolutamente risíveis. O cardeal mente despudoradamente”.

A carta de Viganò diz que McCarrick exerceu influência sobre figuras vaticanas durante décadas, dizendo que o arcebispo tinha uma influência particular sobre o Papa Francisco. Ele disse que McCarrick influenciou várias das recentes nomeações episcopais do papa, entre elas a nomeação de 2014 do cardeal Blase Cupich para a Arquidiocese de Chicago e a nomeação de 2016 do cardeal Joseph Tobin para a Arquidiocese de Newark.

A carta do arcebispo diz que “o Papa Francisco deve ser o primeiro a dar um bom exemplo aos cardeais e bispos que encobriram os abusos de McCarrick e renunciar junto com todos eles”.

O Vaticano ainda não respondeu ao testemunho de Viganò.

Nota de IHU On-Line: Na viagem de retorno de Dublin, o Papa Francisco se referiu ao testemunho de Viganò, afirmando:

"Li na manhã de hoje esse comunicado de Viganò. Digo sinceramente isto: leiam-no atentamente e tirem suas conclusões pessoais. Não direi nenhuma palavra sobre isto. Creio que o documento fala por si mesmo. Vocês têm a capacidade jornalística suficiente, com sua maturidade profissional, para tirar suas conclusões".

A integra da entrevista do Papa Francisco pode ser vista, em italiano, aqui.

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