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19 Junho 2018

Os jovens pedem uma Igreja "transparente, acolhedora, honesta, atrativa, comunicativa, acessível, alegre e interativa"

A reportagem é de Jesús Bastante, publicado no Religión Digital, 19-6-2018. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Um banho de realidade. Isso é o que se destaca do Instrumentum Laboris  do próximo Sínodo dos Jovens, que foi apresentado ao meio-dia [em Roma] e no qual o Vaticano admite que “muitos jovens católicos não seguem as orientações da moral sexual da Igreja”.

Isso é o que jovens católicos, homens e mulheres, não estão em conformidade, em sua maioria, com os ensinamentos da Igreja sobre temas controversos, como os anticoncepcionais, a homossexualidade, o aborto, o matrimônio ou a questão de gênero, temas sobre os quais “os jovens já discutem livremente sem tabus”.

Ao longo de 67 páginas e 214 pontos, o texto, apresentado pelo cardeal Baldisseri, aceita que deve se debater abertamente e sem preconceitos sobre esses e outros temas, que vão desde o desemprego às novas tecnologias, passando pelos desafios das migrações, o trabalho precário, as novas escravidões, as drogas e, inclusive, o papel da mulher.

A corrupção ou a pederastia são outros dos pontos que os jovens consideram relevantes. Assim se admite, há muitos jovens que a Igreja supõe uma presença “molesta e irritante”. Frente aos escândalos, reclamam à instituição que “fortaleça sua política de tolerância zero contra o abuso sexual dentro das suas instituições”. E, ademais, que saiba comunicar sua mensagem, “justificando suas posições doutrinais e éticas frente à sociedade contemporânea”.

Os jovens, ademais, querem que “a Igreja seja uma instituição que brilhe por seu exemplo, competência, corresponsabilidade e solidez cultural” e que “compartilhe da sua situação de vida” e “não sejam apenas sermões”.

Sobretudo, adiciona, pede-se à “hierarquia eclesiástica” que a Igreja seja “transparente, acolhedora, honesta, atrativa, comunicativa, acessível, alegre e interativa”.

A intenção do documento, que servirá de base aos debates do Sínodo (entre 3 e 24 de outubro), é “dar voz” aos jovens, já que a discussão sinodal está reservada aos bispos. Neste sentido, o documento se compromete “a abrir, e não a fechar, a plantar perguntas e suscitar interrogações, sem sugerir respostas preestabelecidas”. Para que os jovens sintam que o Sínodo lhes concede o “protagonismo real” que merecem. Que a Igreja lhes trate de forma séria.

“Os jovens desejam uma Igreja autêntica, uma comunidade transparente, acolhedora, honesta, atrativa, comunicativa, acessível, alegre e interativa”, agrega o Instrumentum Laboris, que se divide em três partes: Reconhecer, Interpretar e Escolher. Uma vertente do Ver, julgar e agir, com uma variante: neste caso não se buscam soluções finais, mas sim “passos concretos”, ante uma realidade que, em ocasiões, afasta os jovens da Igreja.

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