Papa Francisco. “Intrigas e calúnias levam a condenações inescrupulosas”

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26 Março 2018

“O ‘salve-se a si mesmo’ destrói a solidariedade; como é difícil compreender a alegria e a festa da misericórdia de Deus para quem tenta se justificar e se acomodar! Como é difícil – afirmou o Papa na solene celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor – compartilhar esta alegria para aqueles que confiam apenas nas suas próprias forças e se sentem superiores aos outros”.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada por Vatican Insider, 25-03-2018. A tradução é de André Langer.

Na homilia, que o Pontífice dedica especialmente aos jovens, demonstrando a atualidade da mensagem evangélica, entrelaçam-se meditações sobre as Sagradas Escrituras e preocupação com a condição dos marginalizados e excluídos de hoje: “Somos capazes de amar, mas também de odiar muito”. O Papa, pois, alertou para as “intrigas e calúnias que levam a condenações inescrupulosas” com vistas a “reforçar e calar as vozes dissonantes”, ao passo que “a alegria da misericórdia é difícil para quem se sente superior” e “a alegria dos marginalizados é motivo de irritação para alguns”.

O Papa abençoou as palmas e os ramos de oliveira no centro da Praça São Pedro, ao pé do obelisco, antes de celebrar a missa com a qual começa a Semana Santa. Da missa participaram também os jovens de Roma e de outras dioceses, por ocasião da 33ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), uma vez que a celebração do Domingo de Ramos coincide com a JMJ.

“Calar os jovens é uma tentação que sempre existiu – disse Jorge Mario Bergoglio. Os próprios fariseus ficam zangados com Jesus e pedem a ele para que os acalme e os faça se calarem. Há muitas maneiras de calar os jovens e de torná-los invisíveis – enfatiza o Pontífice na homilia pronunciada após a proclamação da Paixão do Senhor Segundo Mateus. Muitas maneiras de anestesiá-los e mantê-los sonolentos, para que não façam ‘barulho’, para que não se façam perguntas e não se ponham a discutir. Há muitas maneiras de acalmá-los para que não se envolvam e para que seus sonhos percam altura e se tornem fantasias no nível do chão, mesquinhos, tristes”.

Por esta razão, neste Domingo de Ramos, celebrando a Jornada Mundial da Juventude com o tema ‘Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus’, “é bom ouvirmos a resposta de Jesus aos fariseus de ontem e de todos os tempos”. Ou seja: “Se eles se calarem, as pedras gritarão”. Por isso, Jorge Mario Bergoglio recomenda: “Queridos jovens, cabe a vocês a decisão de gritar, cabe a vocês optar pelo Hosana do domingo para não cair no ‘Crucifica-o’ da sexta-feira, e cabe a vocês não ficar calados. Se os outros estiverem calados, se nós, os idosos e os responsáveis, estivermos calados, se o mundo estiver calado e perder a alegria, eu lhes pergunto: vocês gritarão? Por favor, decidam-se antes que as pedras gritem”.

O Papa reflete sobre o Evangelho do Domingo: “Olhar para a cruz significa ‘deixar-se interpelar em nossas prioridades, decisões e ações – explica. Significa questionar nossa sensibilidade para quem está passando ou vivendo um momento de dificuldade. O que o nosso coração está vendo? Jesus continua sendo fonte de alegria e louvor em nossos corações, ou nos envergonhamos de suas prioridades para com os pecadores, os últimos e os esquecidos?” Então, “queridos jovens, a alegria que Jesus suscita em vocês é, para alguns, motivo de aborrecimento e de irritação, porque um jovem alegre é difícil de manipular”, explica Francisco.

“Jesus entra em Jerusalém – afirma. A liturgia nos convidou para participar da alegria e da festa do povo que é capaz de gritar e louvar o seu Senhor; alegria que se desvanece e deixa um gosto amargo e doloroso depois de ter acabado de ouvir o relato da Paixão”. Nesta celebração, de acordo com Francisco, “parecem entrelaçar-se histórias de alegria e de sofrimento, de erros e sucessos que fazem parte da nossa vida cotidiana como discípulos, porque conseguem expor sentimentos e contradições que muitas vezes são também os nossos, homens e mulheres deste tempo: capazes de amar muito e também de odiar, e muito; capazes de sacrifícios corajosos e também de saber ‘lavar as mãos’ no momento oportuno; capazes de fidelidade, mas também de grandes abandonos e traições”.

O Papa acrescenta: “vê-se em toda a narrativa evangélica que a alegria que Jesus suscita é, para alguns, motivo de aborrecimento e de irritação”. De fato, “Jesus entra na cidade cercado por seu povo, cercado de músicas e gritos barulhentos”. Efetivamente, “podemos imaginar a voz do filho perdoado, do leproso curado ou o balido da ovelha perdida que ressoa fortemente nesta entrada”. Além disso, prossegue Francisco, há “a música do publicano e do impuro; há o grito de quem vive à margem da cidade”. Há “o grito de homens e mulheres que o seguiram porque experimentaram sua compaixão diante da sua dor e miséria”. Há “a canção e a alegria espontânea de muitas pessoas marginalizadas”. Tocados por Jesus, podem gritar: “Bem-aventurado aquele que vem em nome do Senhor!”

Por isso, recorda o Pontífice, “como não aclamar Aquele que lhes restaurou a sua dignidade e esperança? É a alegria de muitos pecadores perdoados que mais uma vez encontraram confiança e esperança”. Mas, destaca o Papa, essa alegria “é desconfortável e torna-se absurda e escandalosa para aqueles que se consideram justos e ‘fiéis’ à lei e aos preceitos rituais”. Uma “alegria insuportável para todos aqueles que bloquearam a sensibilidade diante da dor, do sofrimento e da miséria”. Alegria “intolerável para aqueles que perderam a memória e se esqueceram de tantas oportunidades recebidas”.

Assim “nasce o grito daquele cuja voz não treme para gritar: ‘Crucifica-o!’ Não é um grito espontâneo, mas o grito montado, construído, formado com o desprezo, a calúnia e falsos testemunhos”. É “a voz daqueles que manipulam a realidade e criam uma versão para vantagem própria e que não têm problemas para ‘enredar’ os outros para se salvarem”. O grito de quem “não tem escrúpulos em procurar os meios para reforçar-se a si mesmo e calar as vozes dissonantes”. É o grito que “nasce da ‘maquiagem’ da realidade e pintá-la de tal maneira que acaba desfigurando o rosto de Jesus e o transforma em ‘malfeitor’; é a voz de quem quer defender sua própria posição, desacreditando especialmente aqueles que não podem se defender”.

É o grito “fabricado pelas ‘intrigas’ da autossuficiência, do orgulho e da soberba que proclama sem problemas: ‘Crucifica-o, crucifica-o!’, e, no final, cala-se a festa do povo, demole-se a esperança, matam-se os sonhos, suprime-se alegria. Assim, no final, blinda-se o coração e esfria-se a caridade”. É o “grito do ‘salve-se a si mesmo’ que procura fazer adormecer a solidariedade, extinguir os ideais, tornar insensível o olhar”. O grito que “quer apagar a compaixão”.

Diante de todas essas vozes que gritam, “o melhor antídoto é olhar para a Cruz de Cristo e nos deixarmos interpelar pelo seu último grito”. De fato, adverte Francisco: “Cristo morreu gritando seu amor por cada um de nós: por jovens e idosos, santos e pecadores, amor pelos do seu tempo e pelos do nosso tempo”.

Antes de terminar sua homilia, Francisco dirige sua atenção aos jovens, a quem ele convida a não ficarem calados, mas a manifestar a alegria de ter encontrado Jesus: “Calar os jovens é uma tentação que sempre existiu... Existem muitas formas de calar os jovens e torná-los invisíveis. Muitas maneiras de anestesiá-los e torná-los sonolentos para que não façam ‘barulho’, para que não se perguntem e questionem. Há muitas maneiras de tranquilizá-los para que não se envolvam e seus sonhos percam altura e se tornem fantasias no nível do chão, mesquinhos, tristes”.

No final da celebração eucarística, antes da bênção apostólica, Francisco recebeu das mãos de um jovem panamenho (em vista da próxima JMJ, que será realizada em nível mundial na América Central em janeiro de 2019) as conclusões do encontro pré-Sinodal que aconteceu em preparação à XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos de outubro de 2018, sobre o tema: ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’. A missa do Domingo de Ramos abre uma Semana Santa que tem os jovens como protagonistas. Entre os ritos da Semana Santa destaca-se a Via-Sacra do Coliseu, na sexta-feira, com os textos escritos por alguns estudantes romanos.

“Hoje não se pode conceber um jovem sem uma ‘selfie’”, comenta Jorge Mario Bergoglio, depois do abraço com os 300 jovens do “pré-Sínodo”, que se apertaram em torno dele para saudá-lo no final da missa do Domingo de Ramos. Para concluir, Francisco preside a oração do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Introduzindo a oração mariana, o Papa disse: “saúdo a todos vocês que participaram deste momento, romanos e peregrinos, especialmente os jovens de provenientes de diversas partes do mundo”. E, “pensando com gratidão na minha recente viagem ao Peru”, dirige “com afeto”, um pensamento à comunidade peruana que vive na Itália.

“A Jornada Mundial da Juventude de hoje, que se realiza a nível diocesano, é uma etapa importante do caminho para o Sínodo dos Bispos sobre os jovens de outubro próximo, bem como do processo de preparação para a Jornada Internacional, que acontecerá no Panamá em janeiro de 2019 – afirma o Pontífice. Neste itinerário, estaremos acompanhados pelo exemplo e a intercessão de Maria, a jovem de Nazaré que Deus escolheu como Mãe de seu Filho. Ela caminha conosco e guia as novas gerações em sua peregrinação de fé e fraternidade. Que Maria nos ajude a viver bem a Semana Santa. Aprendamos dela o silêncio interior, o olhar do coração, a fé amorosa para seguir Jesus pelo caminho da Cruz, que conduz à alegre luz da Ressurreição”.

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