Papa começa a era das “cem flores”

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15 Agosto 2017

O recente convite do papa aos jovens – “Participem do Sínodo de 2018!” – levanta uma interrogação que só daqui a um ano encontrará resposta: Francisco pretende iniciar na Igreja romana uma era das “cem flores”, ou seja, de debates corajosos. Ou as propostas, presumivelmente ousadas, que poderão vir da juventude serão despotencializadas pela hierarquia eclesiástica?

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada por Trentino, 14-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em outubro do ano que vem, está previsto um Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Nas assembleias até agora celebradas – 27, de 1967 a 2015 – padres, irmãs, mães e pais de família foram convidados, às vezes, para falar sobre assuntos específicos da sua competência; mas, depois, eram apenas os bispos que decidiam e votavam os “conselhos” (os sínodos são todos “consultivos”) a ser oferecidos ao pontífice.

O próximo encontro contará com uma participação significativa de jovens, rapazes e moças. Mas toda decisão real permanecerá ainda nas mãos dos bispos? Ou os jovens também votarão?

A pergunta não é trivial: e apenas o fato de fazê-la evidencia que, a mais de 50 anos desde o Vaticano II, não há estruturas que deem veracidade a uma Igreja definida pelo Vaticano II como “povo de Deus”. Isso se o regulamento do Sínodo o confirmar de fato como ele é, e, portanto, como órgão “episcopal”.

Se, depois, para a Assembleia de 2018, Bergoglio decidir que os jovens (obviamente uma pequena representação – cerca de 50? – dos milhões de católicos espalhados por todo o mundo) também terão direito a voto, teria início, em perspectiva, uma mudança profunda do organograma institucional da Igreja romana. Começaria um tempo novo, no qual os leigos também, em certos casos, votam junto com o clero para sugerir ao bispo de Roma as escolhas mais oportunas para proclamar o Evangelho no mundo.

Mas, para além dessas questões cruciais, é evidente que, a partir dos jovens católicos, em nível mundial, poderiam chegar aos “padres” sinodais propostas que, embora desprovidas de valor jurídico, revelam pistas fortemente inovadoras na pastoral e no bem-estar da Igreja romana.

Por exemplo, eles poderiam questionar, no campo da sexualidade, princípios “doutrinais” desde sempre defendidos pela hierarquia eclesiástica e reiterados pelo Catecismo da Igreja Católica aprovado por João Paulo II em 1997.

Ou, ainda, poderia afirmar que um número notável de jovens – moças e rapazes – sentem profundamente a “vocação” de se dedicar, como ministros, ao serviço total da Igreja, contanto que possam fazer isso como casados.

Por isso, se os jovens católicos – em nível em paróquias e dioceses –, do Canadá à Índia, da França ao Brasil, da Alemanha ao Congo, dos Estados Unidos às Filipinas, da Itália à Austrália... realmente forem envolvidos no Sínodo, a Assembleia de 2018 não será um mero passeio.

E a Igreja Romana deverá escolher se vai querer murchar a exuberância das “cem flores” ou, em vez disso, ousar reformas resolutivas.

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