Quatro desafios para os bispos no sínodo sobre os jovens

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03 Outubro 2018

"Durante os papados de João Paulo II e Bento XVI, houve muita conversa sobre a “nova evangelização”, mas para a maioria dos bispos isso não era nada mais do que o catecismo da Igreja Católica com um sorriso. Foi o Papa Francisco que fez a nova evangelização ganhar vida com sua ênfase no amor, misericórdia e compaixão de Deus e nossa necessidade de responder a esse amor amando nossos irmãos e irmãs", escreve Thomas Reese, S.J., ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos EUA, em artigo publicada por National Catholic Reporter, 02-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o artigo.

O futuro da Igreja Católica está com os jovens, e é por isso que o Papa Francisco convocou os bispos de todo o mundo para se encontrarem em Roma, de 3 a 28 de outubro, para um sínodo sobre os jovens. Se a Igreja não pode atrair e manter os jovens, ela não tem futuro.

Este é o 15º Sínodo Geral desde que o Papa Paulo VI convocou o primeiro em 1967, como uma maneira de obter conselhos dos bispos. Sínodos anteriores trataram de temas como a família, o sacerdócio, o laicato, a evangelização, a Eucaristia, a vida religiosa, a justiça e a paz. O processo envolve discursos e discussões em pequenos grupos e geralmente é concluído com recomendações que não são obrigatórias.

O futuro da Igreja, especialmente no mundo desenvolvido, não parece brilhante. Nos Estados Unidos, um grande número de pessoas está deixando a Igreja e outras instituições religiosas durante a adolescência. Os jovens são repelidos pelos escândalos na Igreja, pelas atitudes patriarcais e homofóbicas de muitos membros do clero e pelo envolvimento de líderes da Igreja na política conservadora. Eles também acham a Igreja irrelevante para suas vidas e francamente entediante.

Há pelo menos quatro desafios que aguardam os bispos presentes no sínodo, cujo título oficial é XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional.

Primeiro, os bispos precisam reconhecer que não tem ideia de como evangelizar os jovens. Muitos jovens dizem que são “espirituais”, mas não “religiosos”. Em outras palavras, eles estão com sede, mas não gostam do que a Igreja está servindo. O clero precisa ouvir os jovens antes de falar com os jovens. E precisa ser uma ampla gama de jovens, não apenas aqueles que vão à Igreja.

Durante os papados de João Paulo II e Bento XVI, houve muita conversa sobre a “nova evangelização”, mas para a maioria dos bispos isso não era nada mais do que o catecismo da Igreja Católica com um sorriso. Foi o Papa Francisco que fez a nova evangelização ganhar vida com sua ênfase no amor, misericórdia e compaixão de Deus e nossa necessidade de responder a esse amor amando nossos irmãos e irmãs.

Os bispos e padres precisam seguir seu exemplo e não ter medo de pensar fora da caixa. Palestras não farão isso. Os jovens querem ser interativos e envolvidos.

A Igreja também precisa aprender como fazer com que a Bíblia ganhe vida para os jovens. Muitos dos que deixam o catolicismo para as Igrejas evangélicas dizem que descobriram a Bíblia lá. A Igreja Católica tem os melhores estudiosos das Escrituras do mundo, mas seu trabalho não impactou os sermões ou fez com que os católicos comuns lessem a Bíblia.

Em segundo lugar, além de dizer que são espirituais, mas não religiosos, os jovens dizem que querem comunidade. A ironia é que combinar espiritualidade e comunidade é o que a religião deveria fazer, mas para os jovens a Igreja é uma instituição burocrática, não uma comunidade. Eles acham as paróquias sufocantes, julgadoras e hostis. Os jovens devem ser bem-vindos e capacitados para criar suas próprias pequenas comunidades cristãs. Algumas delas serão, sem dúvida, comunidades virtuais.

Um número significativo de jovens, tanto homens e quanto mulheres, gostaria de assumir um papel de liderança na Igreja, mas acham incrível que o sacerdócio esteja fechado para mulheres e homens casados. Para se tornar menos chata, a Igreja precisa de sangue novo.

Terceiro, a Igreja também deve ser relevante para as necessidades dos jovens.

Os jovens de hoje são sensíveis à injustiça e à desigualdade. De fato, a maioria dos jovens no mundo é pobre, explorada e vive em áreas de conflito. A mensagem de justiça social da Igreja irá ressoar com os jovens que querem desafiar o status quo. A Igreja deve ser líder na luta pela justiça e no trabalho de reconciliação.

Além disso, esses jovens estão preocupados com o meio ambiente. Eles e seus filhos terão que viver com as consequências do aquecimento global. Francisco apontou o caminho, mas ele não pode fazer isso sozinho.

Finalmente, e não menos importante, os bispos não podem ignorar a crise dos abusos sexuais clericais envolvendo a Igreja.

No passado, bispos e autoridades do Vaticano alegaram que esse era um problema local dos Estados Unidos. Então, tornou-se um problema “anglófono”, quando os casos da Irlanda e da Austrália explodiram. Então, tornou-se um problema ocidental quando a Europa foi engolfada. Agora está explodindo na América Latina. Ásia e África serão as próximas.

É trágico que os bispos de outros países não aprendam com os erros cometidos pelos bispos americanos.

A crise dos abusos sexuais é um problema mundial que merece a atenção de toda a Igreja. Embora o Papa tenha convocado uma reunião especial em fevereiro para lidar com essa crise, o problema não pode ser ignorado pelo sínodo.

No mínimo, o sínodo precisa reconhecer o problema, apoiar tolerância zero para qualquer padre que abuse de um menor e pedir a punição de qualquer bispo que não remova os padres abusivos do ministério. Não deve haver lugar para predadores sexuais no sacerdócio, incluindo aqueles que atacam seminaristas e freiras.

A Igreja tem uma mensagem relevante para os jovens; simplesmente não a está passando. Se os bispos se levantarão para enfrentar esses desafios, ainda não se sabe.

O sínodo é composto por cerca de 300 bispos eleitos de conferências episcopais em todo o mundo, além de delegados nomeados pelo Papa.

Os eleitos da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA são:

  • Cardeal Daniel DiNardo de Galveston-Houston, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA.
  • Arcebispo Jose Gomez, de Los Angeles, vice-presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA.
  • Arcebispo Charles Chaput, de Filadélfia, presidente do Comitê sobre o Laicato, o Casamento, a Vida Familiar e a Juventude da conferência dos bispos.
  • Bispo Frank Caggiano, de Bridgeport, Connecticut, membro do Comitê sobre o Laicato, o Casamento, a Vida Familiar e a Juventude da conferência dos bispos.
  • Bispo auxiliar Robert Barron, de Los Angeles, presidente do Comitê de Evangelização e Catequese da conferência dos bispos.

Os americanos indicados por Francisco são os cardeais Blase Cupich de Chicago e Joseph Tobin de Newark, New Jersey. Desde então, Tobin pediu para ser dispensado da reunião para que pudesse lidar com as consequências da crise dos abusos sexuais em sua arquidiocese.

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