Quando o Papa Francisco pergunta aos jovens o que eles pensam

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21 Março 2018

“Muitas vezes falamos sobre os jovens sem perguntar o que pensam”, disse o Papa Francisco na abertura de um encontro com jovens do mundo inteiro.

A reportagem é de Thomas Reese, jornalista e jesuíta, publicada por National Catholic Reporter, 20-03-2018. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

No evento, o papa praticou aquilo que disse ao convocar cerca de 300 jovens a Roma para que ele pudesse ouvir o que eles têm a dizer. E o que disserem ajudará na preparação do Sínodo dos Bispos em outubro, onde os prelados do mundo todo vão se reunir para discutir “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

O papa considerou “indispensável” a contribuição deles para o processo sinodal.

“É importante que falem abertamente”, contou ele aos jovens. “Eu garanto que a contribuição de vocês será levada a sério”.

O encontro desta semana faz parte de um processo mais amplo de escuta que incluiu um grande questionário online respondido por 100.500 jovens. No discurso de abertura, o papa compartilhou algumas respostas da sondagem.

“Uma menina”, disse ele, “observou que os jovens carecem de pontos de referência e que ninguém os incentiva a ativar os recursos que têm”. Ela pediu para o papa “ajudar o nosso mundo jovem que está cada vez mais caindo aos pedaços”.

O papa está escutando os jovens não apenas para ouvi-los sobre os seus problemas, mas também porque quer encorajá-los a propor soluções. Ele acredita que os jovens devem ser os protagonistas do seu próprio futuro.

A Igreja deve “ousar caminhos novos, mesmo se envolver riscos”, disse. “Devemos nos arriscar, porque o amor sabe como correr riscos. Sem arriscar, sabem o que acontece a um jovem? Envelhece! E também a Igreja envelhece. Precisamos de vocês, jovens, pedras vivas de uma Igreja de rosto jovem. Um homem, uma mulher que não arrisca, não amadurece”, contou o papa aos participantes, todos abaixo dos 30 anos de idade.

Na abertura do evento, Francisco ouviu os testemunhos de dez jovens, entre eles Nick López, diretor da pastoral universitária da Universidade de Dallas, que falou em espanhol.

López descreveu a vida dos jovens como um período de transição que envolve “mudar, escolher, experimentar, errar, acertar, recear e esperar que os próximos passos que damos sejam os passos que Deus nos chama a dar”.

“A vida do jovem está repleta de transformações potenciais”, disse ele. “A mera existência dessas opções é causa de grande ansiedade e estresse no coração dos nossos jovens”.

O jovem descreveu a situação nos EUA, onde menos de 15% dos católicos jovens frequentam a missa semanalmente e um terço dos jovens do país não se filiam a nenhuma religião. Lopez manifestou a preocupação quanto à visão dos jovens sobre o casamento.

“Muitos dos nossos jovens estão expostos a altos índices de divórcio; e os próprios casais jovens, alguns apenas casados por poucos anos ou menos até, estão se divorciando também”, falou.

“Os sinais apontam que uma grande quantidade dos jovens de hoje terão múltiplos casamentos pela vida, isso se forem se casar. Muitos hoje escolhem pular o casamento, já que uma coabitação fora dos laços matrimoniais está rapidamente se tornando a norma”.

No entanto, López enxerga sinais de esperança no entusiasmo pela Jornada Mundial da Juventude, onde os jovens católicos do mundo todo se juntam. Ele também vê uma “geração de pessoas pensantes e conectadas”, que buscam ajudar umas às outras, independentemente das diferenças de fé e nação. O espírito do ativismo existe entre os jovens católicos, inspirando-os a atuar através de movimentos pró-vida e outros”.

Ao mesmo tempo, segundo Lopez existem obstáculos para os jovens ao responder ao chamado do Senhor. 

“Para uns, é o coração deles que precisa ainda ser amolecido para ouvir a voz de Deus”, disse. “Já outros acreditam que a Igreja é que deve levar a culpa, sentindo que existe uma ênfase maior dada ao discernimento das vocações ao sacerdócio e à vida religiosa, e menos um chamado ao matrimônio sagrado, ou simplesmente ao chamado à santidade”.

Para alguns jovens, a Igreja pode ser o problema quando ela é vista como “legalista demais, e menos focada na complexidade da vida”.

O mundo em que os jovens de hoje vivem traz desafios especiais. “As realidades do racismo sistemático, a pobreza severa, a devastação dos desastres naturais, a falta de acesso à educação, o tráfico humano e de drogas, o abuso, a violência coletiva, batalhas entre guerrilhas, leis imigratórias injustas que separam as famílias, a negação de um porto seguro a refugiados e várias outras formas de injustiças socioeconômicas impedem os nossos jovens de viver o potencial lhes dado por Deus”.

No entanto, Lopez concluiu afirmando: “Não estamos aqui simplesmente para discutir as lutas e as necessidades dos jovens, estamos aqui para reafirmar e proclamar a esperança que eles representam (e que nós representamos) para a Igreja”.

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