O Papa inaugura o Sínodo. Saudação emocionada aos bispos chineses

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04 Outubro 2018

“Hoje, pela primeira vez, estão aqui conosco também dois irmãos bispos da China continental. Vamos lhes dar a nossa calorosa acolhida”. Com a voz embargada pela emoção durante alguns instantes, o Papa Francisco, durante a missa com a qual iniciou o Sínodo dos Bispos sobre os jovens, deu as boas-vindas a dois bispos chineses, Giovanni Battista Yang Xaoting e Giuseppe Guo Zincai, que chegaram a Roma depois do recente acordo entre a Santa Sé e Pequim sobre as nomeações episcopais na China, entre os aplausos dos fiéis que estavam presentes na Praça São Pedro.

A reportagem é publicada por Vatican Insider, 03-10-2018. A tradução é do Cepat.

Em sua homilia, Jorge Mario Bergoglio expressou o desejo de que a assembleia que começa hoje e conclui dentro de três semanas (no próximo dia 28 de outubro) seja “memória” evangélica que “não se deixa sufocar, nem esmagar pelos profetas de calamidades e de desgraças, nem por nossos limites, erros e pecados”, e fez um chamado para que o trabalho sinodal se desenvolva com uma atitude de “escuta sincera, orante e o máximo possível livre de preconceitos e condições”, para “olhar diretamente o rosto dos jovens e as situações em que se encontram”, e não os abandonar “nas mãos de tantos mercadores de morte que oprimem suas vidas e obscurecem sua visão”. O Papa concluiu a homilia recordando a mensagem aos jovens com a qual o Concílio Vaticano II encerrou.

“Hoje, pela primeira vez, estão aqui conosco também dois irmãos Bispos da China continental”, disse o Papa. “Vamos lhes dar as boas-vindas: a comunhão do Episcopado inteiro com o Sucessor de Pedro é ainda mais visível graças a sua presença”. A primeira oração dos fiéis durante a celebração foi na língua chinesa: “Envia, oh Pai, sobre o Santo Padre e sobre os Bispos o Espírito de Sabedoria e de Discernimento: que busquem com o coração aberto a verdade e que sejam obedientes em tudo a sua vontade”.

Francisco inaugurou o Sínodo retomando um dos versículos do Evangelho de João: “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele lhes ensinará cada coisa e lhes recordará tudo o que eu lhes disse”. “No início deste momento de graça para toda a Igreja, em sintonia com a Palavra de Deus, peçamos com insistência ao Paráclito que nos ajude a fazer memória e a reavivar as palavras do Senhor que acendem nosso coração”, disse o Papa, “para que saibamos que nossos jovens serão capazes de profecia e de visão na medida em que nós, já adultos ou anciãos, sejamos capazes de sonhar, contagiar e compartilhar os sonhos e as esperanças que carregamos no coração”. Que o Espírito, invocou o Papa, “nos dê a graça de ser memória operosa, viva, eficaz, que de geração em geração não se deixa sufocar, nem esmagar pelos profetas de calamidades e desgraças, nem por nossos limites, erros e pecados, mas que seja capaz de encontrar espaços para acender o coração e discernir as vias do Espírito. É com esta atitude de dócil escuta da voz do Espírito que viemos de todas as partes do mundo”.

“A esperança nos interpela, nos sacode e rompe o conformismo do “sempre se fez assim” e nos pede que nos levantemos para ver diretamente o rosto dos jovens e as situações em que se encontram. A mesma esperança nos pede para trabalhar para inverter as situações de precariedade, de exclusão e de violência às quais estão expostos nossos jovens”, disse Francisco.

“Os jovens, fruto de muitas das decisões tomadas no passado, nos chamam a nos fazer responsáveis junto com eles do presente com maior compromisso e a lutar contra o que de diferentes maneiras impede que suas vidas se desenvolvam com dignidade. Eles nos pedem e exigem uma dedicação criativa, uma dinâmica inteligente, entusiasta e cheia de esperança, e que não os abandonemos nas mãos de tantos mercadores de morte que oprimem suas vidas e obscurecem sua visão”.

Depois, Jorge Mario Bergoglio recomendou aos 266 padres sinodais que desenvolvessem a atitude descrita por São Paulo desta maneira: “Que nenhum busque o próprio interesse, mas o dos outros”, e, ao mesmo tempo, esclareceu, aposte mais “pedindo que com humildade consideremos os outros superiores a nós mesmos. Com este espírito, procuremos escutar uns aos outros para discernir juntos o que o Senhor está pedindo a sua Igreja. E isto exige de nós que estejamos atentos e que tenhamos cuidado para que não prevaleça a lógica da autopreservação e da autorreferencialidade, que acaba fazendo que seja mais importante o que é secundário e secundário o que é importante”. Ao contrário, recomendou, “é preciso ampliar a visão e não perder de vista a missão a que nos chama, para apostar por um bem maior que beneficiará a todos nós: sem esta atitude, todos nossos esforços serão vãos. O dom da escuta sincera, orante e o máximo possível livre de preconceitos e condições nos permitirá entrar em comunhão com as diferentes situações em que vive o Povo de Deus”. É preciso evitar, aconselhou Francisco, a tentação de cair em posições “elitistas, assim como a atração por ideologias abstratas que nunca correspondem à realidade de nossa gente”.

Francisco concluiu a homilia citando o Concílio Vaticano II: “Durante quatro anos, a Igreja trabalhou para rejuvenescer seu rosto, para corresponder melhor ao desígnio de seu fundador, o grande Vivente, Cristo, eternamente jovem. E ao final desta impressionante “reforma de vida”, se dirige a vocês: é para vocês, jovens, sobretudo para vocês, que a Igreja com seu Concílio acaba de acender uma luz, luz que iluminará o futuro, seu futuro”. E sentenciou: “Padres sinodais, a Igreja os olha com confiança e amor”. Por isso, “em nome deste Deus e de seu Filho Jesus, nós os exortamos a ampliar seus corações segundo as dimensões do mundo, a compreender o chamado de seus irmãos e a colocar suas jovens energias a seu serviço. Lutem contra todo egoísmo – recomendou Francisco aos jovens -, rejeitem dar livre raiz aos instintos da violência e do ódio, que geram as guerras e seu triste séquito de misérias. Sejam generosos, puros, respeitosos, sinceros. E construam no entusiasmo um mundo melhor que o atual!”.

As lágrimas do Papa pelo primeiro encontro com bispos chineses:

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