Sínodo da juventude precisa discutir a crise dos abusos, afirma padre sinodal

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03 Outubro 2018

Enquanto o Sínodo dos Bispos sobre jovens e jovens adultos se prepara para começar, um dos bispos representantes dos Estados Unidos disse que para que qualquer esforço para ministrar os jovens de hoje dê frutos, a igreja deve primeiro reivindicar credibilidade ao abordar o escândalo de abuso sexual do clero.

A reportagem é de Brian Roewe, publicada por National Catholic Reporter, 02-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

"Vou defender que o sínodo precisa, sem dúvidas, tornar isso um tópico importante agora", disse o bispo Frank Caggiano, de Bridgeport, Connecticut, que falou em uma entrevista no dia 27 de setembro. "Se você vai falar de forma relevante para os jovens, você não pode deixar de fazer isso."

Ele acrescentou que espera que o sínodo produza "não apenas palavras, mas algumas iniciativas significativas a respeito do assunto".

O bispo de 59 anos disse que tal atitude é "essencial", uma palavra que ele repetiu várias vezes, para que a Igreja Católica seja vista como credível em seu alcance aos jovens. Ele descreveu o presente escândalo de abuso, agora em uma segunda fase, como sendo "totalmente sobre autenticidade. É sobre liderança sendo responsável. É sobre transparência. Acho que o maior escândalo é quando, você sabe, as coisas não são contabilizadas, ou escondidas ou não transparentes. Isso abala a fé das pessoas".

Caggiano acrescentou que "a autenticidade fala poderosamente aos jovens", e a igreja deve demonstrar em que acredita viver e agir e, com a crise dos abusos, como ela reage.

"Para os jovens, acho que este é um momento para a igreja recapture a atenção deles usando isso como um momento de verdade, humildade, arrependimento e purificação, e fazer o que temos que fazer para responsabilizar as pessoas pelos seus atos”.

Como representante de primeira viagem, Caggiano será um dos seis bispos americanos que participarão do Sínodo dos Bispos para os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional, que será realizado de 3 a 28 de outubro. Ele partiu na segunda-feira para o Vaticano, poucos dias depois de ter retornado da Itália, depois de liderar a peregrinação anual de sua diocese.

O sínodo, que é liderado pelo Papa Francisco, reunirá mais de 300 bispos, observadores e participantes não-votantes de todo o mundo para examinar como a Igreja pode desenvolver novas maneiras de unir jovens em suas jornadas de fé, ou como o documento de trabalho do sínodo diz: "acompanhar todos os jovens, sem exceção, pela alegria do amor".

Embora este seja seu primeiro sínodo no Vaticano, talvez poucos bispos tragam com eles a experiência de Caggiano na pastoral juvenil. O bispo de Bridgeport é orador regular nos principais eventos da juventude, incluindo a Jornada Mundial da Juventude, à qual ele serve como representante episcopal para a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA. Desde 2013, atuou como conselheiro episcopal da Federação Nacional da Pastoral Juvenil Católica. Ele também é presidente do subcomitê de bispos dos EUA sobre catecismo.

Caggiano, que é fluente em italiano, mas reconhece que seu espanhol está um pouco enferrujado, também chega a Roma com a experiência de administrar um sínodo ele mesmo.

Em fevereiro de 2014, ele convocou o primeiro sínodo na Diocese de Bridgeport em mais de três décadas. Entre seus quatro temas estava capacitar os jovens. Vinte e cinco jovens delegados participaram das cinco sessões gerais do Sínodo, com outros 400 co-delegados jovens realizando suas próprias sessões. Caggiano também realizou uma sessão de audição especial com os jovens da diocese, algo que se tornou um marco de seus cinco anos em Bridgeport e no condado de Fairfield. Algumas iniciativas resultantes do sínodo diocesano, encerradas em setembro de 2015, foram a criação de um coro diocesano e do Corpo de Serviço Católico. Caggiano disse que ambos os programas permitiram aos jovens expressar sua fé de novas maneiras e ofereceram novos pontos de entrada para encontrar Deus.

Um grande avanço do processo, disse Caggiano, era "uma pessoa de cada vez", a ideia de colocar muitos caminhos diferentes antes da juventude e esperar que um deles ressoasse.

"Vai ser quase como plantar sementes: algumas brotam mais cedo, outras brotam mais tarde, mas devemos ser pacientes, porque este é o trabalho do Senhor, certo? Não se trata de manchetes chamativas, é sobre a vida das pessoas", disse ele.

Como parte de sua preparação para o sínodo da juventude, ele realizou outra sessão de escuta com jovens em sua diocese no dia 28 de setembro, garantindo que suas vozes ficassem entre as últimas que ele ouviu antes de partir três dias depois para Roma.

"Eu vou perguntar a eles, então se você tivesse uma oportunidade de falar no Sínodo, o que você diria? Você, como jovem, o que está em sua mente? Quais são suas preocupações? E eu estou muito curioso para ver o que eles vão me responder, para ser honesto", disse ele ao NCR antes do evento.

De seu trabalho com os jovens ao longo dos anos, ele disse que muitas das questões que eles têm são de natureza afetiva - "questões do coração, não da mente" - sobre o pertencimento e autoestima, conexão e comunidade. Ele disse que o documento de trabalho do Sínodo, o Instrumentum Laboris, faz um bom trabalho de resumir essas preocupações e discutir relacionamentos. Uma questão importante para o sínodo abordar, disse o bispo, é "qual é a relevância de fazer parte de uma comunidade estabelecida, em vez de criar minha própria comunidade?"

Isso é particularmente verdadeiro em uma era de mídias sociais, que o bispo diz que pode desempenhar um papel fundamental em como a igreja se conecta com a juventude, mas também algo que deve entender melhor em termos de como os novos avanços tecnológicos impactam não apenas suas vidas, mas também seu desenvolvimento fisiológico. Caggiano disse que planeja encorajar o sínodo a explorar essas questões como parte de sua intervenção.

A Diocese de Bridgeport sob o comando de Caggiano trabalhou para expandir sua pegada de mídia social. O bispo tem uma série de vídeos semanais em sua página no Facebook, onde também compartilhou atualizações da recente peregrinação e suas experiências até o momento no sínodo.

Outro desafio que ele vê que o sínodo deve abordar é como transmitir a fé, principalmente feita por palavras nos tempos modernos, num momento em que as imagens estão se tornando um meio mais predominante. Na Idade Média, a igreja construiu grandes catedrais e basílicas como um tipo de "catecismo vivo" que transmitem a fé, disse Caggiano. Ele não está certo de como isso seria hoje, mas vê a ideia de verdade, beleza e bondade de São Tomás de Aquino como caminhos para Deus como um paradigma essencial para o ministério.

Quanto às abordagens para alcançar os jovens que deixaram a igreja ou considerar tal saída, ele vê o acompanhamento e a apologética - explicar e defender os ensinamentos da igreja - como "dois lados de uma moeda", vendo estes como argumentos para combater essas "falsas escolhas."

"É o caminho e o destino", disse Caggiano.

Com o próprio sínodo, ele espera produzir um documento que forneça um "roteiro geral" que os bispos possam levar de volta a seus países de origem e às dioceses para implementarem de maneira única conforme a cultura e condições de cada um.

"Minha esperança é que o documento estabeleça uma base. Nós iremos todos fundamentalmente na mesma direção, mesmo que pareça muito diferente na experiência vivida de cada lugar, seja em Nairobi ou em Nova York", disse o bispo, acrescentando que era importante permitir que o documento "se tornasse um documento vivo e que evoluísse".

Nos EUA, Caggiano está bem ciente das tendências das pessoas, especialmente dos jovens, deixando para trás a religião institucional. Ele tem ouvido a frase "espiritual, mas não religioso" - o que ele define como "espiritual sou eu, religioso somos nós" - e está familiarizado com as pesquisas que mostram pessoas desejando uma igreja mais acolhedora e inclusiva. Para ele, tudo volta à relevância da comunidade e a igreja tornar-se credível novamente. "E credível, na minha opinião, significa ser autêntica."

"Tudo isso são maneiras diferentes de dizer que temos que viver o que acreditamos. Temos que amar da maneira autêntica que Cristo nos ensinou", disse Caggiano. "Acho que os jovens que se deparam com comunidades como essa encontram a razão para dizer: quer saber de uma coisa? Eu sou espiritual, mas talvez valha a pena ser religioso".

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