O Sínodo da Juventude e as novas realidades que desafiam a Igreja

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01 Agosto 2018

"Aos jovens do mundo todo foi dada a oportunidade de opinar, de expressar-se e o mais importante, em sua própria “língua”. Os meios digitais foram ampla e estrategicamente utilizados, considerando uma Instituição que não é modelo nesta área. O site mostra a preocupação em usar recursos que são mais familiares ao jovem. Também ouve participação na Reunião Pré-Sinodal via redes sociais, na qual os jovens brasileiros tiveram ampla participação", constata a Ir. Valéria Andrade Leal, ASCJ, ao comentar o processo de preparação do próximo Sínodo sobre 'os jovens, a fé e o discernimento vocacional', em artigo que publicamos a seguir.

Valéria Andrade Leal, irmã religiosa pertencente à Congregação Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus - ASCJ, mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, especialista em Filosofia da Educação pela UFPR, graduada em Pedagogia pela mesma instituição. Atualmente é Gestora de Pastoral Escolar no SAGRADO - Rede de Educação, nos estados da região sul do Brasi.

Eis o artigo.

O Instrumentum laboris do próximo Sínodo sobre “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, expressa claramente o rosto da Igreja de Francisco: dialogante, sinodal.

Talvez esteja sendo ofuscado pelo anúncio do Sínodo sobre a Amazônia, tema que chama a atenção do mundo devido à gravidade da situação e suas consequências para toda a vida na terra. Entretanto, não podemos deixar passar despercebidos alguns elementos importantes que o texto em questão deixa transparecer.

Em primeiro lugar, cabe destacar o processo. Assim como os dois sínodos que trataram sobre o tema família, o próximo Sínodo foi costurado com ampla participação. Aos jovens do mundo todo foi dada a oportunidade de opinar, de expressar-se e o mais importante, em sua própria “língua”. Os meios digitais foram ampla e estrategicamente utilizados, considerando uma Instituição que não é modelo nesta área. O site mostra a preocupação em usar recursos que são mais familiares ao jovem. Também ouve participação na Reunião Pré-Sinodal via redes sociais, na qual os jovens brasileiros tiveram ampla participação.

Além dos meios digitais, a presença de 300 jovens na reunião pré-sinodal também indica uma real disposição de escuta da juventude. Não foi priorizada a presença de especialistas neste momento importante, mas de jovens comuns, que vivem entre jovens igualmente comuns, que estudam, trabalham, que convivem com jovens desempregados, com jovens doentes, com jovens pobres, com famílias com diferentes valores. Não se pode esquecer também do estímulo do Papa para que os jovens falassem com franqueza o que pensam. Além disso, parece ter havido o cuidado em ter presentes jovens de outras confissões e até sem religião ou ateu.

O Instrumentum laboris mostra o quanto tudo o que foi “coletado” de informações, seja do questionário para as Conferências Episcopais, do questionário dos jovens e do que foi discutido na reunião Pré-Sinodal é tomado a sério e com clareza.

Os jovens não tiveram medo de indicar que lhes falta uma comunicação adequada à sua linguagem, desde as homilias que ouvem aos domingos até as orientações oficiais da Igreja no campo da moral sexual, por exemplo. Também indicaram seu anseio por entender as posições oficiais e discutir com maturidade temas como aborto, homoafetividade, entre outros. Relataram as próprias dificuldades que encontram para ser cristãos em um mundo secularizado e sua necessidade de serem ajudados na busca por viver neste mundo de forma coerente e capaz de fazer a diferença. Apontaram também para a sede de uma espiritualidade consistente que os alimente em sua busca de sentido. Mostraram o quanto a Igreja, pode parecer fechada e fora do “mundo” das novas gerações e o quanto desejam ver na Igreja referências creditáveis, coerentes, que lhes indiquem o caminho de como viver melhor e ser feliz. E isso tudo foi levado a sério, como eles mesmos pediram.

Ao considerar as dificuldades e anseios dos jovens, o texto também considera o projeto expresso na Evangelium Gaudium, diversas vezes citadas, da Igreja em saída, ressaltando a necessidade da “conversão pastoral”, que ecoa no coração e na mente de Francisco desde sua experiência pastoral latino-americana. Denuncia também a “cultura do descarte” da qual os jovens são o principal alvo, como eles mesmos reconheceram.

O texto reconhece as diversas faces dos jovens de hoje e afirma a importância de escutá-los e acompanhá-los em vista da sua realização como pessoas chamadas a ser “santas”, ou seja, plenas, completas, felizes.

Um passo importante foi dado: os jovens foram com certeza ouvidos, e com atenção.

Oxalá o Sínodo possa fazer valer também sua preocupação com o “acompanhar” estes mesmos jovens em suas desafiadoras realidades sociais e existenciais passando da escuta para a ação.

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