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03 Maio 2018

Um obrigado às vítimas “indignadas” e um “chega” aos especialistas “moderados”. Precisamos muito das primeiras. Mas podemos abrir mão dos últimos.

A reportagem é de Luis Badilla, publicada por Il Sismografo, 02-05-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com a coletiva de imprensa muito lotada, Juan Carlos Cruz, James Hamilton e Andrés Murillo, nessa quarta-feira, 02, na sede da Imprensa Estrangeira (Roma), na prática, concluiu-se a estada dessas três vítimas de Karadima no Vaticano, convidados do papa, que, nos últimos dias – como salientaram os três chilenos com gratidão e esperança –, lhes pediu perdão. Durante esses dias em Roma e no Vaticano, os três souberam expressar comportamentos muito corajosos, honestos e transparentes.

Especialmente, ao contrário de muitos especialistas sobre pedofilia na Igreja que, muitas vezes, falam demais, oferecendo toneladas de análises vazias de vida e sentimento, demonstraram que são pessoas gravemente feridas, com anos de devastação existencial sobre as costas, ridicularizados, humilhados e sistematicamente desacreditados, mas capaz, sobretudo, de se indignar.

Os abusos sexuais por parte do clero, as artificiosas operações de ocultação e encobrimento, e, mais recentemente, as maquinações para desacreditar as vítimas e os denunciantes não podem ser tratados – se a Igreja realmente quer ser entendida pela sociedade como uma força gigantesca na linha de frente contra a pedofilia – com palavras mornas de circunstância, com supostas moderações e análise cerebrais (boas apenas para as conferências).

A Igreja deve demonstrar nos fatos, nas suas condutas concretas, além das palavras, que o “capítulo abusos” está fechado para sempre, de forma irreversível, sem rodeios e agora, com todas as cautelas e as prudências necessárias, deve fazer como os três chilenos disseram em uníssono ao Papa Francisco nesses dias e que, nessa segunda-feira, reiteraram na frente de dezenas e dezenas de jornalistas: “Esperamos que o Papa Francisco transforme suas palavras de amor e de perdão em ações exemplares. Caso contrário, tudo isso será letra morta”.

Desde que eclodiu o drama da pedofilia na Igreja, há vários anos, a se julgar pelo que, depois, continuamos a ler na imprensa de todo o mundo ao longo dessas últimas duas décadas – duas décadas! – não houve um bloqueio do fenômeno ou uma diminuição significativa.

Trabalhando com a rede todos os dias há 12 anos, sabemos muito bem que, a cada dia, há um ou mais novos casos de abuso em todo o mundo. E também registramos mais: homens de Igreja, talvez até autoridades eclesiásticas, que continuam com sua suposta moderação pondo em dúvida tudo e, portanto, desacreditando as vítimas.

Parece que, na luta da Igreja contra a pedofilia, faltou uma ação dissuasiva, que a indignação foi formal demais. Tanto que, com toda a probabilidade, muitos indivíduos com personalidades pedófilas entraram nesses anos nos seminários para tentar encobrir suas pulsões perversas. Não parece que eles viram na “porta da Igreja” um claro e peremptório: “Não, aqui você não pode entrar. Para você, esta comunidade é severamente proibida”.

Cruz, Murillo e Hamilton deram a todos nós, particularmente à Igreja chilena e a grande parte de sua hierarquia – surdas, cega e muda –, uma lição exemplar demonstrando que as vítimas de abuso são o principal recurso da comunhão eclesial para vencer essa batalha, para abater esse “pecado e crime” que tanto fez e faz mal à Igreja de Cristo.

Obrigado às vítimas “indignadas” e chega de especialistas “moderados”. Precisamos muito das primeiras. Mas podemos abrir mão dos últimos.

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