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26 Abril 2018

Papa Francisco terá um encontro individual, em separado, no fim de semana, com as três principais vítimas de abusos sexuais do padre Fernando Karadima no Chile. Três meses se passaram desde a eclosão do "caso Barros", após que as acusações de "encobrimento" do bispo de Osorno, Juan Barros - um dos alunos de Karadima - obscureceram a visita apostólica do Papa no Chile. Depois disso, o Papa foi forçado a pedir desculpas por algumas das suas avaliações e ordenar uma investigação no campo, chamando a Roma, em meados de maio todos os bispos do Chile.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por Hufffington Post, 25-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

As três vítimas (Juan Carlos Cruz, Andrés Murillo e James Hamilton) estão em Roma desde o último sábado, hóspedes da Casa Santa Marta, hospedados na mesma residência do papa, como ilustres convidados, depois de terem sido durante anos acusados pela própria hierarquia chilena de representar um mal para a Igreja.

Uma declaração do porta-voz da Sala de Imprensa do Vaticano, Greg Burke, na manhã desta quarta-feira divulgou que o Papa "Agradece por terem aceitado o convite". Em seguida, a nota explica exatamente o intuito da iniciativa: Francisco "deseja pedir-lhes perdão, compartilhar a sua dor e a sua vergonha pelo que sofreram e, principalmente, ouvir todas as suas sugestões, a fim de evitar que se repitam tais fatos reprováveis. O Papa receberá as vítimas individualmente, deixando que cada um fale pelo tempo que julgar necessário".

A declaração conclui com o pensamento do Papa endereçado à sua reunião prevista com os 32 bispos do episcopado chileno entre 14 e 17 de maio do próximo: "O Santo Padre pede orações para a Igreja no Chile neste momento doloroso, esperando que estes encontros possam se realizar em um clima de serena confiança e representar um passo fundamental para remediar e evitar para sempre os abuso de consciência, de poder e, em especial, sexuais dentro da Igreja". Aqui a nota reitera os conceitos-chave contidas na carta do Papa aos bispos chilenos, de 8 de abril, ou seja, que é preciso trabalhar para sanar e curar as feridas do corpo eclesial e da sociedade causadas pelos "abuso de consciência, de poder e sexuais."

Tudo em ordem, então? Não exatamente

Porque a presença simultânea em Roma para o trabalho do chamado Conselho da coroa de Francesco, o chamado C9 dos cardeais que o ajudam no governo da Igreja universal, reunido para continuar os trabalhos sobre a reforma da Cúria, fez com que estivesse no Vaticano nestes mesmos dias também o cardeal Francisco Javier Errázuriz, indicado pelas vítimas de Karadima como um dos "encobridores" do caso Barros. Acusações expostas publicamente desde maio 2014 perante o Comitê da ONU contra a Tortura, em Genebra, também pela Snap, a Associação Americana de vítimas sexuais de padres.

Conforme relatado pelo principal órgão de informação chileno "La Tercera", Cruz teria inclusive tido um encontro casual com o cardeal nas proximidades da Embaixada do Chile, onde ambos estavam se dirigindo. Cruz relata que foi um encontro bastante tenso. "Ele está furioso - conta Cruz – Está fazendo pressão, está fazendo lobby, está desesperado, o homem não sabe mais o que fazer, porque tudo está ruindo." Em todo caso Cruz está confiante de que algo bom resulte do encontro com o Papa. Ele o verá no domingo à tarde, quando Francisco deixou completamente livre a sua agenda para poder falar com eles. Provavelmente haverá uma reunião com as três vítimas juntas na segunda-feira. Mas Cruz relata à Reuters: "Palavras boas e agradáveis não vão apagar tudo isso. É preciso agir concretamente. Não há mais tempo, os bispos que "adulteraram" as informações que foram dadas ao Papa devem ser afastados. Eu disse a ele: Santo Padre, não quero ser usado como um instrumento de relações públicas".

Todo mundo está ciente do fato que esses encontros com as vítimas chilenas acontecerão poucas horas antes de outro evento delicado: na Austrália, o magistrado de Melbourne, em 1º. de maio próximo, dirá se outro membro da C9 Francisco, o Cardeal George Pell, Prefeito da Secretaria de Economia, terá que ir a julgamento por abusos sexuais que teria pessoalmente cometido no passado. Acusações que Pell nega veementemente.

Fazendo um paralelo com a "síndrome chinesa" (título do famoso filme que fazia referência a uma teoria segundo a qual, em caso de um acidente em uma usina de energia nuclear, com fusão do núcleo do reator, este iria derreter até perfurar a crosta terrestre até o outro lado da Terra, até a China), poder-se-ia dizer que a "síndrome chilena", poderia desencadear uma reação em cadeia na Igreja Católica.

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