O C9 estuda possibilidade de conceder “autoridade doutrinal” às Conferências Episcopais

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01 Março 2018

O Papa e os cardeais que o ajudam na reforma da cúria romana e no governo da Igreja universal, o chamado C9, refletiram sobre o estatuto teológico das Conferências Episcopais à luz do que afirmou o próprio Papa Francisco na Evangelii Gaudium, quando escreveu que “uma centralização excessiva, em vez de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária”. Caminha-se para “uma sala de controle” para os recursos humanos do Vaticano. O porta-voz Greg Burke confirmou, em uma coletiva de imprensa sobre esta 23ª reunião do Pontífice com os conselheiros cardeais, que está em estudo a hipótese sobre os tribunais especializados para trabalhar com os casos de abusos de menores em diferentes regiões do mundo, sob a égide da Congregação para a Doutrina da Fé. A redação de uma nova Constituição Apostólica ainda não está na fase final, mas está “em um bom ponto”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 28-02-2018. A tradução é de André Langer.

O Papa e o C9, disse Burke, abordaram, entre outros, a questão do “estatuto teológico das conferências episcopais”, uma reflexão que parte do “número 32 de Evangelii Gaudium: ‘... ainda não foi suficientemente explicitado um estatuto das conferências episcopais que as considere como  sujeitos de atribuições concretas, incluindo também uma autêntica autoridade doutrinal. Uma centralização excessiva, em vez de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária’. Trata-se de uma releitura do Motu Proprio Apostolos Suos sobre o Magistério e os limites das conferências episcopais, publicado por João Paulo II em 1998, em um espírito de descentralização saudável de que o Papa frequentemente fala, insistindo em que é sempre Ele que guarda a unidade na Igreja”.

Durante a reunião, discutiu-se sobre os recursos humanos e a redução dos gastos da Santa Sé. Em particular, o cardeal Reinhard Marx “expôs ao Conselho dos Cardeais – relatou Greg Burke – a questão dos recursos humanos ao apresentar o trabalho do Conselho da Economia, que está estudando propostas para delinear as habilidades de uma ‘cabine de controle’ para os recursos humanos, cuja tendência será a de “unificar” competências até agora dispersas, mas, precisou o porta-voz do Vaticano ao responder a uma pergunta, não foi dito se estará sob a competência do mesmo Conselho de Economia.

O presidente dos bispos alemães também fez referência “aos progressos positivos nas áreas da apresentação dos orçamentos” pelos diversos dicastérios, do controle dos gastos e “da redução do déficit da Santa Sé. Neste contexto, o Conselho de Economia decidiu elaborar diretrizes para os organismos da Santa Sé com o objetivo de reduzir os custos”, acrescentou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, sem dar detalhes.

Quando um dos jornalistas perguntou como estava estruturada a direção da Secretaria de Economia, na ausência do cardeal George Pell (que continua na Austrália para se defender no tribunal dos casos de acusações de pedofilia) e após a nomeação de dom Alfred Xuereb, prelado secretário-geral do mesmo dicastério, como núncio apostólico na Coreia do Sul e Mongólia, Burke recordou que há também dom Luigi Mistò, secretário da seção administrativa da Secretaria de Economia.

O Papa e o C9 trataram também da temática da proteção dos menores, discutindo “diferentes opções” para que a Congregação para a Doutrina da Fé possa processar “em prazos curtos” os casos de pederastia, disse Burke, que confirmou que “uma das opções” é a que foi antecipada pelo Vatican Insider: criar tribunais especializados para lidar com casos de abusos de menores nas diferentes regiões do mundo, sob a égide da Congregação para a Doutrina da Fé. No entanto, a reunião não tomou uma decisão final. O porta-voz do Vaticano precisou, ao responder aos jornalistas, que os casos de pedofilia que poderiam ser revisados nesses processos não são recentes.

Francisco e os cardeais conselheiros deram ainda mais informações sobre os dicastérios para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, para as Igrejas Orientais e para a Evangelização dos Povos. Ouviram, além disso, o cardeal polonês Jan Romeo Pawlowski que discorreu sobre o andamento da terceira seção da Secretaria de Estado, que acaba de ser criada justamente para se ocupar da seleção e da formação do pessoal diplomático, e o prefeito para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, que falou sobre o trabalho deste dicastério.

Quanto a uma nova constituição apostólica que substituirá a atual Pastor Bonus, “não diria que estamos na fase final da sua redação; entretanto, diria que estamos em um bom ponto”, resumiu Burke, que, com uma metáfora, explicou que “uma maratona tem 21 milhas (42 quilômetros); mas as últimas três ou quatro milhas são difíceis”, porque é preciso “ler e reler o texto”. A expectativa, no entanto, não será “muito longa” e a reforma “já está em andamento”, por exemplo, com a recente criação de novos dicastérios.

As sessões de trabalho contaram com a presença de todos os cardeais, exceto George Pell e Laurent Monsengwo Pasinya, que chegou apenas na segunda-feira à noite devido ao cancelamento de seu voo por mau tempo. A próxima reunião do Conselho dos Cardeais está marcada para os dias 23, 24 e 25 de abril.

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