Papa Francisco modela uma Igreja mais descentralizada

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16 Setembro 2017

O papa reuniu durante três dias os cardeais encarregados de assessorá-lo sobre o governo da Igreja para refletir sobre a "excessiva centralização" da igreja. Diversos caminhos serão estudados para que as decisões tomadas hoje, em Roma, sejam aplicadas em níveis locais.

A reportagem é de Nicolas Senèze, publicada por La Croix, 13-09-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Para o ex-presidente da Conferência Episcopal Argentina que se tornou Papa, é tudo muito claro: as decisões na Igreja não devem necessariamente passar por Roma.

"Uma centralização excessiva, em vez de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária", lastimava no Evangelii gaudium (§ 32), verdadeiro programa de seu pontificado.

Há alguns meses o C9, formado pelos nove cardeais que o aconselham sobre a reforma da Cúria, abordou a questão da descentralização da Igreja. Na última reunião, em meados de junho, por exemplo, tinha estudado "a possibilidade de transferir algumas atribuições dos dicastérios romanos aos bispos locais ou às conferências episcopais, no espírito de uma saudável descentralização".

O exemplo usado na ocasião foi aquele dos diáconos permanentes, que precisam solicitar a autorização de Roma para se casarem novamente caso tenham ficado viúvos, ou para serem ordenados sacerdotes se viúvos ou solteiros. Um dia, essa autorização poderia vir a ser dada pela conferência episcopal e não mais pela Congregação para o Clero. Mas, de acordo com Greg Burke, diretor da sala de imprensa da Santa Sé, esse nada mais é que um dos muitos exemplos de descentralização avaliados pelo C9. "Em muitos dicastérios existem coisas desse tipo que dependem de Roma, mas que não precisaria necessariamente ser assim" explicou.

O motu proprio Magnum Principium sobre a liturgia, publicado no sábado por Francisco, é um exemplo típico dessa vontade descentralizadora. A partir de Liturgiam authenticam de João Paulo II, o trabalho de tradução litúrgica estava parado, uma vez que a Congregação para o Culto Divino, responsável por verificar se o texto original em latim era "traduzido integralmente e de forma muito precisa", acabava por impor as suas escolhas às conferências episcopais.

Recordando que o trabalho de "preparar fielmente as versões dos livros litúrgicos nas línguas correntes" deve ser efetuado em um clima de "colaboração plena de confiança recíproca, atenta e criativa" entre as Conferências Episcopais e Roma, Francisco inverte a situação.

Mas na Cúria, alguns departamentos consideram uma perda de poder o fato de não mais decidir, de Roma, para todas as dioceses. Outros temem uma "protestantização" da Igreja e um questionamento de sua unidade, entendida como uniformidade.

"O que é pecado na Polônia, é aceito na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese de Filadélfia é permitido em Malta", deploravam, por exemplo, em sua última carta ao papa os cardeais "rebeldes" em relação à implementação da Exortação Amoris laetitia, especificamente no ponto referente ao acesso aos sacramentos para os divorciados que voltam a se casar.

Por sua parte, Francisco colocou um freio ao frenesi textual da Cúria. No último ano, o número de normas emitidas por Roma despencou. Foram apresentadas apenas uma instrução da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a cremação, em outubro, uma carta da Comissão 'Ecclesia Dei', em abril, sobre os casamentos da Fraternidade de São Pio X, e uma última instrução da Congregação para o Culto Divino, no início de julho, sobre as normas de fabricação de pão e do vinho para a Eucaristia.

Além disso, o último texto dá mais espaço para os bispos, imaginando, por exemplo, uma espécie de reconhecimento no âmbito da conferência episcopal.

Mas os bispos estão prontos para esta descentralização da Igreja? Alguns, como na Alemanha, há tempo a aguardavam. Outros, para os quais era eventualmente mais fácil repassar para Roma as decisões delicadas que não queriam assumir, mostram mais cautela. Na verdade, para além da resistência de alguns, muitos dicastérios já hoje desempenham um papel de descentralização.

A recente Ratio fundamentalis, verdadeiro 'programa' dos seminários, publicada em dezembro passado, foi preparada com uma intensa consulta por parte, principalmente, de Mons. Jorge Carlos Patron Wong, secretário da Congregação para o Clero, que não esconde, hoje, o cansaço de rodar o mundo todo para explicar o texto aos bispos, para que implementem as devidas adaptações locais.

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