O coronavírus não é uma nova crise do subprime

Revista ihu on-line

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Clarice Lispector. Uma literatura encravada na mística

Edição: 547

Leia mais

Mais Lidos

  • Müller também se recusa, na 'TV do diabo', a participar do Sínodo

    LER MAIS
  • Desmatamento na Amazônia já chega a quase 9 mil km² em 2021, mostra Imazon

    LER MAIS
  • Aquele que veio para desconstruir e devastar - Frases dia

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


13 Março 2020

Bolsas de Valores em ioiô, crescimento em queda livre, globalização em pane, preço do petróleo no chão, a volta do desemprego: o espectro da crise de 2008 faz sua aparição. Isso só vai assustar quem acredita em fantasmas: o coronavírus e o subprime representam dois choques na economia mundial que não têm rigorosamente nenhuma relação entre si.

A reportagem é de Christian Chavagneux, publicada por Alternatives Économiques, 11-03-2020. A tradução é de André Langer.

Causa diferente, efeitos diferentes

A crise do subprime tem suas origens na desregulamentação financeira, que permitiu o desenvolvimento de produtos financeiros que espalham riscos nas finanças globais. Uma crise endógena no capitalismo contemporâneo, que segue o padrão tradicional das crises sistêmicas: os bancos e os investidores financeiros se endividam para aumentar a amplitude de suas apostas arriscadas em novos produtos, a fraude se espalha, os controles internos de risco dos bancos são abandonados, a bolha cresce e acaba explodindo. A consequência é imediata e forte: o sistema bancário global encontra-se à beira da implosão. As Bolsas entram em colapso, assim como o crescimento e o emprego.

Pelo contrário, a crise do coronavírus não é o resultado da desregulamentação econômica; é um choque exógeno ao capitalismo contemporâneo, não é fruto de seu funcionamento. O vírus segue um percurso epidemiológico clássico – aumento dos casos, estagnação e declínio – que parece ter se espalhado durante três meses na China. Seus efeitos econômicos passam então por um choque de oferta e de demanda na economia mundial: produção e consumo em câmara lenta, empresas com volume de negócios e caixas abalados, trabalhadores tecnicamente desempregados.

O caminho oposto de 2008

Refresquemos a memória sobre 2008: as finanças globais estão paralisadas, os maiores bancos do mundo estão à beira do colapso e a economia real está patinando. Agora, o caminho é o oposto: o choque parte da economia real e é transmitido às finanças. E o mais perigoso não está onde você pensa que esteja.

A atenção está focada nos mercados de ações. A situação econômica é fonte de grande incerteza e de opiniões divergentes sobre os efeitos da crise, o que alimenta a instabilidade das Bolsas. O suficiente para encantar os investidores financeiros que procuram volatilidade para fazer apostas e tentar ganhá-las: eu vendo, eu compro, eu vendo, eu compro, à procura de todas as boas oportunidades, de onde os ioiôs dos mercados de ações.

Mais importante, e mais perigosos para a saúde da economia global, os mercados monetários de curto prazo em dólares, onde bancos e financiadores negociam a moeda americana da noite para o dia, mostram fontes de tensão. Se esses mercados congelarem, é a finança global que será enfraquecida. No entanto, o banco central americano está vigiando esse ponto e fornecendo o dinheiro necessário para acalmar os medos. O que é muito mais estratégico do que diminuir as taxas de juros.

Efeitos conjunturais

A economia mundial demorou vários anos para se recuperar da crise estrutural do subprime. Até o momento, muitos indicadores convergem para mostrar uma recuperação da atividade na China, de acordo com especialistas da Société Générale, a economia está agora girando em 60-65% do seu potencial contra 75-80% em tempos normais. Neste ponto, a crise parece estar caminhando para uma curva em “V”, uma queda na atividade seguida por uma recuperação nos trimestres seguintes. Já podemos anunciar as manchetes dos próximos semestres: forte recuperação da atividade.

Se esse for o caso, teremos testemunhado uma crise cíclica e não estrutural. As fábricas e escritórios fechados ainda estão de pé, os doentes estão se recuperando (a taxa de mortalidade é da ordem de 3,5%) e os trabalhadores parcialmente desempregados retornam aos seus empregos. Enquanto isso, os bancos centrais reagirão e as políticas fiscais também, rapidamente, com ajudas direcionadas para empresas em dificuldade (e menos em apoio aos trabalhadores, parcialmente privados de recursos).

Último medo: a falta de coordenação das autoridades públicas que, “como” em 2008, não reagem todas da mesma maneira e ao mesmo tempo. No entanto, há uma boa razão para isso: a epidemia do Covid-19 pode muito bem ser global, vemos que ela não afeta os países ao mesmo tempo e da mesma maneira, como no interior dos países, as regiões não são afetadas da mesma maneira e que, nas regiões, os indivíduos não são afetados da mesma maneira. Isso exige intervenções mais de encaixe do que com uma bazuca mundial.Causas diferentes, mecanismos de transmissão diferentes, efeitos diferentes, crises diferentes, respostas políticas necessárias diferentes – nós nos perguntamos como podemos comparar a crise do subprime com a do coronavírus.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

O coronavírus não é uma nova crise do subprime - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV