Coronavírus? “No Vaticano, os vírus são outros...”

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29 Fevereiro 2020

Esta sexta-feira foi o segundo dia em que o Papa Francisco cancelou as audiências oficiais por causa de um forte resfriado, mas continuou respeitando a sua agenda de compromissos na Casa Santa Marta, a residência onde ele mora desde a sua eleição. Começando pela missa matinal, após a qual – ressaltou uma declaração do porta-voz da Sala de Imprensa vaticana, Matteo Bruni – o papa cumprimentou pessoalmente os participantes, como de costume. Como que dizendo: “Não é contagioso”.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada em L’HuffingtonPost.it, 28-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um esclarecimento que joga um balde de água fria sobre as loucuras que foram jogadas na web, mas também nos artigos da imprensa, em particular anglo-saxônica, na qual, sutilmente, aproximava-se a doença do papa à explosão na Itália do coronavírus.

“No Vaticano, os vírus são outros...”, brincou Francisco com franqueza, respondendo aos seus colaboradores que pediram que ele se resguardasse. E assim, na quarta-feira, apesar da idade e de um forte mal-estar, ele se apresentou regularmente na Audiência geral que (também para evitar possíveis contágios) havia sido confirmada ao ar livre na Praça de São Pedro (e não dentro da Sala Nervi), apesar das rajadas de vento.

Frio e vento pioraram a situação de saúde do pontífice, tanto que, à tarde, na celebração da imposição das cinzas na Basílica de Santa Sabina, o papa assoava o nariz vistosamente e falava com uma voz enfraquecida e muito rouca.

O rito das cinzas (cancelado ou reduzido em muitas igrejas do norte da Itália devido à infecção por coronavírus) foi mantido deliberadamente pelo Papa Bergoglio, a todo o custo, pois marca o início da Quaresma.

Mas, na manhã seguinte (quinta-feira, 26), ele foi forçado a ficar em Santa Marta, em uma espécie de miniquarentena, e não foi ao Latrão para os exercícios do clero romano, confiando a leitura do seu discurso ao cardeal vigário de Roma, Angelo De Donatis.

Nessa sexta-feira, 27, na plenária da Academia para a Vida, o seu discurso também foi lido pelo arcebispo Vincenzo Paglia diante dos participantes de um congresso sobre “Ética e Inteligência Artificial”, durante o qual Microsoft, IBM, Vaticano e FAO assinaram um memorando.

No entanto, a doença sazonal não impediu que o Papa Francisco recebesse, na manhã dessa sexta-feira, os gerentes da Microsoft Corp, da International Business Machines Corp e de outras empresas de informática que participavam do congresso.

Em suma, o papa, embora adoecido, está trabalhando. Apesar da loucura da web de atribuir a sua indisposição ao coronavírus só aumentar, originada até devido ao contato com a fiel chinesa (que primeiro recebeu alguns tapas e depois foi cumprimentada brevemente às margens de uma Audiência de quarta-feira).

Uma parte do pulmão de Francisco foi removida quando ele era jovem, depois de contrair tuberculose. Ele sofre de dor ciática, motivo pelo qual faz fisioterapia regularmente e explica por que ele tem dificuldade em subir escadas. Mas, em geral, ele tem uma boa saúde.

Quanto aos vírus na Igreja, no seu discurso aos padres romanos (ou seja, os de sua diocese), sobre os “pecados públicos e publicizados do clero”, o papa disse: “Diante dos escândalos, o maligno tenta nos empurrar para uma visão ‘donatista’ da Igreja: dentro, os impecáveis; fora, quem erra! Temos falsas concepções (...) em uma espécie de puritanismo eclesiológico. A Esposa de Cristo é e continua sendo o campo em que trigo e joio crescem até a parusia. Quem não assumiu essa visão evangélica da realidade se expõe a indizíveis e inúteis amarguras”.

Foi um discurso de teor semelhante ao proferido durante a abertura do ano judiciário penal vaticano, no dia 15 de fevereiro, quando deixou claro que a história da compra do imóvel em Londres continua sendo uma ferida aberta, mas que, mesmo assim, na Igreja, trigo e joio permanecerão juntos até o fim dos tempos.

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