Finanças do Vaticano, o jesuíta espanhol Juan Antonio Guerrero é o novo prefeito

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16 Novembro 2019

Especialista em contabilidade, estilo sóbrio e espírito de serviço, é o jesuíta espanhol Juan Antonio Guerrero, o novo prefeito da Secretaria para a Economia. O papa o nomeou na última quinta-feira, depois desse posto-chave no organograma do Vaticano ter ficado vago por mais de dois anos.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por La Stampa, 14-11-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

O padre Guerrero sucederá, a partir de janeiro, ao cardeal George Pell (78 anos), que foi o primeiro a desempenhar o papel de "ministro das Finanças" criado por Francisco no início de seu pontificado. Nomeado pelo Papa em 24 de fevereiro de 2014, o cardeal australiano concluiu seu mandato após um mandato de cinco anos em fevereiro deste ano, mas já desde julho de 2017 estava de "licença" em seu país para se defender em tribunal das acusações de pedofilia. Justamente no último 13 de novembro, o Supremo Tribunal da Austrália concordou em examinar, provavelmente no próximo ano, o recurso interposto pelos advogados de Pell.

Juan Antonio Guerrero, 60 anos, formado em economia, foi provincial dos jesuítas espanhóis (2008-2014), missionário em Moçambique (2016-2017), onde ocupou o cargo de tesoureiro da Companhia de Jesus e coordenador de angariação de fundos, além de diretor da escola secundária Inácio de Loyola, e desde 2017 está em Roma como diretor das “casas” internacionais que a ordem administra na cidade eterna (Pontifícia Universidade Gregoriana, Pontifícia Universidade Bíblica, Pontifícia Universidade Oriental, Pontifício Instituto Bíblico, Pontifício Instituto Oriental, Centro Aletti, Observatório Astronômico, Civiltà Cattolica, residência San Pedro Canisio, Colégio San Roberto Bellarmino e Colégio Internacional 'del Gesù').

"Como jesuíta, é uma alegria receber uma missão diretamente do Papa. É uma maneira privilegiada de realizar minha vocação", afirmou o padre Guerrero ao Vatican News. "A obediência que professo sempre me levou a caminhos inesperados, me levou onde eu jamais sonharia pensar e sou grato. Para mim, a obediência é um lugar privilegiado de encontro com o Senhor”. Não há previsão dele ser ordenado bispo. "’Surpresa’ foi a palavra usada quando fui chamado de Moçambique para Roma para ser delegado do P. Geral. Para esse novo serviço, eu deveria procurar outra palavra, porque não estava de maneira alguma no meu campo de possibilidades. Foi algo totalmente inesperado. No começo, me assustou e fiquei bastante atordoado. Mas o recebo com humildade, com confiança no Senhor e na equipe que já está trabalhando na Secretaria da Economia. De minha parte, colaborarei no serviço dessa missão, oferecendo o melhor de mim”.

Na arquitetura introduzida pelo Papa Francisco, se o Conselho para a Economia, liderado pelo cardeal alemão Reinhard Marx, arcebispo de Munique, tem um papel de direção, e ao Revisor que cabe a auditoria interna, a Secretaria para a Economia é "competente para o controle e a supervisão em questões administrativas e financeiras sobre os dicastérios da Cúria Romana, sobre as instituições ligadas à Santa Sé ou que se reportam a ela e sobre as administrações do Governador do Estado da Cidade do Vaticano", como consta nos estatutos.

A economia e a vocação religiosa desde cedo se entrelaçam na biografia do padre Guerrero. Nascido em Mérida em 1959, três irmãos e pai comerciante, matriculou-se na Faculdade de Economia da Universidade de Madri em 1976, mas após dois anos decidiu ingressar no noviciado da Companhia de Jesus. Após os primeiros anos de filosofia, o superior da época fez com que terminasse primeiro seus estudos econômicos, com uma graduação obtida em 1986, depois o jesuíta continuou seus estudos, obtendo uma licenciatura em filosofia, sempre em Madri; uma em teologia, estudando na Espanha, no Brasil e, durante um semestre Erasmus, em Lyon, França; e, finalmente, um doutorado em filosofia política no Boston College, nos Estados Unidos. Ordenado sacerdote em 1992, após um período de formação em Jalisco, México, fez seus votos finais em 1999.

Além das responsabilidades mais puramente gerenciais e de direção, o jesuíta espanhol ocupou cargos em vários setores: tutor e professor universitário. Badajoz, professor de filosofia social e política e trabalho social e sociologia na Pontifícia Universidade de Comillas, em Madri, superior da comunidade, mestre de noviços, membro de uma equipe de promoção das vocações, coordenador das comunidades voluntárias jesuítas. Além dos muitos cargos, ao longo dos anos, o padre Guerrero nunca deixou de conduzir uma atividade de acompanhamento espiritual, orientada principalmente a pessoas ou grupos socialmente desfavorecidos. No início deste ano, inclusive, conduziu os exercícios espirituais para os bispos espanhóis.

Nos próximos cinco anos, será o poderoso "ministro das Finanças" do Vaticano, um setor - marcado ao longo dos anos por muitos escândalos e pela necessidade de reduzir o déficit - que o Papa Francisco iniciou desde o início do pontificado a reformar. Para um filho de Santo Inácio, que desconfiava da riqueza, um serviço a ser realizado em espírito de obediência.

O Superior Geral da Companhia de Jesus, padre Arturo Sosa, nomeou simultaneamente o padre Johan Verschueren, belga, seu delegado para as Casas internacionais. "Aos Padres Guerrero e Verschueren - afirma em nota o padre John Dardis, diretor do escritório de comunicação da Cúria Geral dos Jesuítas - desejamos as graças necessárias para o cumprimento de suas novas funções e os acompanhamos com nossa oração".

"Pessoalmente, parece que tudo mude na minha vida, mas na realidade quase nada muda", disse o padre Guerrero ao Vatican News. "No final, sempre fazemos o mesmo: ‘uma única coisa’, tentar estar com o Senhor, agradecendo muito pelo bem recebido e colocando tudo o que somos e temos ao Seu serviço e ao de Sua Igreja. Obviamente, sou uma pessoa que vem de fora da Cúria Romana e entra em um novo mundo. Vou precisar de algum tempo para me adaptar e aprender, para conhecer e me familiarizar com as pessoas, com os procedimentos, com as relações com outros Dicastérios, etc. E farei isso com total dedicação à tarefa que me foi confiada”.

O Padre Geral da Companhia de Jesus, Padre Arturo Sosa, expressou a alegria da Companhia de Jesus e sua disponibilidade para o serviço ao Santo Padre e à Santa Sé. "Quando o pedido do Santo Padre chegou, o acolhi com abertura e disponibilidade." O padre Sosa, Superior Geral da Companhia de Jesus, pediu à Sua Santidade que essa nomeação não fosse associada ao episcopado, para que o padre Guerrero pudesse retornar, depois de terminar seu serviço, à sua normal vida de Jesuíta.

"Agradeço ao Santo Padre que me concede o cumprimento dessa missão como jesuíta, para que eu possa continuar a sê-lo mesmo quando esse serviço terminar", afirma o padre Guerrero. “Para enfrentar essa tarefa, ajuda-me saber que sou Corpo de Cristo, no qual existem outras pessoas, membros, que se dedicam ao apoio espiritual e de fé das pessoas e das comunidades, ou estão presentes nas fendas e feridas desta humanidade, tentando construir pontes e curar, para que colaborem de maneira mais explícita e visível com a Missão de Cristo, com a qual todos colaboramos".

"Desejo conhecer e começar a trabalhar com a equipe da Secretaria para a Economia da Santa Sé, familiarizar-me com os critérios estabelecidos pelo Conselho de Economia e colaborar na realização dos desejos de Sua Santidade para esse Dicastério. Espero contribuir para a transparência econômica da Santa e fazer uso eficiente dos bens e recursos que estão a serviço da importante missão evangelizadora da Igreja”.

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