Escândalos demais, assim Francisco deslocaliza a Igreja de Roma

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02 Novembro 2019

Confrontos entre Becciu-Parolin e Secretaria de Estado-IOR - Último capítulo: o prédio com o dinheiro das esmolas. A reforma para mudar para o leste e para o sul do mundo. O dinheiro engaiola o pontificado do papa Francisco, sufocando-o e esmagando-o. Sempre que Jorge Mario Bergoglio abre a Igreja para levar oxigênio onde falta, entre as paróquias vazias, as sacristias desoladas, as missas no deserto, em busca de novos fiéis e novos sacerdotes, agora também casados, os pecados e as brigas da Cúria de Roma o bloqueiam. Aliás, o engaiolam. Como no último caso do prédio comprado com o dinheiro do óbolo de São Pedro - ou seja, as esmolas - no centro de Londres com transferências aventureiras de duzentos milhões de dólares na Suíça, hipótese de plataformas de petróleo em Angola, relações com o financista Raffaele Mincione, tensões inauditas entre cardeais do calibre de Pietro Parolin e Angelo Becciu, entre a Secretaria de Estado e o Instituto de Obras Religiosas, mais conhecidas com as iniciais IOR, a investigação interna supervisionada por Francisco, fragmentos cortantes e dolorosos reunidos nas investigações de Emiliano Fittipaldi para o Espresso.

O comentário é de Carlo Tecce, publicado por Il Fatto Quotidiano, 31-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

O que o ex-arcebispo de Buenos Aires espera deixar para a posteridade é a reforma da Cúria, que não deve ser entendida como um seco manual para fundir dicastérios, cortar cargos, tirar o pó da máquina. Significa tirar a Igreja de Roma, da Cúria, do Vaticano. Significa reduzir o controle do Vaticano sobre um projeto da Igreja que ultrapassa os muros leoninos espalhados por poucos quilômetros e que agora reside na África, na América do Sul e no leste do mundo.

Seis anos após o quirógrafo que o estabeleceu, o Conselho de Cardeais – que no meio tempo passou de 9 a 6 membros e com o Cardeal George Pell condenado na Austrália por abusos sexuais contra menores - está pronto para entregar ao Papa Francisco, nos encontros marcados para dezembro, o documento final que reescreve a constituição apostólica promulgada por João Paulo II com o Pastor bônus de 1988. O texto confirma as mudanças já implementadas, como o Ministério da Comunicação ou o Secretariado da Economia, as mudanças introduzidas com sorte alternadas (o mencionado Pell estava na economia) e reduz a número de prefeitos / ministros e estruturas para incorporação como para à divulgação do Evangelho, mas o significado deve ser buscado na ampla lista de delegações sobre temas relevantes - no passado, aconteceu para livros litúrgicos – que são confiadas aos bispos diocesanos e às conferências episcopais nacionais.

Francisco quer "deslocalizar" a Igreja, distribuir o poder, tornar independentes as decisões do clero mexicano ou polonês ou congolês, das mãos de um grupo de cardeais que reina no Vaticano. Agora a Cúria de Roma está ainda mais ou menos intocada e aflita pelo costumeiros tormentos com um duelo, há anos latente e agora evidente, envolvendo o cardeal Pietro Parolin, o secretário de Estado que tem um perfil diplomático e pouca familiaridade com a política e o cardeal Angelo Becciu, que já foi substituto para Assuntos Gerais na Secretaria de Estado e Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Com uma hábil escolha de palavras, Parolin definiu a compra do prédio em Londres como uma "operação opaca sobre a qual tudo será esclarecido em breve". E Becciu, que é uma pessoa bastante inflamada, respondeu com uma declaração às agências de notícias reivindicando a correta gestão do capital sem tirar o "dinheiro dos pobres".

A origem do investimento em Londres através do Óbolo de São Pedro remonta à época de Becciu na Secretaria de Estado e foi concluída pelo sucessor Edgar Peña Parra, no cargo desde 15 de outubro de 2018.

Becciu não gostou do distanciamento com o qual Parolin abordou um assunto que diz respeito a toda a Secretaria de Estado. O caso dos magistrados do Vaticano, que causou a suspensão de cinco executivos, parte de um relatório do IOR e do Auditor Geral sobre transações suspeitas com os fundos das oferendas ao pontífice.

As consequências, não judiciais, são fáceis de prever: o Papa Francisco será forçado a decidir se o Óbolo de São Pedro – estamos falando de 60/70 milhões de euros por ano, um terço destinado à caridade e o restante para os cofres da Santa Sé e as necessidades do papado - ainda deve ser administrado pela Secretaria de Estado ou designado ao IOR. Mais do que faíscas, do Vaticano se enxergam chamas.

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