Escândalo no Vaticano: 200 milhões de euros investidos no palácio de Londres, uma sombra para as reformas. O investimento e as pressões. O papel do cardeal Becciu

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04 Outubro 2019

“Como explicar aos fiéis que o Vaticano do Papa Francisco tem um edifício de luxo na Sloane Square, no coração de um dos bairros mais caros de Londres, no qual foram investidos com alto risco duzentos milhões de euros?” A pergunta vem do coração do poder do Vaticano. E entrega o certificado de fracasso das reformas financeiras que o pontificado devia implementar; e, em vez disso, seis anos depois, repropõe um uso descuidado do dinheiro em todos os níveis. Novamente, cheiro de má-fé, superficialidade na gestão do dinheiro e seleção desastrosa dos auditores e auditados. O fato de o pontífice argentino ter dado luz verde à blitz da Gendarmaria do Vaticano e à "suspensão preventiva" de cinco funcionários abre, não fecha, aquele que se perfila como um novo escândalo com contornos ainda confusos. Projeta novas sombras nos projetos de reforma que foram anunciados, mas não concluídos. E promete subir dos segundos e terceiros escalões para o alto, para a hierarquia eclesiástica. "A verdade é que esse novo escândalo também diz que as reformas de Francisco fracassaram, especialmente as financeiras".

A reportagem é de Massimo Franco, publicada por Corriere della Sera, 03-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

O juízo sem apelação vem de um cardeal próximo ao pontífice argentino. Mas é um reconhecimento que une adversários e aliados de Jorge Mario Bergoglio, embora cada um o declare com objetivos diferentes: com o provável resultado de usar esse desperdício de dinheiro como arma a favor ou contra o Papa; com um olhar direcionado para os grupos do próximo Conclave, quando ocorrer. A ala bergogliana está se preparando para propor novamente a tese de um Francisco determinado a fazer a limpeza; aquela adversária a apontar o dedo para sua incapacidade de governar e fazer escolhas em nome da competência e da honestidade.

Na verdade, não é um tema novo, nem limitado aos anos de Francisco. Problemas semelhantes também afloraram na época de Bento XVI e seus antecessores. E isso diz algo mais e pior em termos do sistema. Mas que a questão se repita agora é impressionante, exatamente porque desfigura o perfil reformador e quase revolucionário de Bergoglio. Nas malhas de um papado social muito popular, projetado para a proteção dos pobres, novo e velho se entrelaçaram e misturaram em um emplastro malcheiroso. A impressão é que, na bolha autorreferencial de Casa Santa Marta, residência do pontífice, tenha se perdido o contato com uma realidade impermeável a todas as proclamações de sobriedade e de renovação. A estrutura que deveria revolucionar a gestão das contas foi decapitada há anos. Com o ex-prefeito de assuntos econômicos, o cardeal George Pell, condenado na Austrália por uma antiga e opaca história de assédios, e nunca substituído. E com o "revisor geral" das contas do Vaticano, Libero Milone, obrigado no verão de 2017 a renunciar sob a ameaça de ser preso, por ter enfiado o nariz em transações e operações tão "excelentes" quanto suspeitas.

Tampouco serviu a cara consultoria financeira de empresas privadas, rejeitada pela estrutura e considerada por fim inútil pelo próprio pontífice, ou as reformas recorrentes do Instituto de Obras Religiosas, o IOR. É de se perguntar por que ninguém percebeu que no vazio teriam sido reafirmadas as práticas usuais e um uso desastroso de fundos destinados em teoria a obras de caridade. Fala-se de avisos dos serviços secretos que chegaram à embaixada italiana em Londres, relatados pelo então embaixador Pasquale Terracciano aos interlocutores do Vaticano, e ignorados: diziam respeito a conhecidos homens de finanças escolhidas para a compra de títulos mobiliários de um fundo luxemburguês transformados em imóveis. Também filtram rumores de recentes pressões sobre o diretor do IOR, Gian Franco Mammì, para obter outros vultuosos empréstimos na esperança de recuperar o capital gasto: pressões que não teriam tido sucesso, porque Mammì teria respondido que ele precisaria ter a autorização do Papa. Um aspecto bastante preocupante diz respeito aos autores dessas pressões. As sombras não se concentram apenas nos cinco executivos da Secretaria de Estado do Vaticano e da AIF, a Autoridade de Informação Financeira que deveria, em teoria, controlar, suspensos ontem do serviço.

Começa a se delinear o perfil de monsenhor Alberto Perlasca, que durante anos guardou as chaves do cofre da Secretaria de Estado do Vaticano; e que em julho passado, Francisco nomeou "Promotor de Justiça". Pelo que se ouve nestas últimas horas de indiscrições confusas e muitas vezes contaminadas por ódios pessoais, também é necessário esclarecer o papel desempenhado pelo ex-Substituto da Secretaria de Estado, hoje cardeal Angelo Giovanni Becciu, que deveria ter um encontro com Francisco em breve; e de seu sucessor, o monsenhor venezuelano Edgar Peña Parra: novo "homem forte" do Vaticano para as relações com o Papa. Peña Parra, de acordo com rumores não confirmados, estaria entre aqueles que pressionaram Mammì a obter novos financiamentos para recuperar o capital desaparecido no investimento londrino. Quanto ao secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, parece que ele realmente não tivesse nenhum conhecimento, também porque sempre preferiu deixar para outros a gestão dos assuntos econômicos. Entre outras coisas, ele teria sido informado pelo papa Francisco apenas algumas horas após a blitz: um detalhe que confirma a pouca comunicação entre Francisco e seu "primeiro ministro" e contribui para alimentar as vozes sobre o crescente desconforto de Parolin.

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