Último mistério do Vaticano levanta mais questões sobre a reforma do Papa do sistema financeiro

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04 Dezembro 2017

Talvez não apenas por coincidência, as más notícias do Vaticano às vezes surgem quando o Papa está fora da cidade, e, portanto, a foco da mídia está momentaneamente em outro lugar.

Quando o Vaticano decidiu processar antigas autoridades de um hospital pediátrico patrocinado pelo papado por desvios financeiros, no início de setembro, por exemplo, o processo começou no dia em que o Papa Francisco partiu numa esperada viagem para a Colômbia, aparentemente na esperança de que estivesse encerrado antes de seu retorno. (Ao que parece, o julgamento na verdade arrastou-se até meados de outubro.)

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 03-12-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O mesmo padrão se repetiu esta semana: Depois de o Papa Francisco chegar em Mianmar, na terça-feira, surgiram notícias de que o leigo italiano Giulio Mattietti, auxiliar do diretor-geral do Instituto para as Obras de Religião, conhecido como "Banco do Vaticano", havia sido demitido do cargo. Os porta-vozes do Vaticano confirmaram que ele foi embora, mas não deram nenhuma explicação do porquê.

Para quem está atento a coisas do tipo, o episódio é uma reminiscência do que aconteceu em junho, quando o Vaticano anunciou inesperadamente que Libero Milone, o favorito de Francisco para o cargo de primeiro auditor geral independente da instituição, estava partindo após três anos de um mandato de cinco. Na época, uma declaração do Vaticano também não dava nenhuma explicação, dizendo apenas que a decisão havia sido tomada de "comum acordo" e desejando sucesso a Milone.

Três meses depois, ele quebrou o silêncio e disse aos repórteres, essencialmente, que o Vaticano havia mentido. Não havia sido um acordo mútuo, ele insistiu – ele teve que sair devido a falsas acusações de má conduta que atribuiu a alguém da "velha guarda" do sistema que queria manter o poder em suas mãos.

Autoridades do Vaticano, entretanto, adotaram uma atitude ofensiva, afirmando que havia provas “contundentes” de que Milone violou as leis do Vaticano espiando pessoas de forma ilegítima, inclusive superiores e pessoas de seu próprio gabinete.

Como nunca houve qualquer acusação oficial, seja pelos supostos crimes cometidos por Milone ou pelos crimes das forças anônimas que ele afirma terem conspirarado contra ele, ainda não sabemos bem o que aconteceu e, portanto, como avaliar a situação.

Respostas a várias perguntas importantes permanecem indefinidas, como: "a saída de Milone foi um passo à frente ou um passo atrás na reforma?" e "quem se beneficiou e quem perdeu com a sua saída?"

Uma névoa semelhante de incerteza parece estar cada vez mais instalada sobre o episódio de Mattietti, que deve resultar no fomento da especulação e das teorias da conspiração. Desde que a história estourou, tenho sido contatado por pessoas do Vaticano que insistem que Mattietti era culpado e que convidá-lo a se retirar faz parte do processo de eliminar os maus atores do sistema, enquanto outros professam que Mattieti era um bom rapaz que deve ter sido vítima de outra trama da velha-guarda.

Outros ainda especulam que isto foi um movimento preventivo para se livrar de qualquer pessoa que pudesse questionar as brilhantes reivindicações que o Vaticano deve fazer ainda este ano a Moneyval, a agência contra lavagem de dinheiro do Conselho da Europa, que deve realizar uma análise das reformas financeiras. Há ainda rumores de que Mattietti ter que vazar documentos confidenciais, criando o terceiro ciclo de vazamentos deste tipo desde 2011.

Tudo o que pode se dizer agora é que na ausência de uma explicação oficial credível, estamos presos em outro giallo, como dizem os italianos, ou seja, um mistério sem solução.

O episódio Mattietti faz parte de uma ampla crise aparente na operação de limpeza de Francisco.

Logo após sua eleição, o novo Papa criou três instrumentos que seriam os alicerces da reforma. O primeiro foi a criação de um novo Conselho de Economia, composto por cardeais e leigos especialistas em finanças, para definir as políticas. O segundo foi a Secretaria de Economia, um novo dicastério para implementar a reforma, e o terceiro foi o Auditor Geral independente, que manteria a honestidade em geral.

Hoje, não há auditor geral, pois Milone foi demitido e nenhum sucessor foi nomeado. A Secretaria está à deriva, já que a pessoa nomeada para liderá-la, o cardeal australiano George Pell, está de volta ao país por tempo indefinido, lutando contra o que a polícia australiana chama de acusações de "abuso sexual histórico". Apenas o Conselho está operando mais ou menos normalmente, embora seus membros sejam caminhem a passos lentos por não estarem em Roma em tempo integral e, portanto, não poderem cuidar das coisas constantemente.

A percepção generalizada é que em uma série de batalhas internas nos últimos três anos, a Secretaria de Estado do Vaticano reconsolidou sua autoridade e seu poder de controle, talvez até mesmo em um grau maior do que o de antes do início do projeto de reforma. Como acredita-se que a Secretaria de Estado também é o baluarte da "velha guarda" do Vaticano, estamos nos aproximando, se ainda não chegamos lá, do ponto em que algumas pessoas estão prontas para pronunciar que a reforma está morta já na chegada.

Certamente, Francisco pode ser perdoado por pensar que lidar com uma das principais crises mundiais de direitos humanos, como aconteceu em Mianmar e Bangladesh em relação ao longo sofrimento da minoria muçulmana dos rohingya, é mais urgente do que ficar ajustando detalhes da gestão financeira no Vaticano. Certamente, também, pode haver algum conforto para Francisco no fato de que os papas mais modernos antes dele – Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI – chegaram ao gabinete com objetivos ambiciosos de "purificar" as operações do Vaticano e, de certa forma, nenhum deles conseguiu.

Ainda assim, o episódio Mattietti nos lembra de que os desafios mais espinhosos de Francisco não aparecem simplesmente pelo caminho. Há também muito trabalho a ser feito em casa.

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