Vaticano afirma ter progresso na reforma financeira

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22 Maio 2014

René Bruelhart, especialista suíço em antilavagem de dinheiro que dirige a Autoridade de Informação Financeira, pronunciou-se, no Vaticano, na segunda-feira.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada pela revista The Boston Globe, 19-05-2014. Atradução é de Leonardo Kussler.

O Vaticano publicou dados mostrando um aumento enorme de transações financeiras suspeitas em 2013, compreendendo-os não como um aumento na atividade ilegal, mas como prova de que os novos mecanismos de transparência, que pretendem alinhar o Vaticano às melhores práticas internacionais, estão funcionando.

De acordo com os números apresentados no dia 19-05-2014, havia 202 movimentações de dinheiro potencialmente suspeitas relatadas aos reguladores do Vaticano, em 2013, em oposição aos seis, em 2012, e apenas um, em 2011.

Os dados foram apresentados em uma coletiva de imprensa, na segunda-feira, por René Bruelhart, especialista suíço em antilavagem de dinheiro que dirige a Autoridade de Informação Financeira, conhecida pela sigla “AIF”, que foi criada, em 2010, no pontificado de Papa Bento XVI, como uma unidade de vigilância financeira.

Bruelhart insistiu que a principal razão para o aumento dos relatos das transações suspeitas é que “o sistema funciona”, refletindo as novas exigências de transparência lançadas no pontificado de Papa Bento XVI e fortalecidas pelo Papa Francisco.

Uma explicação complementar, disse ele, é uma revisão detalhada de todas as 19.000 contas do Instituto para as Obras de Religião, mais conhecido como o “banco do Vaticano”, lançada pelas autoridades, no último ano, e, agora, essencialmente concluído. Essa revisão, liderada pelo Promontory Group, sediado nos Estados Unidos, declaradamente, resultou no fechamento de mais de 1.000 contas, e gerou um alto número incomum de relatos de transações suspeitas.

Paralelamente aos relatos, Bruelhart confirmou que a Autoridade de Informação Financeira realizou uma inspeção formal do banco do Vaticano, examinando, entre outras coisas, seus sistemas de conservar informações de clientes, gravar registros de informações adequados para transações e fazer relatórios quando atividades suspeitas ocorrem.

Bruelhart disse que seu escritório está preparando um “plano de ação” para o banco baseado nos resultados da inspiração, que incluirá “certas medidas corretivas” para assegurar plena implementação do novo regime de transparência, recusando-se a dar detalhes sobre tais medidas.

Antes de vir ao Vaticano, em 2012, Bruelhart serviu como principal autoridade de antilavagem de dinheiro, em Liechtenstein, e deteve posições de liderança em inúmeros grupos globais de transparência. Tornou-se famoso em 2003, ao ajudar a devolver um jato comercial Falcon 50, avaliado em milhões de dólares, ao novo governo iraquiano, após a queda de Saddam Hussein – o primeiro caso, de acordo com relatórios, em que um bem de Saddam fora do Iraque foi repatriado.

Das 202 transações suspeitas que seu escritório sinalizou em 2013, a maioria envolvia atividade nos dois maiores líderes financeiros do Vaticano, a saber, o Instituto para as Obras da Religião, mais conhecido como o “banco do Vaticano”, e a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica, ou APSA, que gerencia o porftólio de investimentos e os patrimônios imobiliários do Vaticano.

O relatório de hoje também apontou para outras medidas de progresso, tais como o fato de a Autoridade de Informação Financeira ter sido admitida, em julho, ao Egmont Group, uma rede internacional de unidades de inteligência financeira, e ter assinado memorandos de acordo com a troca de informações financeiras com nações como Estados Unidos, Alemanha, Itália e Austrália.

Além disso, citou um relatório de dezembro de 2013, de Moneyval, o Conselho da Agência Antilavagem de Dinheiro Europeu, que achou que “muito trabalho tem sido feito em pouco tempo” para alinhar o Vaticano às melhores práticas globais.

Ernst von Freyberg, um empresário alemão contratado como presidente do banco do Vaticano pouco antes da renúncia de Papa Bento XVI, em fevereiro de 2013, disse ao Globe que Bruelhart tem tido um impacto significativo.

AIF tem sido o elemento mais importante no Vaticano em permitir-nos a dar continuidade ao nosso programa de reforma”, disse von Freyberg, em 19 de maio.

Von Freyberg também disse que o apoio de Bruelhart para a campanha de limpeza tem sido crucial para ajudar o banco do Vaticano a manter suas relações com outras instituições financeiras em todo o mundo.

“O fato de que René Bruelhart e eu somos vistos andando na mesma direção, e de ele ter arriscado sua reputação, a fim de dizer ‘acredito que isso está sendo bem feito’”, referindo-se ao esforço da reforma, “foi crucial para nós, no verão e no outono de 2013, para manter nossas relações com nossos bancos contrapartes”, disse ele.

Entre outras coisas, a apresentação de hoje pareceu sublinhar que Bruelhart desfruta de forte apoio de Papa Francisco, apesar de eventuais críticas e resistências.

No último outono, por exemplo, um jornal italiano afirmou que o leigo de 42 anos está recebendo o que ele chama de um salário “altamente não franciscano” de 30.000 euros por mês mais 5.000 euros para despesas, enquanto outras reportagens levantaram questões sobre potenciais conflitos de interesses decorrentes de seus vínculos com empresas de negócios suíças.

Os dois pontos surgiram na coletiva do Vaticano, com Bruelhart recusando-se a comentar sobre seu salário, mas insistindo que trabalho para a AIF e que suas outras relações não instituem um conflito.

Em janeiro, uma carta ao Secretário de Estado do Vaticano do conselho de cinco membros da direção da AIF, todos eles italianos, com vínculos estreitos a instituições financeiras italianas, queixava-se que membros estavam sendo mantidos às escuras por Bruelhart sobre as atividades da agência.

Duas semanas após essa carta ter vazado na mídia, Francisco aceitou a renúncia de presidente da AIF, o cardeal italiano Attilio Nicora, e o substituiu por um bispo italiano chamado Giorgio Corbellini, um amigo e ex-colega do atual núncio nos Estados Unidos, arcebispo Carlo Maria Viganò, que era visto como um reformador financeiro durante seu mandato como Governador da Cidade do Vaticano.

Nos próximos dias, espera-se que Francisco nomeará um novo conselho de diretores para a AIF que será mais internacional em sua composição e composta por pessoas com expertise financeira. Nos bastidores, autoridades dizem que se espera que a disposição fortaleça a mão de Bruelhart, uma vez que ele entrara em conflito com o grupo anterior predominantemente italiano.

Em mais um sinal de apoio, Bruelhart também vem dando a luz verde à expansão de seu pessoal, apesar de um congelamento total de contratações no Vaticano imposto em fevereiro.

O trabalho da AIF é parte de uma reforma mais ampla dos sistemas financeiros do Vaticano implementada por  Francisco, que também inclui sua recente decisão de criar um novo “Secretariado de Economia” para impor disciplina fiscal. Bruelhart elogiou esse movimento, hoje, como um “passo em direção à transparência e ao profissionalismo”.

O pontífice confiou o novo departamento ao cardeal australiano George Pell, que, ao longo dos anos, tem sido uma voz de liderança para maior transparência e eficiência no gerenciamento do dinheiro no Vaticano.

No início de abril, Pell desempenhou um papel de destaque através de uma afirmação pública do Papa Francisco, confirmando que o banco do Vaticano “continuará a servir com prudência e fornecerá serviços financeiros especializados à Igreja Católica no mundo inteiro”, anulando, com efeito, as especulações de que o banco poderia ser fechado.

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