''Assim o Vaticano soube derrubar o último muro.'' Entrevista com Angelo Becciu

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • Bartomeu Melià: jesuíta e antropólogo evangelizado pelos guarani (1932-2019)

    LER MAIS
  • Bolsonaro institui o Dia do Rodeio na Festa de São Francisco de Assis

    LER MAIS
  • “O transumanismo acredita que o ser humano está em um suporte equivocado”, afirma filósofo

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

12 Maio 2015

"A audiência concedida a Raúl Castro foi algo não programado para o papa. Quando eu lhe apresentei o pedido, ele aceitou de bom grado, embora fosse domingo. O fato de ter estado em conversa por uma hora é um sinal muito positivo", conta o arcebispo Angelo Becciu, sostituto da Secretaria de Estado e artífice do encontro, durante anos núncio em Cuba.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada no jornal Corriere della Sera, 12-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O presidente cubano, na saída, disse: "Se o Santo Padre continuar assim, eu volto a ser católico", e não estava brincando. "Nós costumávamos dizer: 'Não me peçam para ir à missa, porque já me bastaram as que eu ouvia quando menino, quando estava no colégio dos jesuítas'." Agora, ao contrário, sente-se tentado a voltar a ser católico.

O Papa Francisco é extraordinário ao saber criar relações humanas seja com pessoas simples, seja com os "grandes" da Terra. "Ele sabe entrar no coração das pessoas, e elas ficam fascinadas com a sua capacidade de escuta e discernimento."

Eis a entrevista.

Quanto tempo vai durar a visita do papa a Cuba?

Para desejo expresso do Papa Francisco, serão dois dias cheios e eles terão, como em todas as suas viagens, uma conotação claramente pastoral.

O tema comum com o governo cubano é a ajuda aos pobres.

Eu gostei de uma declaração de poucos dias atrás do ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, com a qual ele afirmava que em Cuba eles estavam prontos para assinar embaixo de todos os discursos feitos pelo Papa Francisco sobre a pobreza e as desigualdades.

Quanto a diplomacia vaticana trabalhou para pôr fim ao embargo dos Estados Unidos?

Já foi dito, e aqui eu reafirmo, que o verdadeiro diplomata em toda essa questão foi o Papa Francisco. A Secretaria de Estado, acima de tudo o cardeal Parolin, deu o seu melhor ao interpretar as indicações do papa. Depois, se quisermos afirmar que certos resultados não são alcançados da noite para o dia, então eu concordo em reconhecer que a diplomacia vaticano, ao longo das décadas, desempenhou o seu papel tenaz e paciente. Agora, uma virada também graças ao cardeal Ortega e aos bispos cubanos.

A Cúria, porém, é vista como um grande obstáculo para o papa. É isso mesmo?

Parece-me que, sobre esse ponto, há muitas fantasias. Eu desembarquei na Cúria há apenas quatro anos e descobri que se conformar com aquilo que o papa deseja e executar aquilo que ele decide é o ponto de honra de todo bom curial, seja ele um simples oficial como um cardeal-prefeito de dicastério. Existe diversidade de opiniões? Viva Deus! Mas são necessários yes man ou homens livres e inteligentes que lealmente ajudem o papa no governo da Igreja? Veja, o papa é o primeiro que quer que, sobre as várias questões, diga-se livremente a própria opinião. O que importa é que, uma vez expressado o seu parecer, aceitem-se sinceramente as decisões do papa. Essa é para mim a verdadeira obediência.

Para Víctor Manuel Fernández, reitor da Universidade Católica de Buenos Aires, a Cúria não é essencial, mas só o papa e os bispos.

Aquilo que Dom Fernández diz é verdade. Todos aprendemos desde o catecismo: Jesus escolheu os 12 apóstolos com Pedro à frente do colégio, ou seja, o papa e os bispos como pastores do seu rebanho, prontos para dar a vida uns pelos outros. No meio disso, há a história de dois mil anos de Igreja, em que, de acordo com as exigências organizacionais do momento, criaram-se diversas estruturas não contempladas pelo Evangelho, mas que contribuíram para o crescimento da comunidade cristã. Se tivéssemos que olhar para o essencial e nos determos nos primeiros tempos da Igreja, não deveria haver as igrejas, os seminários, os conventos, os vários institutos religiosos, as conferências episcopais etc... Eu não acho que se queira zerar o que o Espírito soube criar ao longo dos séculos. É claro que a própria Cúria nasceu por exigências organizacionais e não por explícito mandato divino. Basta nos entendermos sobre o que hoje se quer para tornar a imagem da Igreja mais evangélica e o serviço ao papa à altura dos tempos.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

''Assim o Vaticano soube derrubar o último muro.'' Entrevista com Angelo Becciu - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV