Vaticano. Novo vazamento aprofunda o escândalo financeiro

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18 Outubro 2019

Parece ser muito mais que um Vatileaks, como o escândalo foi chamado pelo vazamento de documentos reservados que abalaram o pontificado de Bento XVI. Alguns dias após a saída inesperada do chefe da segurança do Papa, Domenico Giani, devido ao vazamento de um documento confidencial interno relacionado a um novo escândalo financeiro que está sendo investigado, hoje houve um vazamento ainda maior com repercussões devastadoras.

 A reportagem é de Elisabetta Piqué, publicada por La Nación, 17-10-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O semanário L'Espresso obteve as 16 páginas do resumo secreto da magistratura do Vaticano, que realizou uma busca no último dia 1º de outubro nos escritórios do Secretário de Estado. Os promotores do Vaticano, que investigam operações financeiras irregulares realizadas precisamente por este dicastério, teriam descoberto uma operação financeira escandalosa: que o Secretário de Estado gere com turbidez os fundos do Óbolo de São Pedro - o dinheiro que chega à caridade, em teoria destinado a obras de caridade, no valor de 650 milhões de dólares.

Novamente foi o jornalista da L'Espresso Emiliano Fittipaldi, que obteve delicados papéis reservados. Já em 2 de outubro, ele havia divulgado o memorando interno da Gendarmeria do Vaticano, que relatou a proibição de entrada no Vaticano a cinco funcionários do Secretário de Estado, suspensos apenas por esta investigação. Esse vazamento foi considerado por Francisco “um pecado mortal” porque destruiu a reputação das pessoas na época nem sequer processadas e custou o cargo a Giani, o ex-anjo da guarda de Francisco.

“Está claro que a Santa Sé está enfrentando um escândalo que tem poucos precedentes na história recente”, escreveu Fittipaldi, que não hesitou em definir suas descobertas como “um tsunami devastador”. O jornalista disse que os investigadores do papa, Gian Piero Milano e Alessandro Diddi, acham que identificaram “sinais graves de peculato, fraude, abuso de poder, reciclagem e autoreciclagem", enquanto outro relatório do revisor geral do Vaticano, que também caiu em suas mãos, aponta "crimes muito graves, como apropriação indébita e corrupção".

Um escândalo sem precedentes

Os negócios que terminaram sob a lupa destacam o influente cardeal italiano Angelo Becciu, ex-secretário da Secretaria de Estado, ou seja, número três da Santa Sé de 2011 a meados de 2018, quando o papa Francisco o substituiu pelo venezuelano Edgar Peña Parra e o transferiu para a Congregação para as Causas dos Santos. O ex-secretário particular de Becciu, dom Mauro Carlino, é um dos cinco funcionários suspensos. Peña Parra também está envolvido, mas em menor escala e para tentar corrigir as irregularidades cometidas por seu antecessor.

O mais perturbador é que a investigação da magistratura do Vaticano – na qual aparecem consultores financeiros italianos que cobram comissões chocantes – revela que o Secretário de Estado é dono e gerencia fundos gigantescos de saldo extra, de nada menos que 650 milhões de euros “que derivam no máximo de parte das doações recebidas pelo Santo Padre para instituições de caridade e para o apoio da cúria romana”. “Este é o Óbolo de São Pedro, que deve ser destinado aos pobres e, em vez disso, o Vaticano investe em operações especulativas arriscadas”, diz Fittipaldi, que detalha que 77% desses ativos estão nas subsidiárias do Credit Suisse. Segundo o escritório do revisor geral, aproximadamente 500 milhões de euros terminaram em operações financeiras com “irregularidades vistosas” que “abrem cenários perturbadores”.

Segundo a L'Espresso, o escândalo financeiro remonta a tempos anteriores a Francisco. Tudo começou no final de 2012, após uma operação do número dois de Bento XVI, hoje Papa Emérito, cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, e seu substituto, Becciu. Depois, a ideia de investir 250 milhões de dólares em uma plataforma de petróleo em frente a Angola - país africano onde Becciu fora núncio (embaixador da Santa Sé). Esse negócio não prosperou porque foi considerado “antieconômico”. Raffaele Mincione, corretora amiga dos cardeais, aconselhou-os a investir em um prédio na Sloane Avenue, em Londres – um antigo armazém da Harrods de 17 mil metros quadrados. A ideia era transformar o espaço comercial em um local residencial de cerca de cinquenta apartamentos de luxo. O investimento foi feito através de fundos de Luxemburgo, mas as coisas não funcionaram, também por causa do Brexit.

Foi precisamente para consertar esse mau investimento que o sucessor de Becciu, o venezuelano Peña Parra, pediu em junho deste ano ao Instituto para as Obras Religiosas (IOR) 150 milhões de euros, o banco do Vaticano. Seu diretor, Gianfranco Mammí, rejeitou o pedido e fez, com o aval do Papa, a magistratura do Vaticano para iniciar uma investigação criminal explosiva em julho. Embora ainda não tenha terminado, também envolveu a Autoridade de Informações Financeiras do Vaticano (AID), a entidade responsável por monitorar se não há movimentos suspeitos de dinheiro. Outro oficial em visão suspensa, de fato, é seu diretor, Tommaso Di Ruzza.

A L'Espresso relata cuidadosamente a existência de mais fundos e a aparência de outro corretor, Gianluigi Torzi, que teria recebido uma comissão milionária. Ele ressalta que os documentos secretos obtidos – talvez através dos advogados das pessoas envolvidas – correm o risco de serem usados para “responsabilização” interna. E ele conclui que “não será fácil para Francisco, diante do novo escândalo, se orientar entre verdadeiros inimigos, falsos amigos, bons e maus conselheiros”.

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