“O Vaticano está em risco de falência financeira”: entre mau humor e traições, como falhou a revolução prometida pelo Papa Francisco

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22 Outubro 2019

Em Giudizio Universale (Juízo Universal, em tradução livre, publicado por Chiarelettere) o jornalista Gianluigi Nuzzi revela os documentos confidenciais que atestam a difícil situação econômica dos cofres da Santa Sé. No pano de fundo, o clima turvo que se vive naqueles sagrados palácios, e que emerge dos documentos secretos publicados pelo autor do livro.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 21-10- 2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

O Vaticano está em risco de inadimplência. Se as contas não forem sanadas até 2023, a Santa Sé poderá ser atingida por um colapso financeiro. É isso que emerge dos documentos publicados no novo livro de Gianluigi Nuzzi, Giudizio Universale publicado pela Chiarelettere. Uma obra que, assim como os textos anteriores do jornalista sobre o Vaticano revela os bastidores inéditos e nada menos do que inquietantes da vida dos sagrados palácios. Um texto que chega enquanto o Papa está envolvido com o Sínodo especial dos bispos sobre a Amazônia que, em 26 de outubro de 2019, será chamado a decidir se deve dar luz verde aos chamados "viri probati". Ou seja, homens casados ​​que são ordenados padres sem deixar sua família. Mas também sobre a investigação imobiliária que revirou a Secretaria de Estado e já obrigou a se demitir o agora ex-comandante da Gendarmaria do Vaticano, Domenico Giani.

Reprodução das capa do Livro

"A situação - explica Nuzzi - é certamente pior do que quando o antecessor de Francisco, Bento XVI, decidiu dar um passo atrás. Todos os parâmetros caíram, por exemplo, para a APSA (Administração do patrimônio da Sé Apostólica, ndr), os parâmetros dos resultados operacionais mostram quedas de mais de 60%. Mas acredito que o Santo Padre está determinado a reverter a inclinação em relação com o que não é uma ferida, mas uma hemorragia. Como? Os instrumentos que ele possui são insuficientes. Na minha opinião, estamos diante de um colapso da gestão da Cúria, os instrumentos são ultrapassados, conforme atestam os documentos, ainda são utilizadas transcrições manuais dos números na era da inteligência artificial, há uma divisão de competências e há inadequação da classe gestora, isso são eles mesmos que o atestam”.

Segundo o jornalista, "também há uma situação econômica negativa, porque as oferendas caíram e é evidente nos documentos a ineficiência da gestão do patrimônio imobiliário. Na Apsa, por exemplo, 40% não dão renda, um valor que seria insuportável para qualquer tipo de finança. Aquela anunciada revolução da gestão das casas não aconteceu". Para Nuzzi, "a situação é tal que, recentemente, em 2018, foi decidido vender as joias da família, por exemplo, vender perto de Roma, a propriedade de Santa Maria di Galeria, 424 hectares, e o Papa disse que havia um problema de reputação, disse ele, oponho-me a um uso especulativo do território que visa à mera maximização de lucros. Aqui retorna a doutrina da Igreja, o risco, o medo de um dano à reputação que levou a congelar aquela operação".

No livro, não há apenas economia. Nuzzi consegue dar ao leitor uma fotografia do clima turvo que se respira no Vaticano. A insatisfação com as políticas de Bergoglio, não apenas no campo financeiro, criaram numerosos mal-humores e traições por parte dos colaboradores mais próximos do papa nos últimos anos do pontificado. Nesse sentido, a reconstrução que o jornalista faz é bastante significativa, sempre com base nos documentos, do episódio da carta adulterada de Bento XVI. Episódio que levou à renúncia do primeiro prefeito do Dicastério da Comunicação, monsenhor Dario Edoardo Viganò, substituído por Paolo Ruffini, primeiro leigo à frente de um órgão da Cúria Romana.

"Caro Dario, infelizmente você fez uma grande bagunça. Sinto muito. GG”, escreve a Viganò D, Georg Gänswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário particular de Bento XVI. A resposta é pontual: "Mas como? Eu li o trecho em que tínhamos concordado com os exercícios. Isso mostra, aliás, como essas pessoas não gostem de Bento XVI e o usam como bandeira. Sinto muito que você pense assim. Demos certamente bons passos juntos e compartilhamos o que fazer. Por que você está me dizendo isso? De qualquer forma, estou a caminho do aeroporto agora, mas voltarei amanhã e pensa se podemos conversar. D". Ao que Gänswein responde: "Vamos falar sobre isso. A 'manipulação' da foto da carta causou problemas. Sobre isso não concordamos. Tenha uma boa viagem, até amanhã. GG". D. Viganò escreve ao Papa e à Secretaria de Estado que leu a carta de Bento XVI "na modalidade acordada" com D. Gänswein e acrescenta: "É evidente que, se Sua Excelência tivesse intervindo para explicar que nenhuma mistificação havia sido feita, o caso teria sido encerrado".

Nuzzi, através de seu advogado, quis depositar a primeira cópia do “Guidizio Universale” ao promotor de justiça da Santa Sé para que avaliasse se os fatos relatados no livro têm aspectos penais. Em 2015, o jornalista foi processado pelo Vaticano, juntamente com seu colega Emiliano Fittipaldi, justamente porque ambos haviam publicado dois livros com alguns documentos confidenciais da Santa Sé. Após nove meses de processo, ambos foram absolvidos por defeito de jurisdição. Na véspera da primeira apresentação de “Giudizio Universale”, também houve quem no Vaticano o tenha considerado um verdadeiro "caso diplomático". Entre os relatores, de fato, estava previsto o ministro das Relações Exteriores italiano, Luigi Di Maio. Uma presença indesejada nos sagrados palácios que, segundo algumas pessoas próximas à Casa Santa Marta, residência de Bergoglio, poderiam até minar as relações entre a Itália e a Santa Sé. A equipe de Di Maio disse que o chefe do Ministério das Relações Exteriores estaria ausente porque ele estava envolvido no Conselho de Ministros. Para a tranquilidade do Vaticano.

 

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