A Gendarmeria vaticana investiga o marido de Francesca Chaouqui na trama de documentos vazados

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Por: André | 06 Novembro 2015

A Gendarmeria vaticana investiga Corrado Lanino, especialista em informática e marido de Francesca Chaouqui, por seu possível envolvimento no escândalo de vazamento de documentos pelo qual a italiana e o padre espanhol Lucio Vallejo Balda foram presos e interrogados.

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 04-11-2015. A tradução é de André Langer.

Lanino trabalhava, até o começo do escândalo, para a Fundação Santa Lúcia de Roma, um organismo dependente da Santa Sé, sendo máximo responsável pelo terceiro nível de segurança do sistema de comunicações vaticanas, conhecido como “Arcanjo Gabriel”. O nível pirateado é o segundo, o “Arcanjo Rafael”, ao passo que o nível máximo – que não foi tocado – é o “Arcanjo Miguel”.

Ambos, Chaouqui e Lanino, aparecem publicamente quando, há um pouco mais de um ano, posaram nas redes sociais – e na revista Panorama – por causa da nomeação da italiana como membro do COSEA, o organismo encarregado da reforma econômica vaticana, onde trabalhou lado a lado com Vallejo Balda, de quem se tornou íntima, convertendo-se em imprescindível.

O nome da “broker” foi vinculado ao do jornalista Gianluiggi Nuzzi, autor de Sua Santidade, o livro que trouxe à tona o escândalo Vatileaks e autor de um dos dois livros, Via Crucis (o outro é Emiliano Fittipaldi, com Avareza). Em alguns ambientes vaticanos ganha força a hipótese de que Vallejo Balda tenha sido uma “vítima útil” para a gravação e vazamento de alguns documentos, em especial aqueles referentes diretamente ao Papa Francisco (qualquer um dos dois teria acesso aos documentos do organismo econômico). A própria investigação reconhece que o religioso espanhol não tinha conhecimentos de informática suficientes para nenhum tipo de hacker.

O que parece claro é que, após a descoberta da trama, Vallejo Balda teria envolvido diretamente a Chaouqui e que esta, por não ser funcionária do Vaticano – não pode ser presa nem julgada sem uma “extradição” por parte da Itália –, decidiu jogar toda a responsabilidade sobre o padre, negando qualquer relação. Mais ainda: acusando-o diretamente e afirmando que “eu tentei impedi-lo”.

A colaboração a posteriori demonstrada por Chaouqui, que na terça-feira foi chamada novamente para declarar, segue os mesmos passos que durante a investigação do caso Vatileaks: ninguém duvidou naquela vez de que o mordomo Paolo Gabriele foi um cabeça de turco, mas foi o único que as autoridades vaticanas puderam julgar. Questão diferente são as motivações que levaram Vallejo Balda a agir dessa maneira, que serão conhecidas conforme avançar a investigação, elucidando se só agiu por despeito, se foi enganado ou se simplesmente tentou “ajudar” o Papa.

Seja como for, o certo é que as antecipações dos livros que serão publicados nesta quinta-feira refletem a luta do Papa Francisco contra a corrupção e o desperdício. Em um dos textos, publicado por Nuzzi, vê-se como Bergoglio defende o não pagamento no caso de não haver orçamentos prévios e autorizados. “Se alguma coisa é feita sem orçamento prévio e sem autorização, não se paga. (...) Clareza! Isto se faz nas empresas mais simples e temos que fazê-lo também nós”, assinala o Papa.

Em outro momento, o Pontífice urge estudar cuidadosamente todos os contratos, pois escondem “muitas armadilhas”, e destaca que “os nossos provedores devem ser empresas que garantem a honradez e que proponham o preço justo de mercado para os produtos e serviços. Alguns não garantem isso”.

Fittipaldi, por sua vez, revela dados desconhecidos sobre os orçamentos no Vaticano. Assim, a Santa Sé teria propriedades no valor de 4 bilhões de euros, que em sua maior parte não produzem benefícios, ao passo que a Rádio Vaticano tem um déficit de 26 milhões de euros ao ano, por outros 5 milhões do L’Osservatore.

Em Avareza, Fittipaldi revela uma longa conversa com um monsenhor vaticano – que hoje todos identificam com Balda – em que se critica duramente George Pell, que é chamado de “sociopata” e que teria gastado meio milhão de euros em seis meses. “Deve saber – afirma o texto – que a Santa Sé vende combustíveis, cigarros e roupas sem impostos, arrecadando 60 milhões de dólares ao ano”.

Também se critica os gastos do ático de Bertone e de outros hierarcas vaticanos, como Demenico Calcagno ou Carlo María Viganò, assim como o desvio de fundos da Fundação Menino Jesus. Também que o Vaticano investiu em corporações como a Exxon ou a Dow Chemical. E a lista de documentos continua, enquanto a Polícia vaticana segue sua investigação.

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