Sodoma, poder e escândalo no Vaticano

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24 Janeiro 2019

Há uma grande atividade promocional de diversas editoras de todo o mundo que venderão, em oito idiomas, no próximo dia 21 de fevereiro, o livro que uma editora portuguesa apresentou há poucos dias como “o mais surpreendente caso editorial de 2019”. Trata-se do livro do sociólogo francês Frédéric Martel, pesquisador do Iris – Institut de Relations Internationales et Stratégiques, intitulado “Sodoma, potere e scandalo in Vaticano” [Sodoma, poder e escândalo no Vaticano].

O comentário é de Luis Badilla, publicado em Il Sismografo, 23-01-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os promotores publicitários do livro garantem que se trata do fruto de uma pesquisa do autor que durou cinco anos. Martel, que também é jornalista, aborda há muitos anos o tema “homossexualidade e poder”, assim como com a mídia no mundo globalizado.

(Foto: Divulgação)

A editora Feltrinelli, que publicará o livro na Itália, já publicou de Martel “Mainstream, o come si costruisce un successo planetario e si vince la guerra mondiale dei media” (2010), “Global Gay” (2014) e “Smart. Inchiesta sulle reti” (2015).

O autor é colaborador da Radio France e pesquisador sênior da ZHdK University (Zurique). De acordo com as fichas de apresentação do livro, mesmo que no sistema narrativo, a suposta homossexualidade de inúmeros homens da Igreja em posições relevantes de poder é uma questão central, na realidade o autor teria a intenção de ilustrar e dissecar um sistema de poder, gradualmente gangrenado desde os tempos do pontificado de Paulo VI.

O autor enfatiza muitas vezes um fato que, em sua opinião, é insuportável: essas pessoas decidem também sobre questões relativas à vida alheia e, em particular, pronunciam sentenças éticas e morais.

O livro também estaria cheio de nomes específicos e acompanhado por inúmeras entrevistas. Ao longo do relato, muito crítico sobre a Igreja e muito hostil em relação à hierarquia vaticana e das Igrejas particulares, também se abordam outros assuntos, como a corrupção de todos os tipos, moral, eclesiástica e financeira, os conluios e conivências com regimes políticos igualmente corruptos, autoritários e antidemocráticos.

Uma parte fundamental do livro é dedicada à pedofilia clerical e ao que a Igreja tem feito a esse respeito. O autor, em certo ponto, falando sobre a reforma da Igreja, faz uma pergunta que percorre todo o relato: o que um papa deveria fazer para reformar uma instituição que passa por uma situação como a que o livro descreve e que acredita ser a realidade atual da cúpula do catolicismo?

Alguns analistas e observadores chamaram atenção para o fato de que Martel aborda esse assunto precisamente no momento em que uma certa oposição ao pontificado de Francisco, em particular nos Estados Unidos, há meses, defende e alimenta uma campanha contra a Santa Sé, acusando a hierarquia vaticana de conivência com práticas e comportamentos homossexuais. Não só isso. Alguns teóricos dessa abordagem enfatizam uma suposta relação entre homossexualidade e pedofilia no clero.

Para saber mais, será preciso esperar o lançamento do livro, no dia 21 de fevereiro, quando iniciará no Vaticano o encontro episcopal sobre a pedofilia na Igreja.

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