Cardeal Parolin critica operação imobiliária com o dinheiro do Óbolo de São Pedro

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30 Outubro 2019

“Uma operação opaca sobre a qual a magistratura vaticana lançará luz.” O cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, não se desequilibra – no perfeito estilo de diplomata de longa data – ao comentar os negócios imobiliários milionários em Londres, sobre os quais está em curso uma investigação no Vaticano, que levou até agora à suspensão de cinco empregados da Santa Sé. Entre eles, o diretor da Autoridade de Informação Financeira (AIF), Tommaso Di Ruzza, “exonerado” pela própria autoridade com um comunicado do presidente René Brülhart.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por La Stampa, 29-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A investigação iniciou após as reclamações dos últimos meses por parte do Instituto para as Obras de Religião (IOR) e do escritório do Auditor Geral, que também investiu contra o dicastério presidido pelo cardeal, a Secretaria de Estado, o escritório que colabora mais de perto com o papa, com o vasculhamento de documentos e de computadores no dia 1º de outubro passado.

Essa operação foi autorizada pelos promotores vaticanos Gian Piero Milano e Alessandro Diddi e executada pelos gendarmes, liderados naquele momento pelo comandante Domenico Giani, que renunciou no último dia 15 de outubro, da qual parece que Parolin nem havia sido avisado.

“Agora, estamos trabalhando para esclarecer tudo”, disse o primeiro-ministro da Santa Sé às margens de um evento no Palácio Borromeo nessa terça-feira. E, sobre as perguntas sobre a administração do Óbolo de São Pedro, o fundo que coleta as ofertas dos fiéis ao papa para as obras de caridade (mas também para o sustento da Cúria), ele simplesmente respondeu: “Eu acredito que ele é bem administrado”.

Enquanto isso, as investigações continuam – tentando permanecer o mais longe possível dos holofotes – por vontade de Francisco, que continua pregando que “chegou a hora da transparência para a Igreja”.

Nesse turbilhão em que figuram os nomes do financista Raffaele Mincione, do ex-vice-secretário de Estado, o cardeal Angelo Becciu (sob cujo ministério teriam sido realizadas as transações suspeitas), e o seu sucessor, o venezuelano Edgar Peña Parra (que parece que quis remediar a operação imprudente), acabou também o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte.

Nessa segunda-feira, o Financial Times afirmou que um fundo de investimento apoiado pela Santa Sé, para o qual Conte fez uma consultoria legal, uma semana antes de se tornar primeiro-ministro, está no centro de uma investigação por corrupção financeira. O fundo em questão seria o Athena Global Opportunities de Mincione, que teria participado do famoso investimento em um imóvel de prestígio em Sloane Square, no coração da capital britânica.

Por enquanto, parece ser “infundado” o envolvimento de Conte nesse caso, como foi afirmado por muitos nos Sagrados Palácios. Parolin não o mencionou no breve diálogo com a imprensa no Palácio Borromeo.

Para a cúpula da Santa Sé, agora que o Sínodo sobre a Amazônia terminou, as prioridades são muito diferentes. Começando pela viagem do papa ao Japão e à Tailândia, de 19 a 26 de novembro. Segundo o secretário de Estado, será uma visita importante, pois é uma ocasião para o papa lançar “um apelo para levar o desarmamento a sério, com referência aos principais lugares que ele visitará, isto é, Hiroshima e Nagasaki”.

“Hoje, estamos realmente em grande perigo”, disse o cardeal. “A tendência é o rearmamento e o aumento dos arsenais, em vez da sua diminuição, sem levar em conta que isso não produz uma maior segurança, mas subtrai recursos de um desenvolvimento sustentável de todos os homens e de todas as mulheres.”

A mesma preocupação foi expressada pelo purpurado em relação à Síria, onde precisamente nessa segunda-feira a trégua foi interrompida por violentos combates na região norte, entre as forças do regime de Damasco e as turcas. “A situação na Síria nos preocupa, continua nos preocupando e parece não ter muitas perspectivas de solução. A Santa Sé sempre insistiu realmente nessa importância do diálogo e da negociação para resolver esses problemas, que, porém, parecem marcar um pouco o ritmo e continuam provocando grandes sofrimentos, principalmente no nível da população”, afirmou Parolin.

Ele se mostrou prudente quanto às perspectivas de pacificação abertas pela morte do califa do Estado Islâmico, al-Baghdadi, morto na operação “Kayla Mueller” pelas forças especiais dos EUA. “A guerra contra o ISIS havia sido declarada como já encerrada”, comentou o cardeal. “O importante neste caso é erradicar a cultura que provocou esse fenômeno, portanto, dando respostas como as que as populações do Iraque estão pedindo.” Somente através de “um trabalho forte em nível social e cultural é que esses desvios que se manifestaram na experiência do ISIS poderão ser evitados”.

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