Papa diz que colocar a economia antes das pessoas seria “genocídio viral”

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01 Abril 2020

Em uma carta manuscrita a um amigo argentino, Francisco diz que salvar vidas deve ser a prioridade no combate à Covid-19.

A reportagem é de Nicolas Senèze, publicada em La Croix International, 31-03-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa Francisco alertou os líderes para não colocar a economia antes do seu povo em resposta à pandemia do coronavírus, dizendo que isso poderia provocar um “genocídio viral”.

Em uma carta manuscrita do dia 28 de março ao juiz Roberto Andrés Gallardo, da sua terra natal, a Argentina, o papa elogia aqueles governos que adotaram “medidas exemplares” para defender o seu povo.

Em sua carta, que foi publicada pela mídia argentina, o papa manifesta preocupação com o “crescimento em progressão geométrica da pandemia”.

Mas ele diz que está “edificado pela reação de tantas pessoas, médicos, enfermeiras, enfermeiros, voluntários, religiosos, sacerdotes que arriscam suas vidas para curar e defender as pessoas saudáveis do contágio”.

A prioridade: as pessoas

Assinalando que vários governos adotaram ‘medidas exemplares” para deter a propagação do vírus, Francisco reconhece que elas podem “incomodar” as pessoas que precisam segui-las.

“Mas é sempre pelo bem comum, e, em longo prazo, a maioria das pessoas as aceita e se move com uma atitude positiva”, escreve ele.

“Os governos que enfrentam a crise assim mostram a prioridade de suas decisões: primeiro as pessoas”, acrescenta o papa, admitindo que “defender as pessoas pressupõe um descalabro econômico”.

Mas ele diz que a alternativa seria pior: “Seria triste se se optasse pelo contrário, o que levaria à morte de muitíssimas pessoas, algo assim como um genocídio viral”.

“Preparando-se para o depois”

Francisco também insiste na necessidade de se “preparar para o depois”.

“Já se notam algumas consequências que devem ser enfrentadas”, explica ele.

Ele cita explicitamente a “fome, sobretudo para as pessoas sem trabalho fixo (“bicos” etc.), a violência, a aparição dos usurários”.

O papa classifica os usurários como “delinquentes desumanizados” e diz que eles representam “a verdadeira peste do futuro social”.

Presidente da Argentina convoca padres para o resgate

Por sua parte, o presidente argentino, Alberto Fernández, convocou os padres dos bairros operários de Buenos Aires, incluindo alguns que são próximos ao papa, para ajudá-lo a aplicar medidas para confinar as pessoas nas favelas.

“Nas favelas, também é possível ficar em quarentena. Sabemos que os vizinhos às vezes têm pouco espaço. Se você vir alguém na rua que precisa de ajuda para fazer o isolamento, avise-nos”, disseram o presidente e vários padres em um vídeo que gravaram juntos.

“Que não haja avós pelas ruas. Aproxime-os da paróquia. As capelas das favelas estão abertas para qualquer coisa que fizer falta”, disseram esses padres.

No fim do vídeo, publicado na conta de Fernández no Twitter no dia 25 de março, os sete padres rezam o Pai-Nosso com o presidente em resposta ao apelo do papa por orações no dia anterior.

O presidente anunciou no dia 30 de março que os 10 dias de confinamento da Argentina seriam prorrogados por mais duas semanas. Ele disse que 90% da população observou o isolamento obrigatório para combater a disseminação do novo coronavírus.

Cerca de 966 pessoas na Argentina foram infectadas pelo vírus, e 24 delas morreram.

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