Cardeal Krajewski: “Se cada mosteiro e paróquia abrisse suas portas, em Lesbos não encontraríamos mais ninguém”

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06 Dezembro 2019

Chegada hoje a Roma de 33 refugiados trazidos à Itália graças a um corredor humanitário expressamente desejado pelo Papa Francisco e realizado por meio da intermediação da Comunidade de Santo Egídio. Nos próximos dias chegarão outros 10 para um total de 43 pessoas. O Cardeal Konrad Krajewski, esmoleiro de Sua Santidade, disse: "O Advento é um tempo que diz: acordem. Este primeiro corredor que ocorre na Europa significa para todos nós: acordem! O novo cardeal arcebispo de Luxemburgo nos deu o exemplo quando, há duas semanas ele pessoalmente se responsabilizou por duas famílias. Ele as acolheu em sua casa e agora eles moram juntos. Devemos começar por nós mesmos”.

A reportagem é de M. Chiara Biagioni, publicada por Servizio Informazione Religiosa (SIR), 04-12-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Vamos começar pelos cardeais, pelos bispos, pelos presbíteros: vamos abrir nossas casas, nossas canônicas, nossos palácios. Há espaço, há recursos. Se cada mosteiro, cada casa religiosa, cada paróquia acolhesse pelo menos uma pessoa, pelo menos uma família, não encontraríamos mais ninguém em Lesbos." É um apelo, aliás, um grito de ajuda, lançado esta manhã pelo cardeal Konrad Krajewski, esmoleiro de Sua Santidade, tomando a palavra em Fiumicino. Ele acabou de chegar de Lesbos junto com os 33 refugiados que vieram à Itália graças a um corredor humanitário expressamente desejado pelo Papa Francisco e realizado com a intermediação da Comunidade de Santo Egídio, como sempre de acordo com o Ministério do Interior.

"O Pontífice - continuou o cardeal - é aquele que coloca as pontes. Hoje colocamos esta ponte que se chama de corredor humanitário. É algo totalmente evangélico”. Os agradecimentos da Santa Sé vão ao governo italiano que permitiu esse corredor e ao governo grego que, além de ter trabalhado para superar os problemas burocráticos, também pagou as passagens de todos os que chegaram hoje. "Deus faz grandes obras", disse o esmoleiro. "Mas com todas as pessoas de boa vontade, podemos multiplicar esses corredores e este será o nosso milagre."

Aos 33 refugiados que chegaram hoje, outros 10 se somarão nos próximos dias, para um total de 43 pessoas. Eles são de diferentes nacionalidades: vêm do Afeganistão, Camarões e Togo e todos eles têm na bagagem quilômetros de estrada percorridos a pé para chegar primeiro à Turquia e depois a partir daí, jogados na ilha de Lesbos. Para recebê-los no aeroporto de Fiumicino, também estiveram presentes alguns voluntários de Santo Egídio que passaram um período de tempo na ilha neste verão. Eles ainda trazem nos olhos as condições de extrema pobreza e precariedade em que essas pessoas viviam no campo de Moria: o campo criado pelo governo grego que pode acomodar 3 mil pessoas, mas que hoje recebe pelo menos o dobro.

Igual número encontra “refúgio” em barracas fora do perímetro do campo para uma população total de 15 mil pessoas, alguns dizem até 17 mil. "Estivemos em maio com a Comunidade de Santo Egídio e havia apenas 7 mil pessoas", diz o cardeal Krajewski. "Atualmente, encontramos mais do que o dobro e 800 crianças desacompanhadas. O Advento - acrescenta - é um tempo que diz: acordem. Este primeiro corredor que ocorre na Europa significa para todos nós: acordem! O novo cardeal arcebispo de Luxemburgo nos deu o exemplo quando há duas semanas pessoalmente assumiu a responsabilidade por duas famílias e as acolheu em sua casa e agora eles moram juntos. Devemos começar por nós mesmos”.

A história desse corredor humanitário remonta a 2106, quando em abril o Papa Francisco, juntamente com o Patriarca Bartolomeu e o Arcebispo Ortodoxo da Grécia Ieronymos, visitou a ilha de Lesbos. Na ocasião, no voo papal, três famílias foram trazidas a Roma com o Papa. Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, voltou à ilha grega em maio: "Fiquei muito impressionado com uma situação de extrema dificuldade. Encontramos uma humanidade ferida", relata. "Lembro-me de uma mulher afegã que me disse: ‘Superei muitas dificuldades, mas aqui perdi a esperança por trás dessas grades’. De volta a Roma, contei essa história ao Santo Padre e ele me disse: ‘Temos que fazer algo para que minha viagem não seja um episódio, mas um começo, temos que dar um sinal de esperança’". Assim nasceu a colaboração com a Esmolaria Apostólica e o Cardeal Konrad Krajewski, guiados pela ideia de que as pessoas de Lesbos não deveriam mais fazer tais viagens, de horror, medo e risco. Depois, dirigindo-se diretamente para os recém-chegados, Riccardi disse: "Uma nova vida começa para vocês e estaremos perto. Os corredores humanitários são o começo de um processo que queremos europeu e compartilhado por todos os países europeus".

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