Compromisso com os marginalizados: o papa entre os pobres de Santo Egídio

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17 Junho 2014

Às vezes, parece um dia do fim de outono, chuvas fortes e intervalos de sol se alternam sem perturbar muito as 10 mil pessoas que lotam a praça de Santa Maria in Trastevere e as ruas ao redor. Na igreja que é o berço da Comunidade de Santo Egídio, o barulho repentino de um trovão faz vibrar os corredores no exato momento em que Francisco acabou de dizer: "Nos pobres, está presente Jesus, que se identifica com eles".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 16-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A tarde do papa entre as pessoas da comunidade fundada por Andrea Riccardi é um compêndio das razões que a fizeram nascer e, ao mesmo tempo, temas centrais do pontificado. Com o acréscimo – "um amigo meu, lá, me fazia uma pergunta algum tempo atrás: por que eu não falo da Europa?" – de uma referência à situação do Velho Continente, que retoma o fio da entrevista de março ao diretor do jornal Corriere della Sera, Ferruccio de Bortoli.

"Pois bem, hoje eu falo da Europa", sorriu Francisco, levantando os olhos do texto escrito: "A Europa está cansada. Devemos ajudá-la a rejuvenescer, a encontrar as suas raízes. É verdade: ela renegou as suas raízes. Mas devemos ajudá-la a reencontrá-las".

Porque, "quando uma sociedade perde a memória, ela acabou, acabou", adverte. Antes de lembrar que é "dos idosos e dos pobres que se começa a mudar a sociedade", assim como dos jovens e de todas as pessoas que se tende a se "descartar".

Havia sido Riccardi, ao saudá-lo, que falara de "uma Europa envelhecida, introvertida, preocupada consigo mesma, totalmente economia que se torna avareza". Assim, o papa proferiu "so-li-da-ri-e-da-de!" e acrescentou com ironia amarga: "Muitos querem tirar essa palavra do dicionário, porque a uma certa cultura parece um palavrão! Ah, não: é uma palavra cristã, a solidariedade!".

Por mais de 40 anos, a Santo Egídio cuida dos pobres, dos idosos, das pessoas às margens. "Desejo que vocês vivam o que disse o professor Riccardi, que entre vocês se confunda quem ajuda e quem é ajudado: o protagonista é o abraço".

É a "cultura do descarte" que preocupa Francisco. "Um povo que não cuida dos seus idosos, que não cuida dos seus jovens é um povo sem futuro, sem esperança". A "força biológica" dos jovens, a "memória" dos velhos. Mas a sociedade tende a descartá-los para "manter o equilíbrio" de "uma economia mundial, em cujo centro não estão o homem e a mulher, mas sim o ídolo dinheiro".

Assim, "descartam-se as crianças: nada de filhos", acrescenta, lembrando a desnatalidade europeia, "Itália, Espanha, França...". Descartam-se os jovens, "75 milhões de 25 anos para cima que são 'nem-nem': nem trabalho, nem estudo". E se descartam os pobres, "pedra angular" evangélica em uma sociedade: "Hoje, infelizmente, uma economia especulativa os torna cada vez mais pobres, privando-os do essencial, como a casa e o trabalho. É inaceitável! Quem vive a solidariedade não aceita isso e age".

Francisco também saúda os migrantes e os chama de "novos europeus, que chegaram depois de viagens dolorosas e arriscadas: a comunidade os acolhe e mostra que o estrangeiro é um irmão nosso a ser conhecido e ajudado".

Na entrada da igreja, uma delegação da comunidade judaica romana – do presidente Riccardo Pacifici à presidente da Consulta, Elvira di Cave – entregou a Francisco o convite oficial para visitar a sinagoga, como Wojtyla em 1986 e como Ratzinger em 2010, "uma ocasião para refletir sobre as nossas responsabilidades comuns como comunidade de fé de quase dois mil anos de convivência na cidade e para enviar uma mensagem de amizade e colaboração construtiva".

Uma carta assinada por Pacifici e pelo rabino-chefe Riccardo Di Segni, a qual Francisco logo respondeu "sim". A comunidade judaica também lhe pediu para se unir à oração pelos três estudantes israelenses sequestrados, conta Pacifici: "Ele nos disse: farei".

O último apelo de Francisco é ao "diálogo" pela paz: "É preciso mais oração e mais diálogo. O mundo sufoca sem diálogo. Mas o diálogo só é possível a partir da própria identidade".

À Santo Egídio, ele diz simplesmente: "Sigam em frente nesse caminho: oração, pobres, paz". A "verdadeira revolução" para "fazer crescer a sociedade" é "a da compaixão e da ternura", silaba. "Este é o tempo da misericórdia."

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