“Conventos e igrejas abertos a migrantes”. O último desafio do esmoleiro

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06 Dezembro 2019

A última 'manobra' do cardeal "eletricista" Konrad Krajewski é uma solicitação que entra no coração de um nó ainda aberto na vida da igreja. O cardeal que, poucos meses atrás religou a corrente elétrica de um edifício ocupado em Roma, agora pede em uma sala de imprensa do aeroporto de Fiumicino lotada com a chegada de 33 refugiados através de corredor humanitário da ilha grega de Lesbos, para abrir “as nossos canônicas, os conventos, os mosteiros para que cada um possa abrigar pelo menos uma família dos campos de refugiados" da ilha grega, de modo a poder "esvaziá-los todos".

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 05-12-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Corredores humanitários: refugiados em Roma acompanhados por Krajewski e Sant'Egidio (Foto: santegidio.org)

Francisco, logo após sua eleição, visitando o Centro Astalli em Roma, já havia feito o mesmo pedido. Mas poucos conventos e paróquias responderam. Então, agora, confirmando-se como braço direito do Pontífice sobre o acolhimentos dos mais necessitados, ele tenta novamente: "Vi situações terríveis nos campos da ilha de Lesbos", diz ele. E novamente: "Quinze mil pessoas em um espaço estreito, sem luz". E pede que esses campos, que o Papa chama de "concentração", sejam esvaziados multiplicando "com a boa vontade" os corredores humanitários.

Ao lado do cardeal polonês está Andrea Riccardi, fundador de Santo Egídio, que propõe que a experiência dos corredores seja "compartilhada por todos os países europeus". O eixo Krajewski-Santo Egídio já está consolidado há algum tempo. Apenas duas semanas atrás, um antigo palácio nobre localizado ao lado da colunata de São Pedro foi colocado à disposição dos sem-teto e administrado pela Santo Egídio com o apoio da ação da esmolaria liderada pelo cardeal. São duas figuras de origens diferentes, Krajewski e Riccardi, mas unidas por uma proximidade particular a Francisco.

O cardeal polonês, um homem solitário e incansável da caridade; Riccardi e a Comunidade de Santo Egídio, expressão de um mundo que se tornou completamente central no atual pontificado. Bergoglio não privilegia alguns movimentos em detrimento de outros. Mas é evidente que o empenho social e até diplomático de Santo Egídio é muito considerado por ele. A ascensão da comunidade já batizada nos tempos de Wojtyla como "ONU de Trastevere" é um dado. Valorizada e amada por Wojtyla, apreciada por Ratzinger - embora alguns ratzingerianos a tenham atacado - tornou-se uma referência imprescindível para Bergoglio.

Se Krajewski é a referência em Roma e caridade na Itália, Santo Egídio é frequentemente o canal para sair das fronteiras. Foi a Comunidade, há tempo em missões nos campos de refugiados bengali, que organizou um encontro do Papa há dois anos com a minoria Rohingya. E também em outras ocasiões, desde a trégua armada na República Centro-Africana por ocasião da jornada de Francisco, até o delicado trabalho destinado à assinatura da Declaração de Abu Dhabi junto ao Imã de al-Azhar.

Depois das críticas lançadas pelos círculos conservadores sobre Krajewski, quando ele religou a energia elétrica no prédio romano, "Dom Corrado", como todos o chamam, aparece menos em público. Mas o empenho com os últimos é o mesmo de sempre.

Há tempo ele dorme no escritório, após a decisão de deixar seu apartamento para os refugiados. Recentemente, se empenhou para a assinatura de um acordo entre o município e a diocese de San Severo, na Puglia, que garante aos migrantes guetos de residência e documentos de identidade. É um empenho na base que lembra muito o trabalho realizado antes em Roma e depois em Bolonha, por Matteo Zuppi, o bispo que cresceu em Santo Egídio, que Bergoglio quis nomear cardeal. 

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