Cúpula vaticana sobre abusos sexuais recebeu avaliações mistas

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01 Março 2019

O recém-concluído encontro no Vaticano dos chefes das Conferências Episcopais de todo o mundo foi a mais recente e a mais elaborada das operações da hierarquia com membros da sua própria Igreja e com a cultura mais ampla sobre o abuso sexual do clero.

O editorial é de National Catholic Reporter, 28-02-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para uma Igreja que proclama a Jesus, esse tem sido um longo e lento trabalho árduo rumo à verdade e à prestação de contas. As operações – da negação a reformas relutantes – vêm acontecendo desde que o escândalo foi denunciado pela primeira vez há quase 34 anos.

O recente encontro tem o potencial de marcar um grande passo nos esforços da Igreja para enfrentar o escândalo e reconquistar a confiança dos católicos e de outros. É essencial, no entanto, observar dois fatores que qualificam significativamente o sucesso da reunião.

Primeiro, o encontro em si, por mais extraordinário que possa ter sido, foi, assim como a maioria dos outros avanços no enfrentamento da crise, forçado por circunstâncias externas. Os bispos não foram chamados a Roma porque essa era a coisa certa a se fazer. Eles foram convocados, em parte, por causa da extrema pressão que se acumulou por trás das revelações em curso em um relatório de um Grande Júri sobre malfeitos da hierarquia e por causa dos abusos de um menor e de seminaristas cometidos por um cardeal bem conhecido.

Segundo, os bispos voltaram para casa tendo ainda que responder a essa antiga pergunta, uma frase do poeta Juvenal: “Quem vigia os vigilantes?”.

Ao mesmo tempo, a reunião foi significativa por várias razões, entre as quais:

- Finalmente, admitiu-se que o duplo escândalo de abuso sexual de crianças e menores por padres e o concomitante encobrimento dos crimes por membros da hierarquia são um fenômeno global e requerem um rearranjo radical das prioridades da Igreja para que o comportamento seja evitado e as crianças, protegidas.

- Ele envolveu uma impressionante admissão do cardeal alemão Reinhard Marx de que ele tinha certeza de que documentos relativos ao abuso tinham sido destruídos na Alemanha. Se as promessas de transparência e de responsabilização que permearam o encontro tiverem algum significado real, os líderes dessa cúpula, e o papa em particular, pedirão uma investigação imediata, robusta e independente dessa questão. Quem destruiu os documentos? Quando? Que período de tempo eles abrangiam? Quantos casos foram envolvidos? Quem no Vaticano foi notificado? Se não foi notificado, por que não? Uma investigação separada deveria ser iniciada imediatamente para determinar se outras Conferências em todo o mundo destruíram documentos.

- Foi um encontro característico não somente por ter sido o primeiro a reunir os bispos do mundo para discutir essa terrível crise, mas também porque incluiu candentes testemunhos das vítimas, uma declaração surpreendente de uma jornalista e um desafio à hierarquia (com considerações diretas ao papa) por parte de uma religiosa.

- Os bispos voltaram para casa tendo recebido ordens – embora infelizmente carentes de detalhes – para elaborar planos para lidar com casos, incluindo acusações contra os bispos. Os planos resultantes deverão ser enviados de volta ao Vaticano e aprovados. O Vaticano, por sua vez, prometeu um documento papal que estabelecerá regras específicas sobre como os bispos devem lidar com os casos de abuso.

O veredito sobre o encontro, então, é misto. É simplesmente justo notar que o Papa Francisco herdou uma bagunça monumental e fez muito mais do que os seus antecessores – e notavelmente mais do que o Papa João Paulo II, em cujo longo reinado surgiu o escândalo – para começar a mudar a cultura clerical e responsabilizar os bispos.

Ao mesmo tempo, suas fortes palavras de determinação durante a reunião foram estranhamente enfraquecidas por um longo segmento introdutório em seu discurso de encerramento, em que repassou uma série de dados para demonstrar que o abuso sexual ocorre em toda a parte, não apenas dentro da Igreja. Trata-se de um fato indiscutível, mas não pode ser sequer minimamente uma justificativa para o caso da Igreja, onde ministros do Evangelho cometeram crimes hediondos contra crianças e depois foram protegidos por uma cultura episcopal sigilosa.

O encontro deixou claro, em escala global, que não há mais espaço para a negação, o equívoco ou a tentativa de jogar a culpa em outro lugar. Todas as vozes ouvidas durante essa reunião incomum pareceram ter chegado à mesma conclusão: a cultura clerical deve mudar, e os bispos devem ser responsabilizados.

Anne Barrett Doyle, do BishopAccountability.org, expressou esse veredito misto. Ela lamentou o fracasso da reunião em propor reformas internas concretas. “Mas, em um sentido mais amplo, alcançou-se muito”, disse ela. O evento tornou-se um lugar onde ocorreram conexões “entre jornalistas e sobreviventes de muitos países. Tratou-se de uma formação pública em grande escala”, afirmou.

Sem dúvida, também para alguns dos bispos.

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