As religiosas satisfeitas com a Cúpula Vaticana sobre abusos sexuais: mais vozes para as mulheres

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27 Fevereiro 2019

As religiosas que dirigem a União Internacional das Superioras Gerais (UISG) e que participaram da cúpula sobre abuso sexual presidida pelo Papa, no Vaticano, com os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo (de 21 a 24 de fevereiro) expressaram sua satisfação com o clima de "escuta" recíproca que se instaurou após as primeiras "resistências", e expressaram o desejo de que no futuro seja dado mais valor à voz feminina, por exemplo, introduzindo o direito de voto para as mulheres na Sínodo.

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 25-02-2019. A tradução é do Cepat.

Participaram da coletiva de imprensa, realizada na sede da UISG, e que foi moderada pela irmã Bernadette Reis, dos Estados Unidos, e o diretor "ad interim" da Sala de Imprensa vaticana, Alessandro Gisotti, a presidenta irmã Carmen Sammut (de Malta), a secretária geral, irmã Pat Murray (da Irlanda) e quatro das superioras que fazem parte do comitê diretivo: irmã Aurora Torres (do México), irmã Maria Theresia Hornamann (Alemanha), irmã Monica Joseph (da Índia) e irmã Veronica Openibo (Nigéria), uma das três mulheres que interviram na assembleia plenária da cúpula sobre abusos.

Também estava presente, entre os jornalistas que assistiram a coletiva de impressa, outra das relatoras da Cúpula, a jornalista mexicana Valentina Alazraki. “Quando entrei pela primeira vez na sala onde eram realizados os trabalhos do meu grupo de trabalho, me perguntei: como será? Eu, única mulher, e os outros, cardeais e bispos falando sobre esse assunto? ", disse irmã Hornamann. “No começo, eu não sabia onde estava. E não falei durante o primeiro dia. Nunca havia visto em minha vida tantos bispos juntos... Mas depois, nos dias seguintes, pude dizer minha opinião e fui ouvida ”. Irmã Openibo disse que percebeu que "alguns bispos não ficaram felizes" com sua intervenção durante a plenária, na qual ela afirmou claramente que o abuso é um problema também na África e na Ásia, mas também enfatizou a importância capital que atribui à proteção de menores, já que está em jogo a "credibilidade da Igreja". As culturas, disse, devem ser respeitadas, mas também "evangelizadas".

No grupo de trabalho, disse, alguns bispos e cardeais lhe perguntaram o que "alguns cardeais e bispos me pediram para explicar melhor", sobre o que eu queria dizer "com meu discurso, por exemplo quando disse que, em minha opinião, seminários menores devem fechar porque os garotos são jovens demais para tomar uma decisão desse tipo." Ao final, disse a religiosa nigeriana com um sorriso, em seu grupo linguístico, em que trabalhavam também dois cardeais, ela foi apelidada de "o terceiro cardeal". A irmã Joseph, também a única mulher em seu grupo de trabalho, disse que estava "feliz" por ter participado e ter visto uma "grande abertura" nas discussões, mas acrescentou: "Eu teria gostado se houvesse mais mulheres ...".

A irmã Sammut indicou que em seu grupo linguístico havia uma “enorme diferença entre os bispos, alguns na liderança de centenas de bispos e outros praticamente sem uma Conferência Episcopal. Alguns com grande experiência no campo da proteção de menores e outros sem experiência: havia um grande desejo de ensinar, de aprender; havia uma grande responsabilidade em compartilhar e muita ajuda recíproca. Eu - afirmou - tenho muita confiança de que as coisas podem avançar. "E a irmã Murray se disse "impressionada com o desejo demonstrado pelos participantes de aprender e seguir em frente. No princípio houve alguma resistência, alguns tendiam a dizer: "este problema não existe na minha parte do mundo". Mas, em seguida, todos disseram: "Não posso dizer que não existe, talvez ainda não tenha surgido".

De acordo com a religiosa irlandesa (que insistiu na "longa jornada de sofrimento" vivida pela Igreja irlandesa, incluindo as religiosas, pelos abusos cometidos durante décadas), na Cúpula Vaticana houve uma "real gratidão" pela presença da voz feminina. Irmã Torres também disse que encontrou uma "atmosfera de grande escuta" em seu grupo e quis enfatizar que reflete que a Igreja com o Papa Francisco quer enfrentar o problema dos abusos, "não apenas colegialmente, envolvendo todos os bispos, mas também sinodalmente, com a participação de bispos, religiosos e leigos".

Insistindo em que o comitê diretivo da UISG foi convidado a participar da Cúpula Vaticana, diferente do que acontece nos Sínodos, em que as religiosas contam somente com três locais, e também insistindo que o comitê organizador está "orgulhoso" da intervenção de irmã Openido, irmã Sammut expressou a esperança de que "a Cúpula seja um exemplo para o futuro, para que as mulheres possam ter uma voz maior nos Sínodos e nos outros encontros do Vaticano". A religiosa maltesa confirmou que espera a possibilidade de que as mulheres votem no Sínodo dos Bispos: "Esperamos que um dia cheguemos a este ponto, o direito de votar, embora não saibamos quando”. E também esclareceu que "os religiosos estão nos apoiando neste caminho".

Irmã Hornamann, por sua vez, disse que não considera que as mulheres poderão votar no próximo Sínodo da Amazônia (de 6 a 27 de outubro deste ano) e disse que durante o encontro sobre abusos, um bispo lhe disse que não sabia que as freiras não votavam nos Sínodos: "temos diante de nós um caminho muito longo ...", disse a religiosa alemã.

As Superioras, muito comovidas com os depoimentos de cinco sobreviventes de abusos de todos os continentes (com os quais começou o primeiro dia da cúpula), bem como o depoimento de algumas vítimas que interviram a porta fechada no final de cada um dos três dias de trabalho, mencionaram também que a questão da violência contra as religiosas foi mencionada durante o encontro, mas como explicou a irmã Openibo, o argumento da Cúpula era "abusos contra menores". Irmã Murray disse que "não há números" sobre esse fenômeno, mas sim "testemunhos verbais". Também lembrou que não somente se trata de abuso sexual, mas também diferentes tipos de moléstias. Um tema sobre o qual, disse, é necessário um compromisso em todos os níveis na educação e sensibilização, disse a secretária geral da UISG, recordando a nota com a qual a organização acaba de convidar as religiosas que sofreram abuso a denunciá-los abertamente.

As religiosas recordaram que o trabalho para defender os menores e a luta contra os abusos continuará depois da Cúpula Vaticana. Se as associações de vítimas não estiverem satisfeitas com o resultado da Cúpula Vaticana, "existe episcopados, como nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda, Alemanha e Áustria, em que a Igreja tem feito muito" e, seja como for, "os bispos agora terão que se empenhar e terão que prestar contas », disse irmã Openibo. Que também enfatizou: "Devemos ser pessoas de esperança e ressurreição".

A nigeriana respondeu às perguntas de alguns jornalistas que "o Papa é um homem argentino, é mais ítalo-argentino, e passou por todos os níveis da Igreja ... Às vezes, as palavras que ele usa são diferentes das que gostamos, mas é necessário dizer que com ele na Igreja, a mudança é uma realidade. Irmão Francisco - prosseguiu usando o termo que usou em sua intervenção durante a plenário para se dirigir ao Papa jesuíta -, muito bem! Amém"

A União Internacional das Superioras Gerais conta com mais de 1850 membros, que representam mais de 600.000 mulheres religiosas de vida apostólica em todo o mundo. Na cúpula vaticana participaram as oito superioras do comitê diretivo da UISG e participaram, além da secretária geral, irmã Murray, e a superiora das salesianas, Yvonne Reungoat. A UISG publicou duas declarações sobre o tema da proteção de menores e adultos vulneráveis: uma em 25 de novembro de 2018 (intitulada "Contra toda forma de abuso") e a outra em 19 de fevereiro de 2019, juntamente com a União Internacional dos Superiores Gerais (USG), intitulada "O abuso infantil é um mal em qualquer tempo e lugar: este ponto não é negociável". Além da assembleia plenária a ser realizada nos próximos dias 6 a 10 de maio, a UISG organizará em Roma dois workshops, um sobre novas tendências em orfanatos e outro sobre a proteção de menores.

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