Papa aos bispos italianos: “Não ao muro contra muro em relação ao governo”

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30 Abril 2020

Na “Fase 2” [do combate ao coronavírus na Itália], é preciso “prudência e obediência às disposições”, porque o objetivo número um de todos, incluindo da Igreja, é que “a pandemia não volte”.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada em La Stampa, 29-04-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Foi o papa quem falou, e o eco das suas palavras está ressoando nas sagradas salas como um “pare!” aos bispos mais combativos no front das missas abertas-missas fechadas.

Francisco desaprova claramente a estratégia do confronto. E a sua ordem contrária se tornou uma ajuda valiosa para o primeiro-ministro italiano, Conte, nestes dias de negociações e de tensões entre prelados, governo e Comitê Técnico-Científico sobre a reabertura das celebrações aos fiéis.

“Mais do que desconfessar diretamente a dura nota do domingo à noite, o pontífice quer evitar que prevaleça na Conferência Episcopal Italiana (CEI) a linha do ‘muro contra muro’ em relação ao Executivo italiano”, afirma um alto prelado vaticano ao La Stampa.

A cúpula da CEI estão sob pressão interna há semanas. “Enormes”, descreve o prelado. “Falar de desacordo é redutivo.”

No quartel-general da Via Aurelia, chovem pedidos e protestos afiados de bispos, padres e leigos. Tipo este: “A CEI foi submissa, suave, condescendente demais. É hora de declarar: chega! Agora retomaremos a celebração das missas públicas. Sem qualquer subterfúgios!”.

Outro: “Lembrem aos ministros dos limites constitucionais impostos pelo artigo 7!”. Pontos de exclamação incluídos.

Com o comunicado que, há três dias, gritou contra a violação da liberdade de culto, “exigindo” que se possa “retomar a ação pastoral”, a CEI deu voz à frustração e à raiva provenientes de centenas de sacristias.

Assim, a referência à razão lançada por Bergoglio nasceria da forte preocupação com esses focos de intransigência e de propaganda rebelde. Embora as relações entre a Casa Santa Marta e a Via Aurelia não sejam fáceis, o papa não teria a intenção de desmentir a cúpula da Conferência Episcopal, começando pelo fidelíssimo cardeal Gualtiero Bassetti.

Ao contrário, a advertência dessa terça-feira de manhã se torna uma contenção com a qual a comitiva do presidente pode contar para “acalmar os ânimos dos pastores mais radicais – diz um bispo – e responder que o único caminho é o indicado pelo papa”.

Essa caminho foi traçado durante a missa matinal ao vivo muito assistida pela Rai1, Tv2000 e Vatican News: “Neste tempo, no qual se começam a ter disposições para sair da quarentena, rezemos ao Senhor para que dê a todos nós prudência e obediência às disposições, para que a pandemia não volte”.

Traduzido para os homens da Igreja em dialética com o governo: respeitem as normas, o diálogo e o bom senso. E nada de “fundamentalismos” contra os quais o Papa Bergoglio sempre se lança.

Com a Covid-19 não se brinca.

Com essa chave de leitura, deve ser interpretada a garantia do Mons. Ivan Maffeis, subsecretário da CEI: “A Igreja italiana não tem vontade alguma de romper com o governo, nem de avançar demais, o que significaria pisotear os sofrimentos do país”.

A intenção é a de “prosseguir com o diálogo construtivo”. “Seria grave – conclui – se, dentro da Igreja, apesar das sensibilidades diferentes, estivéssemos com o pontífice em duas linhas diferentes.”

Mais em geral, outra autoridade vaticana lembra que o papa sempre esteve ao lado de quem busca conter os “impulsos ao intervencionismo político dos bispos. Aqueles de memória ruiniana” [referência ao cardeal Camillo Ruini, ex-presidente da CEI de 1991 a 2007].

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