O vírus também divide as igrejas

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17 Março 2020

"É tão difícil entender que, nesses tempos, é verdadeiro cristão não aquele que insiste em ir à missa, mas aquele que - por amor ao próximo - não vai?", questiona Luigi Sandri, em comentário publicado por L'Adige, 16-03-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o comentário.

O coronavírus também provoca várias reações nas igrejas: o papa agradece aos padres lombardos por não serem acovardados Dom Abbondio, mas generosamente próximos de seus fiéis; o vigário de Roma, cardeal Angelo De Donatis, decide fechar todas as igrejas paroquiais no domingo e depois reabri-las por ordem de Francisco. E na Eslováquia, o chefe dos ortodoxos se recusa a fechar as igrejas e, portanto, é ameaçado por sanções do primeiro-ministro daquele país, determinado a impedir a epidemia.

No Angelus - também ontem da reclusão de sua biblioteca - Bergoglio elogiou os sacerdotes da Lombardia, flagelada pela Covid-19: “Eles pensam mil maneiras para estar perto do povo, para que não se sinta abandonado; sacerdotes com zelo apostólico, que entenderam bem que em tempos de pandemia não se deve bancar o ‘Don Abbondio’”. O pontífice também mencionou o arcebispo de Milão, monsenhor Mario Delpini, "que neste momento está celebrando a missa na policlínica da cidade para os doentes, médicos, enfermeiras e voluntários. Lembro-me da fotografia da semana passada: ele sozinho na cúpula da catedral rezando para Nossa Senhora" proteger seu povo nesses dias difíceis.

Em Roma, o cardeal vigário ordenou que os sacerdotes fechassem todas as igrejas ontem, para atender as medidas do governo que deseja evitar aglomerações. Uma medida que alguns na Cúria consideraram "exagerada"; o próprio Papa, celebrando a missa no Vaticano outro dia, disse, falando de maneira geral, que "medidas drásticas nem sempre são boas". De assim, De Donatis teve depois que especificar que "as igrejas paroquiais permanecem abertas", mesmo convidando os fiéis a se comportarem com senso de responsabilidade.

Também na Eslováquia, onde há apenas quarenta pessoas infectadas por enquanto, para impedir a epidemia, o primeiro-ministro Peter Pellegrini (seu bisavô era italiano) na semana passada proibiu todos os eventos de massa e, portanto, os encontros religiosos dominicais. Mas o metropolita de Presov, Rastislav - chefe de uma igreja ortodoxa de poucos milhares de fiéis - anunciou que quer desobedecer às normas impostas pelo governo de Bratislava: “Estou decepcionado com seus regulamentações. A Igreja existe para ajudar as pessoas”. Resposta do primeiro-ministro: se ele violar as ordens, esse bispo será punido.

Na Idade Média, recorria-se às vezes ao recurso da ordália: para demonstrar a verdade das próprias convicções, era preciso caminhar alguns metros sobre um grande braseiro ardente; caso se saísse ileso, era a prova, confirmada por um milagre divino, da correção das próprias afirmações. O metropolita de Presov quer talvez tentar Deus? A Eucaristia, é claro, não faz mal a ninguém; mas se houver muitas pessoas se comunicando, o vírus fatal, que não olha na cara nem mesmo dos fiéis, pode contaminar alguém.

É tão difícil entender que, nesses tempos, é verdadeiro cristão não aquele que insiste em ir à missa, mas aquele que - por amor ao próximo - não vai?

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